sábado, 5 de outubro de 2013

ABRIL, THE HUFFINGTON POST E AS ESTRANHAS ALIANÇAS AQUI E ALI


Por Alexandre Figueiredo

Recentemente, foi divulgado que o sítio norte-americano de notícias, The Huffington Post, firmou uma parceria com o Grupo Abril, na mesma época em que sai do ar a franquia que o grupo paulista trabalhava com a marca MTV (agora ligada à filial brasileira da Viacom).

O sítio terá uma versão brasileira, chamada Brasil Post, e terá como diretor de redação Ricardo Anderáos, com passagem pela MTV Brasil e outros veículos como O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e Band News FM.

A aliança é considerada pelos analistas de esquerda um tanto estranha, porque o Grupo Abril é considerado ultrareacionário, e integra a "santíssima trindade" do ultradireitismo midiático, junto aos grupos Estadão e Folha.

Já o Huffington Post é um periódico progressista, fundado pela jornalista Ariana Huffington, e do qual participam vários blogueiros, entre estudantes, ativistas, cientistas políticos etc. É verdade que o HP faz parcerias com outros grupos conservadores, como o francês Le Monde e o espanhol El País, mas o Grupo Abril se supera a esses dois num conservadorismo ainda mais neurótico.

Parcerias estranhas entre progressistas e conservadores existem. A Carta Capital, no seu portal de Internet, passou a abrigar o blogue Farofafá, cujos responsáveis, Eduardo Nunomura e Pedro Alexandre Sanches, estabelecem uma visão de "cultura popular" mais próxima da Folha de São Paulo e da Rede Globo ou de ideólogos como Francis Fukuyama.

Num Brasil em que, até pouco tempo atrás, tivemos o modismo dos pseudo-esquerdistas, hoje ainda resistente com uns poucos persistentes, mas outrora quase hegemônico com seus "socialistas" com QI de extrema-direita, defendendo desde a imbecilização cultural até bandeiras que, nos EUA, são ultrarreacionárias, como a defesa do porte de armas.

No país de falsos Guevarinhas com QI de Reinaldo Azevedo, com o direitismo fantasiado de esquerdista, mesmo assim não é fácil explicar o que quer o Grupo Abril com The Huffington Post. Afinal, os tempos são outros e não há contexto para a Abril trabalhar uma nova Realidade, abrigando jornalistas de esquerda que trabalhavam a melhor narrativa New Journalism.

Pelo contrário, a Abril hoje é abertamente reacionária. Até havia mídia reacionária há 50 anos atrás, e o apoio midiático ao golpe de 1964 não nos deixava mentir. Mas antes os valores sócio-culturais ainda não passaram pelo colapso iniciado pelo AI-5 e até hoje não superado. A mídia ainda tolerava um grau maior de profissionalismo e aceitava profissionais de mente progressista.

Talvez o tempo dirá. Se o Brasil Post se posicionar mais à direita, ou tentar pintar os políticos tucanos com um verniz mais "progressista", não se sabe quando. O que se sabe é que certas iniciativas que começam com algum (relativo) idealismo, quando se tornam rotineiras, passam a perder a graça que prometiam ter.

É como muitos projetos no país, como o caso da 89 FM de São Paulo, surgida em 1985 prometendo idealismo, mais pragmático que transformador. Passados dois anos de relativo brilho, a rádio rumava, já no fim dos anos 80, a um reacionarismo crescente sob linguagem e QI das FMs pop que a "rádio rock" dizia repudiar, virando algo como um Reinaldo Azevedo em FM.

O que o portal Brasil Post será, provavelmente, estará dentro da média conservadora dos portais da grande mídia. O mínimo de profissionalismo - nos limites que os barões da mídia permitem - e um máximo de conservadorismo. Apesar de estar ligado ao Huffington Post, o Brasil Post tende a refletir a linha de seu administrador brasileiro. No começo, parecerá idealista, mas depois...

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