quarta-feira, 21 de agosto de 2013

RAFUCKO E O PRECONCEITO "SEM PRECONCEITOS" DO "FUNK"


Por Alexandre Figueiredo

O vlogger, humorista e dublê de ativista social Rafucko havia feito um vídeo em defesa do "funk carioca", a pretexto de criticar a jornalista Raquel Shererazade e uma tese que questionava o suposto feminismo das funqueiras.

Ele julgou as duas críticas ao "funk" de superficiais e preconceituosas e repetiu a mesma choradeira politicamente correta em prol do estilo: "não somos obrigados a gostar, mas somos obrigados a aceitar, porque o povo gosta (sic)".

Sempre a mesma apologia ao "mau gosto", que mostra a completa desinformação do humorista, em perfeita sintonia ao contexto do lobby funqueiro num país em que Luciano Huck é considerado "bom moço" e a Academia Brasileira de Letras tem Merval Pereira numa de suas cadeiras.

Na verdade, o que se vê é o puro PRECONCEITO, em letras garrafais, vindos não dos que questionam o "funk", mas daqueles que aceitam e que juram de pés juntos que são "despidos de qualquer preconceito".

Quando muita gente se preocupa demais em dizer ser alguma coisa, é porque na verdade não possui tal qualidade. Se vemos pessoas paranoicas e desesperadas em se afirmarem "sem preconceitos", é porque elas escondem os piores preconceitos, de um elitismo ainda mais cruel.

Daí que essas pessoas, sejam intelectuais, artistas, celebridades ou ativistas, apoiam o "funk carioca" a título de estarem "despidas de preconceitos", na verdade possuem preconceitos cada vez piores na medida em que procuram defender uma imagem estereotipada do povo pobre trabalhada pelo "funk".

Além disso, numa sociedade midiatizada em que vivemos, discutir a questão do "gosto" torna-se inútil, na medida em que o gosto é resultante de mecanismos de persuasão da grande mídia e do mercado publicitário, que impõem falsas necessidades, falsos desejos, falsas apreciações.

Daí não haver qualquer sentido nos argumentos de defesa do "funk carioca". Parece conversa de pais retrógrados empurrando remédio amargo para os filhos. E o discurso de que "não é preciso gostar" é apenas a primeira etapa de uma persuasão que força as pessoas esclarecidas a "aceitar" o "funk", num proselitismo de fazer Silas Malafaia ficar de queixo caído.

Pois nessa manobra discursiva, o "funk" não fica restrito aos seus espaços suburbanos. A "aceitação" acaba consentindo o avanço do "funk" nos condomínios de classe média, nos prédios de luxo, nos pátios universitários, e assim vai avançando a obsessão totalitária do "funk".

Daqui a pouco vamos ter que aceitar um MC ou uma "mulher-fruta" morando em nossas casas, se quisermos ser vistos pelos "bacanas" como pessoas "desprovidas de qualquer tipo de preconceito". O discurso funqueiro, a pretexto de querer preservar seus espaços, na verdade busca ampliá-los de forma totalitária.

Mas infelizmente somos tomados de mediocridade que atinge até mesmo intelectuais e ativistas. É o Brasil dos juristas-pop como Roberto Gurgel, Gilmar Mendes e outros, que aos poucos vão fazendo suas aposentadorias sob o apoio da mesma Globo que favorece Joaquim Barbosa e tem Luciano Huck, o maior divulgador do "funk" do país, como contratado.

E a defesa do "funk" ainda é vista como "causa progressista", apesar do evidente e explícito apoio de Huck, de Lobão, de Marcelo Tas, Gilberto Dimenstein, William Waack, Nelson Motta e Ana Maria Braga. E ainda insistem em dizer que o "funk", com tantas vezes apoiado pelas Organizações Globo e pela Folha de São Paulo, continua "à margem" da grande mídia.

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