segunda-feira, 9 de setembro de 2013

INTELECTUALIDADE DOMINANTE É OBRIGADA A ADMITIR DECADÊNCIA DO "FORRÓ ELETRÔNICO"


Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade dominante, "sem preconceitos" mas bastante preconceituosa, é obrigada a admitir, a contragosto, a decadência do "forró eletrônico", chamado também de forró-brega, óxente-music e "neo-forró".

A julgar pelo projeto acadêmico do cientista social Jean Henrique Costa, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, doutor em Ciências Sociais pela tese “Indústria Cultural e Forró Eletrônico no Rio Grande do Norte”, defendida em março de 2012 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o establishment acadêmico e intelectual admite a crise desse ritmo.

Não é sem choro. Choradeira é muito comum na intelectualidade que defende a bregalização do país e a subordinação do folclore ao caminho traçado pelo jabaculê. Afinal, gente como Pedro Alexandre Sanches ainda se derrete pelo "forró eletrônico", que traz uma visão etnocêntrica das elites sudestinas de um Nordeste abobalhado, ébrio, tarado e supostamente "globalizado".

Afinal, o "forró eletrônico" consiste num som sem qualquer vínculo real com a nordestinidade. Em vez de aceitar o baião, o maxixe, o coco e o maracatu como fontes para evolução, o "forró eletrônico" apenas diluiu parcialmente o baião, em primeira instância, para depois romper com ele de vez e consistir num engodo que mistura country music, disco music, merengue e acordeon gaúcho (!).

Nomes como Mastruz Com Leite (que diluiu o baião), Calcinha Preta, Aviões do Forró e Saia Rodada - que romperam totalmente com as raízes nordestinas - se tornaram alguns dos paradigmas dessa tendência, embora em sua "órbita" girem também nomes como Beto Barbosa, Frank Aguiar e Banda Calypso.

A decadência se deu porque o mercado se constituiu numa "monocultura", que contradiz os discursos de "diversidade cultural" que propiciaram seu império. Rádios ligadas ao latifúndio e ao direitismo político deram total apoio, assim como deputados e vereadores locais eram os primeiros a patrocinar as primeiras apresentações dos grupos de forró-brega.

Mas o problema não está aí. O problema é que a ascensão mercadológica do forró-brega, em primeiro momento estimulada pelo discurso intelectualoide, passou a criar problemas quando o forró-brega tornou-se hegemônico no Norte-Nordeste, monopolizando o mercado com sucessos que exaltam a infidelidade conjugal, a pornografia e a bebedeira.

Para a intelectualidade dominante, isso não era problema, mas na medida em que até mesmo as outras tendências da Música de Cabresto Brasileira são sufocadas pelo mercado do forró-brega - nem a "toda-poderosa" Ivete Sangalo consegue deter o império de "aviões", "calcinhas" e "saias" - , até mesmo a intelligentzia mais condescendente tem que reagir.

Daí a mudança de atitude da intelectualidade, em admitir a decadência do "forró eletrônico", meio com um certo ar de luto. Precisam, para preservar os dedos do brega, se livrar dos anéis do forró-brega, como tiveram que engolir a decadência do É O Tchan e, em quase silêncio, admitir a decadência do "funk carioca" que obrigou o discurso intelectualoide a mirar seu foco para o "funk ostentação".

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