quarta-feira, 11 de setembro de 2013

LOBÃO E VEJA APOIAM "FUNK OSTENTAÇÃO". E AGORA?


Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade dominante corteja o cenário do "funk ostentação" paulista como se fosse um "movimento libertário". Querendo dissolver seus conceitos neoliberais em uma retórica supostamente "militante", a intelligentzia mais badalada e dotada do mais alto grau de visibilidade, em proporção inversa à veracidade de suas ideias, ela quer fazer sua "revolução" antes que o povo faça a sua.

Daí tanta choradeira em prol do "funk" como suposto ativismo social, para evitar que as pessoas lutem por reforma agrária, moradias melhores, melhor educação, melhores salários e melhores hospitais, ou mesmo por mais passarelas, saneamento básico e energia elétrica. Ou, quando muito, subordinar todas essas causas sociais ao "funk", como se ele detivesse o copyright dessas causas todas.

O grande problema desses pregadores do "funk" é a rede de apoio que o ritmo recebe. Mr. Catra sempre foi apoiado por gente insuspeita como Lobão e Luciano Huck, que nunca esconderam seu apreço pelo funqueiro.

Certo, Lobão integrava as esquerdas médias, num tempo em que Soninha Francine não parecia a demotucana que hoje é e que Pedro Alexandre Sanches também, mas com vergonha de assumir. Mas a virada neocon do roqueiro carioca radicado em São Paulo não o fez diminuir sua admiração pelos funqueiros, antes radicalizou ainda mais essa posição.

São recentes os depoimentos de Lobão exaltando Tati Quebra-Barraco, Gaiola das Popozudas e Mr. Catra, do tempo em que ele ainda escrevia as memórias e opiniões para seu livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca. Atacando Dilma, MST, protestos de ruas etc, ele no entanto preserva seu coração, geralmente duro, mas completamente derretido pelos funqueiros.

Lobão havia usado até mesmo os argumentos que a intelligentzia costuma usar sobre o "funk", de que a discriminação que ele sofre hoje é a mesma que o samba sofreu da sociedade moralista de 1910, nessa analogia um tanto pretensiosa, tendenciosa e hipócrita a duas épocas completamente diferentes.

E os funqueiros, perdidos no seu jogo duplo entre a visibilidade na grande mídia e a reputação forjada entre os ativistas sociais, não podem se posicionar realmente a favor da regulação da mídia. No fundo, nem querem. Eles precisam dos barões da grande mídia para lhe darem visibilidade. Mas precisam do verniz "socializante" para dar a impressão de que são "mais do que um modismo de estação".

O discurso de Lobão também encaixa no "funk ostentação". Aparentemente, o "grande lobo" e cordeiro feliz do poder midiático não se pronunciou oficialmente sobre a cena paulista, mas seus argumentos e seu comportamento sugerem que, se houvesse oportunidade, Lobão estaria apoiando nomes como MC Guimé e o finado MC Daleste.

Mas quem acha que o "funk ostentação" causa pavor na grande mídia, a revista Veja, no seu suplemento São Paulo, feito no "olho do furacão", na sede da revista, fez uma reportagem que tira qualquer dúvida de como os barões da grande mídia adoram "funk", ficando felizes com a ideia de ver as periferias trocando a luta por reforma agrária pelas marchas bovinas em direção aos "bailes funk".

Veja apoiou o "funk ostentação" antes mesmo das esquerdas médias tentarem promover o ritmo, teleguiadas pela força alienígena de certos intelectuais infiltrados. Lembra o caso do tecnobrega que, oficialmente tido como "discriminado" pela grande mídia, sempre teve o apoio, no seu Estado natal, o Pará, pela poderosa oligarquia local, os Maiorana, dona do grupo O Liberal.

Por enquanto, a intelectualidade dominante tenta dizer que não tem a ver com ideologias, quando o assunto é apoiar o "funk". Mas isso não resolve o problema. Afinal, se esses intelectuais embarcam na carona dos movimentos progressistas, querer que a regulação da mídia e as reformas sociais se façam com "funk ostentação" é um contrasenso: até porque, com este ritmo, os barões da mídia dormem tranquilos.

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