segunda-feira, 7 de outubro de 2013

ANA MARIA BRAGA E SUA "NOÇÃO" DE MPB


Por Alexandre Figueiredo

O que é a grande mídia. Na semana passada, a apresentadora do Mais Você da Rede Globo, Ana Maria Braga, ao anunciar o conjunto neo-brega Só Pra Contrariar, que tem de volta o cantor Alexandre Pires no comando, classificou o grupo como "um dos maiores da Música Popular Brasileira".

Embora haja certas correntes, até dotadas de alguma influência, que dizem que MPB é qualquer coisa cantada em português e feita no Brasil - embora haja lunáticos que queiram ver até Michael Jackson e Bee Gees classificados como MPB - , é muito duvidosa e questionável essa classificação.

A atitude de Ana Maria Brega lembra muito a de Fausto Silva e outros figurões da Globo. A Globo criou sua concepção de MPB, oscilante entre o "feijão-com-arroz" de Ana Carolina e Maria Gadu e a cosmética "blasé" de neo-bregas arrumadinhos, dos quais se inserem o Só Pra Contrariar, Chitãozinho & Xororó, Belo, Daniel, Leonardo e muitos outros.

Só que esses neo-bregas, em sua origem, sempre esnobaram e renegaram a MPB. Quando começaram suas carreiras, eles achavam que MPB era "coisa de bacana" e que não matava a fome, por isso não valia a pena investir nela. Tal postura prevaleceu sobretudo no começo dos anos 90.

Já no fim dos anos 90, eles correram atrás do prejuízo (entendam isso de qualquer forma possível). Como na CPI dos Ônibus do Rio de Janeiro, comandada por gente que originalmente se opunha à comissão, os neo-bregas dos anos 90 passaram a se vincular à mesma MPB que rejeitaram e esnobaram com o mais absoluto desdém.

Hoje eles tentam se passar pela "verdadeira MPB", através de uma fórmula que junta estética (ou cosmética?) de pompa e luxo com seu aparente apelo popular. Mas fazem isso sem oferecer algo novo ou criativo, apenas repetindo de forma piorada o que a MPB pasteurizada dos anos 80 já havia feito até a exaustão.

Ora, Ana Maria, militante do "Cansei" há anos atrás e dotada de certas posturas discretamente conservadoras - ela não chega a ser uma "urubóloga" convicta como Miriam Leitão ou fanática como Eliane Cantanhede - , ela pode ter até a postura de "medo" de Regina Duarte, mas procura ser um pouco mais sutil.

Isso não impede que ela adote incompreensões ou posturas duvidosas. E, no caso da MPB, certamente a "loura" não é a melhor pessoa para nos esclarecer o que é realmente MPB ou não. Ela vai nos listões das rádios e o que tiver de "brasileiro" vira "maior nome da MPB". Já Fausto Silva, prestes a bajular qualquer coisa, também vai chamar qualquer um dessa forma.

Mas eles são apenas apresentadores de TV, voltados aos interesses comerciais. Cultura de verdade não é seu maior compromisso. O que eles querem é defender os pontos de vistas de sua empresa e os valores que garantam lucros maiores e estáveis. Portanto, não podem ser os juízes máximos da cultura brasileira.

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