segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A SONEGAÇÃO DA GLOBO E A "SÓ-NEGAÇÃO" DO COPYLEFT


Por Alexandre Figueiredo

As Organizações Globo são a mais "provocativa" corporação da grande mídia do país, seguida pelo Grupo Folha e, em larga distância de diferença, do Grupo Abril. E desde que foi divulgada a gigantesca sonegação fiscal da corporação dos irmãos Marinho, tudo se torna ainda mais "provocativo" diante do que a intelectualidade dominante pensa.

Aliás, se a Globo sonega a Receita Federal - já foi divulgada uma dívida de R$ 713 milhões - a intelectualidade dominante "só nega" seu envolvimento com o status quo midiático. Volta e meia vemos intelectuais pró-brega fingindo que atacam direitistas da moda, seja Marcelo Madureira, Ali Kamel, Eliane Cantanhede, Merval Pereira, como se os primeiros não tivessem a ver com estes.

Tem, e muito. E são ataques muito, muito ensaiados. Uma coisa é um blogueiro questionar substancialmente um texto de Merval Pereira ou uma postura reacionária de um ator da Globo. Outra é ver um intelectual pró-brega fazer ataques forçados a um Ali Kamel, a um Marcelo Tas, a um Reinaldo Azevedo, querendo impressionar os amigos com seu falso progressismo.

São comentários forçados, ensaiados. Você lê um Pedro Alexandre Sanches falando mal da grande mídia, e de cara você lê que ele não o faz com palavras próprias. Ele parece ter arrancado clichês colhidos de um Conversa Afiada. Com Eugênio Arantes Raggi, o mineiro pseudo-esquerdista que escreve como um Reinaldo Azevedo pós-Tropicalista, ocorre também a mesma coisa.

Mas o que é a falta de originalidade para quem defende a bregalização do país? Ela, que se baseia nas imitações baratas dos modismos estrangeiros, imitações baratas e tardias. É gente que defende a mediocrização cultural achando que isso vai salvar a vida do povo pobre e pensa que está sendo revolucionária pregando a derrubada do processo de direitos autorais por si só.

QUAL É A DIFERENÇA?

Portanto, qual é a diferença entre as Organizações Globo que há muito deixou de pagar mais de setecentos milhões de reais de impostos de renda, apesar da grana que acumula tanto de projetos como o Criança Esperança quanto do "bônus de volume", espécie de bonificação por veiculação de publicidade do Governo Federal, e a turma do tal "copyleft"?

O "copyleft", essa farsa que leva ao outro extremo do processo de copyright, daí o termo um tanto jocoso e tendencioso, não pensa na verdadeira flexibilização nas regras datadas e ultrapassadas de propriedade autoral, mas simplesmente prega a sua eliminação e a desregulamentação total do setor.

A mesma cantora da música "Xirley" (aquela do refrão "Eu Vou Samplear, Eu Vou Te Roubar"), Gaby Amarantos, participa de um reality show do Fantástico, da mesma Rede Globo cuja empresa é acusada de sonegação. E que prova, por A mais B, que o "abraço da mídia" no brega-popularesco não é algo oportunista ou acidental, mas uma relação de cumplicidade mesmo.

A grande mídia não divulga o brega-popularesco porque se apropriou dele ou porque esses supostos "ritmos populares" invadiram a grande mídia. Nem uma coisa, nem outra. Senão haveria tensão nos bastidores só pela presença de um Mr. Catra ou uma Joelma do Calypso em algum palco da Globo. E até hoje não houve registro qualquer de rebelião associada a esses nomes.

Mas essa intelectualidade que temos se insere no mesmo contexto do Judiciário midiatizado. Espera-se um comunicado oficial dizendo que Paulo César Araújo e Gilmar Mendes navegam juntos no mesmo barco. Araújo, aliás, defende um "padrão" de cultura popular que satisfaz aos interesses dos barões da grande mídia, e virou até "consultor" de brega das Organizações Globo.

Portanto, a sonegação da Globo não está num contexto bem diferente de uma intelectualidade que pouco se importa com a melhoria cultural do Brasil. Se há crise de valores sócio-culturais mas rola dinheiro no mercadão dito "popular", tudo está bem, é só estender os BV (os tais "bônus de volume") também para a bregalização da cultura brasileira.

Sampleagem sem crédito de fonte, hackeagem, trolagem, crédito de autoria duvidoso, fora a própria breguice que, por si só, não passa de uma linha de montagem de modismos ultrapassados, de ideias indigentes, de baixos valores sócio-culturais. Isso tudo não é diferente da sonegação fiscal da Globo. 

Os autores não veem a compensação sócio-econômica para sua obra, e quem pensa que o "copyleft" irá socializar a propriedade autoral está enganado. Pelo contrário, haverá atravessadores que, aproveitando da "flexibilização" das regras, toma para si o dinheiro que fica de fora e se torna senhor absoluto daquela "grana livre" prometida pelo tal "copyleft".

Portanto, não há diferença alguma entre o "copyleft" pregado sobretudo pelos "farofa-feiros" (o Black Bloco da intelectualidade pró-brega) e a sonegação fiscal da Globo. É a mesma ruptura de compromissos, e o "funk" e o tecnobrega possuem cadeira cativa na Globo. Mas a intelectualidade dominante só nega isso. Só nega.

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