quarta-feira, 14 de agosto de 2013

REINALDO AZEVEDO PEGA CARONA NOS PROTESTOS CONTRA O FORA DO EIXO


Por Alexandre Figueiredo

Reinaldo Azevedo, o blogueiro que, com toda sua idade e seus cabelos calvos, escreve como se fosse um troleiro - e ainda bajula o escritor Dylan Thomas, colocando uma frase deste como "cabeça" do infeliz blogue, acessível no sítio da revista Veja - , é oportunista quando o assunto se refere à oposição gratuita e caluniosa a fenômenos ligados direta ou indiretamente ao Partido dos Trabalhadores.

Depois que a Mídia Ninja e o Coletivo Fora do Eixo alimentaram sua visibilidade através de uma entrevista "segura" e "corajosa" no programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, Reinaldo decidiu pegar carona nos protestos de pessoas desiludidas com o coletivo comandado por Pablo Capilé.

A polêmica que está em torno do Coletivo Fora do Eixo é que, apesar dessa instituição ter virado aparente unanimidade nas esquerdas como uma suposta nova forma de ativismo sócio-cultural, vieram também manifestações indignadas de quem se envolveu e foi prejudicado pelo ambicioso coletivo.

E aí vieram a cineasta Beatriz Seigner, que descreveu entre outras coisas o trabalho escravo dos membros do FdE que não integram a cúpula, puxado por outros depoimentos: da jornalista Laís Bellini, do cantor de música eletrônica Daniel Peixoto e da cantora Fernanda Popsonic.

As denúncias variam do personalismo de Pablo Capilé - que contraria o aparente espírito de coletividade forjado pelo FdE - até mesmo a retenção de dinheiro, estelionato e o não repasse de dinheiro e créditos para os produtores artísticos a princípio associados ao coletivo.

Beatriz, diretora do filme Bollywood Dream - O Sonho Bollywoodiano, no seu longo texto e nas suas muitas denúncias, citou até mesmo que Pablo Capilé teria dito que "artistas não mereciam pagamento, e que os mesmos eram apenas 'dutos', 'os canos por onde passam o esgoto'". O coletivo se limita a lançar um cartão virtual chamado Cubo Card, supostamente para remunerar os artistas associados.

Além disso, a cineasta comentou também que ouviu Capilé dizer que ver filmes é "perda de tempo" e que os grandes clássicos da literatura são "tecnologia ultrapassada", visões aberrantes para quem se autopromove como o "novo paradigma do verdadeiro ativismo sócio-cultural do país".

Evidentemente, Veja superestima o fato de que o Coletivo Fora do Eixo recebe verbas públicas do Governo Federal através do apoio estatal, partidário e empresarial ligado ao PT (apelidado pejorativamente por Azevedo e seu afim Diogo Mainardi - hoje no Manhattan Connection da Globo News - como "petralhas").

Como revista que prega a iniciativa privada, Veja não descreve um só ponto da influência que o magnata George Soros, conhecido por cooptar e domesticar movimentos ativistas no mundo inteiro, estaria investindo também no Coletivo Fora do Eixo, que explicitamente defende ideias de "novas mídias" originárias do "negócio aberto" da Soros Open Society.

Evidentemente, Reinaldo Azevedo aparece como o "bom moço" da empreitada. "Fiquei sabendo que a turma do Fora do Eixo está brava comigo. Que pena!", ironizou o pit-bull de Veja. De repente, seu QI de arauto dos senhores de engenho o fez condenar a escravidão, como se Reinaldo tivesse alguma visão solidária com a sociedade.

Reinaldo pensa ser o herói que enfrenta a "seita totalitária" do FdE. Mas acaba criando um maniqueísmo muito prejudicial no combate ideológico que atinge o Brasil. Já não bastou a Mídia Ninja desviar o foco das manifestações populares, agora submetendo o ativismo popular brasileiro à marca Fora do Eixo?

A atitude de Reinaldo não garante a solidariedade dos desiludidos com o FdE. A própria Laís Bellini havia descrito, no seu texto, ironizando o fato de Laís ter dito que detesta ele. Escreve ela:

"(…) espero eu que pessoas como Reinando Azevedo, um dos caras que mais me enojam na grande mídia, não venha considerar que quem está descrevendo aqui sua experiência tem alguma coisa a ver com seus ideais… pelo contrário."

Pelo menos Reinaldo Azevedo admite que "não tem turma", faz parte do "bloco do eu sozinho" e que "regojiza" que as pessoas odeiem ele. E fica feliz por não se comparar com Pablo Capilé, que quer que todos adulem ele.

Todavia, o risco de maniqueísmo existe. De um lado, o "bem" ou o "mal" de Reinaldo Azevedo, ora o pit-bull de Veja, ora o "cavaleiro solitário" dos descontentes com o petismo. De outro, Pablo Capilé, o líder da "seita totalitária" ou o "novo herói" do corporativismo petista.

No embate ideológico entre "tucanalhas" e "petralhas", o Brasil perde seu eixo, deixando de lutar pelas causas sociais e pelo seu desenvolvimento, desviando o foco de suas manifestações com a polêmica de um grupo supostamente vanguardista que se compromete, na verdade, com a cooptação dos movimentos sociais e da produção cultural e prega visões tecnocráticas para a cultura e a tecnologia.

E, com todo o seu reacionarismo contra o Fora do Eixo, Reinaldo Azevedo, até pela reputação que possui, acaba sendo o maior propagandista do coletivo. No fim Pablo Capilé vai acabar agradecendo muito ao pit-bull de Veja pela propaganda indireta que este fez ao FdE.

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