sábado, 28 de setembro de 2013

PINTURA PADRONIZADA SÓ CAUSOU PROBLEMAS NO RJ


Por Alexandre Figueiredo

A prefeitura do Rio de Janeiro (e de Niterói, São Gonçalo e até São João da Barra) tentam, tentam, tentam. No entanto, a medida da pintura padronizada que unifica diferentes empresas em um mesmo visual mostrou-se, definitivamente, um retumbante fracasso.

Tudo isso está claro nas ruas. A população se redobrando para pegar um ônibus, a corrupção correndo solta sob o manto da pintura padronizada, os sistemas de ônibus em queda livre de qualidade. E as autoridades, com medo, tentando desmentir qualquer coisa. Em vão.

Nas últimas pesquisas em rondas por vários cantos do Rio de Janeiro, constata-se que nada menos que 80% da frota de ônibus está sucateada, e os acidentes que ocorrem deixam uma média mensal de aproximadamente 100 passageiros feridos.

Mas em Niterói e São Gonçalo, os ônibus municipais já começam a ser sucateados, e mesmo tendo suas estampas "padronizadas" com um design mais alegre que a do Rio de Janeiro - que mais parece uma embalagem de remédio - , também mostram ônibus com lataria amassada que rodam sacolejando e mostram problemas diversos, do letreiro digital aos freios.

A ampla documentação das fotos desses ônibus não indica o sucesso da medida. Pelo contrário, tornou-se apenas um modismo, um tanto exótico, outro tanto aberrante, e que deixará, no futuro, uma mancha grave no sistema de ônibus fluminense.

Até mesmo a busologia do Rio de Janeiro passou a ser criticada pela sociedade, pelo surto de intolerância que uma minoria barulhenta de busólogos, que defendiam radicalmente a pintura padronizada nos ônibus, teve nos últimos anos, com péssima repercussão na opinião pública.

Devido a essa minoria - que queria exercer supremacia no hobby, mal conseguindo esconder interesses políticos pessoais - , houve desde declarações irritadas como o surrado bordão "Pare de falar besteira" até mesmo ofensas pessoais que ridicularizavam o estado civil de alguns membros (no caso, solteiros) e até blogues caluniosos.

A situação ficou tão séria que a tão sonhada ascensão da busologia fluminense ficou comprometida, e se os busólogos adeptos da pintura padronizada chamavam seus detratores de "viúvas de latas de tinta", agora a coisa se reverte e tais adeptos começam a ser chamados de "beatas de carimbos de prefeituras".

Com a intolerância, até mesmo busólogos de outros Estados ficaram preocupados, enquanto o povo fluminense, que já tinha preconceito com pessoas que admiram ônibus, passou a ver na minoria de busólogos pró-padronização um grupo de pessoas em busca de cargos nas prefeituras envolvidas, ou no DETRO e até na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ).

Outro fator de crise é que várias das posturas defendidas pela minoria prepotente de busólogos ia contra os interesses das classes populares, como defender empresas deficitárias (a Turismo Trans1000, de Mesquita, que recentemente perdeu o direito de explorar linhas de outro município, Nilópolis) e a redução de frotas de ônibus em circulação.

Além disso, o fato de várias dessas posturas estarem associadas aos interesses de âmbito rodoviário do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e do governador fluminense Sérgio Cabral Filho, em época de intensa revolta popular contra esses dois políticos, deprecia ainda mais a postura dos busólogos que defendem as mesmas causas dos dois governantes.

O próprio fato do agravamento da corrupção nas empresas de ônibus cariocas, tão grande que quase transformou a CPI dos Ônibus numa ampliação desse mesmo esquema, já que a comissão era feita por gente ligada a Paes e Cabral Filho, também desmoraliza a pintura padronizada, que serve de véu para a corrupção político-empresarial, confundindo o povo impedido de verificar o desempenho de cada empresa.

A medida tenta resistir, se estendendo às frotas rodoviárias cariocas. A repintura dos ônibus ocorre em ritmo lento em Niterói e São Gonçalo. A renovação das frotas é retardada. Há processos judiciais contra a pintura padronizada. A população está irritada ao ver empresas de ônibus diferentes com a mesma pintura e sabendo que isso não traz a tão prometida transparência.

No entanto, a decadência só faz aumentar a crise, com o crescimento de reportagens negativas sobre os ônibus e com a revolta popular cada vez mais crescente. Daqui a pouco, a indignação contra a pintura padronizada, esse verdadeiro mascaramento do sistema de ônibus - ironicamente vindo de governantes que não gostam de ver manifestantes mascarados - perderá o controle.

Aí, não haverá mais sentido para manter esse "baile de máscaras" de uma mobilidade urbana falsa, politiqueira, corrupta e que nada traz de funcionalidade nem de transparência. Os passageiros comuns se sentem agredidos com esses "novos" sistemas de ônibus implantados nos últimos anos que até mesmo os BRT's se tornam ofensas demagógicas. A crise ficará insustentável.

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