segunda-feira, 16 de setembro de 2013

TRANSAMÉRICA FM E A CARTOLAGEM NO "AEMÃO DE FM"

 
REDE TRANSAMÉRICA - T de (Ricardo) Teixeira?

Por Alexandre Figueiredo

No combalido e decadente rádio FM, naufragado em fórmulas velhas, a Rede Transamérica, uma das mais sofridas pela crise, agora implantou mais uma vez o "Aemão de FM" no dial carioca, não mexendo em time que está perdendo em outras praças da rede sediada em São Paulo.

A Transamérica FM já foi referência no radialismo jovem, na década de 80, num meio caminho entre o pioneirismo da Rádio Cidade carioca nos anos 70 e o pragmatismo da Jovem Pan 2 paulistana nos anos 90.

Mas a rádio caducou e tentou outros estilos, investindo numa caricata (e, felizmente, curta) experiência no segmento rock que incluiu até mesmo uma boataria sem fundamento em que o ex-coordenador da histórica 97 FM paulista, o conhecedor de rock Leopoldo Rey, estaria comandando a emissora, pois a Transamérica havia cometido gafes demais para ser dirigida por alguém do ramo.

Depois, a Transamérica decidiu pegar carona no "Aemão", com transmissões esportivas constrangedoras e jornadas esportivas dotadas do besteirol mais sem graça. Com esse receituário, a audiência da Transamérica caiu assustadoramente que hoje a emissora nem é mais sombra do que foi.

A Transamérica, a exemplo de outra "trans" deficitária, a empresa de ônibus Turismo Trans1000, da Baixada Fluminense, que havia perdido várias linhas que operava em Nilópolis, é o tipo de coisa decadente que continua persistindo quando deixou sua razão de ser.

A exemplo da Trans1000, a Transamérica é um dinossauro doente que seus adeptos não querem ver morrer. E que não dá mais conta do recado, pois numa época em que se investiga os bastidores do poderio midiático, nota-se que a rede com o tempo se voltou mais para os interesses pessoais do seu dono, o banqueiro Aloísio Faria, do que para o público jovem ao qual a rádio, em tese, está associada.

Em 2002, foi histórica a parceria entre Aloísio Faria e Ricardo Teixeira, da CBF, que despejou uma generosa quantia financeira na Rede Transamérica para os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002, o que posicionou a rede de rádios como a "Globo" das FMs, devido a essa transação típica da Frequência Modulada brasileira, que virou um "caixa dois" dos "cartolas" dos clubes de futebol.

Há dois anos atrás, porém, a Transamérica foi vendida para a Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo, e faz parcerias com a Rede Record AM, rede de rádios do Grupo Record, para o "Aemão" que hoje descarateriza, enfraquece e transforma o rádio FM numa coisa sem pé nem cabeça, num rádio praticamente sem ouvintes (só uns poucos) e sem público-alvo definidos.

O corporativismo dos colunistas de rádio e seus radiófilos, que brincam com os amontoados de números que colhem em duvidosos dados de institutos de pesquisas (como o Ibope), com base nos quais comemoram uma "grande audiência" das FMs que quase nunca se observa nas ruas das cidades, ainda poderá salvar a reputação da Transamérica e seu "Aemão" agora estabilizado no dial carioca.

Mas, se a "moderna" Bradesco Esportes FM, do Grupo Bandeirantes em parceria com o Bradesco, já demitiu muitos profissionais por conta da baixíssima audiência, o que esperar do "Aemão" da Transamérica que, fora a badalação de sempre dos colunistas radiofônicos (capaz de classificarem certos programas como "líderes de audiência" antes de entrarem no ar), anda em baixa em todo o país?

Espera-se, é claro, o favorecimento de interesses de Ricardo Teixeira, o dirigente esportivo que presidiu a CBF e hoje comanda nos bastidores através de seu "laranja" José Maria Marin ("cartola" surgido dos porões do malufismo). Teixeira está feliz, porque na prática o T da Transamérica continua sendo o T de seu sobrenome.

O jabaculê esportivo nas FMs rende muito mais dinheiro que o jabaculê musical e ainda não passa uma parte para o ECAD. É fácil de ser dissimulado e pode servir de "lavagem financeira" para os dirigentes esportivos. Sem falar da concorrência desleal que as FMs fazem contra as emissoras AM, que, essas sim, lutam para continuarem existindo, não se sabe até quando.

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