domingo, 15 de setembro de 2013

O FORRÓ-BREGA DECAIU. HAJA CHORADEIRA!!

OS CAVALEIROS DO FORRÓ MANDANDO UM ABRAÇO PARA OTÁVIO FRIAS FILHO.

Por Alexandre Figueiredo

Já escrevi, dias antes, que a intelectualidade dominante foi forçada a admitir que o forró-brega (ou "forró eletrônico", ou óxente-music), anda decadente, por causa de seu monopólio mercadológico e das letras que estimulam o alcoolismo, a prostituição e a infidelidade conjugal.

Mas a intelectualidade dominante, embora admita, a faz a contragosto. A choradeira é tremenda, o clima de luto é grande, a esperança de ver o povo nordestino transformado em estereótipo meio "latinizado", dentro de um engodo musical que inclui mais country e disco music do que música nordestina, começa a ruir.

Só mesmo a intelectualidade dominante, situada no eixo Rio-São Paulo, que transita tão somente entre os ambientes acadêmicos e seus condomínios de luxo, que conhece as periferias brasileiras através de documentários da TV britânica ou das pregações do "príncipe-acadêmico" Fernando Henrique Cardoso, achava o forró-brega "o máximo".

Só essa intelectualidade, "sem preconceitos" mas bastante preconceituosa, para dar o mesmo peso de valor a um Cavaleiros do Forró e um nome respeitável como Nação Zumbi.

Só mesmo esses "pensadores", detentores do privilégio da visibilidade, com os "microfones abertos" fechados a eles, para ver alguma genialidade no sucesso "popular" desses nomes.

Daí a choradeira, as alegações de "injusta discriminação" a esses nomes - como Cavaleiros do Forró, Aviões do Forró, Calcinha Preta e tantos outros - só por causa da suposta popularidade que irrita os nordestinos e só agrada à intelligentzia que vive a muitos quilômetros longe do Nordeste.

Tão autoproclamados detentores de sabedoria, esses "pensadores" a serviço do poder midiático do qual tentam fugir com medo de assumir o vínculo umbilical com o mesmo, ignoram o contexto de coronelismo midiático em que se inserem os "maravilhosos" ídolos do forró-brega.

Eles trabalham num mercado mafioso, que inclui desde o patrocínio latifundiário até a precarização do trabalho, em que envolvem disputa de dançarinas, de compositores, de cantores, enquanto empresários se comportam como autênticos donos desses conjuntos musicais.

O mercado do forró-brega se concentrou e cresceu de tal forma que, regionalmente, ele envolve desde os Estados da região Norte até o Nordeste não-baiano e o Estado do Espírito Santo, no Sudeste, onde uma disputa de dançarinas para um posto num grupo local resultou até em homicídio.

Portanto, essa "monocultura" do forró-brega nada tem a ver com a suposta nordestinidade a que está associada. Se a mesma fórmula vale para paraenses, paraibanos e capixabas, já calcada num som nada nordestino que mescla country, disco music, merengue e sanfona gaúcha, não há como levar isso a sério.

Daí que a merecida decadência acontece. Pela rejeição da própria sociedade, não apenas a dita "elitista" (na verdade bem menos elitista que supostamente parece ser), mas muita gente boa das periferias que não aguenta se ver fazendo papel de palhaços do poderio midiático popularesco.

A rejeição à mediocridade, sim, é que é um fenômeno que cada vez se torna popular. E é isso que a intelectualidade dominante, meio que "urubologicamente" não quer admitir.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...