segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O MACHISMO SUPOSTAMENTE "FEMINISTA" DAS MULHERES-OBJETOS

ALGUMAS DAS "BOAZUDAS" POSSUEM UM HOMEM POR TRÁS - O empresário e assessor Cacau Oliver.

Por Alexandre Figueiredo

Nicole Bahls, Andressa Urach e Geisy Arruda não dependem de homem para serem famosas, certo? Errado. Contrariando mitos consagrados pela "unânime" intelectualidade dominante, essas musas, pelo menos, possuem um único homem por trás delas: o jornalista Cacau Oliver, que atua também como empresário e assessor dessas "musas".

Ele havia se tornado famoso depois do incidente em que Andressa Urach foi expulsa de uma escola de samba por não cumprir os compromissos dos ensaios. E, a exemplo de outros - DJ Marlboro e Cal Adan também investem em "boazudas" - , manobra suas "clientes" para se tornarem notícias às custas de "sensualizações" banais e de factoides tolos.

É o "mundo" das subcelebridades no Brasil, que chegou a ser alimentado por centenas e centenas de "musas" que apenas mostravam o corpo. Nada tinham a dizer, ou, quando diziam, falavam bobagens constrangedoras.

Chegou-se a uma época em que centenas e centenas de sub-musas apareciam. E vinham de diversas "fontes": Big Brother Brasil, "funk carioca", clubes de futebol, revistas "sensuais", Pânico na TV, programas de auditório, grupos de "pagodão" e por aí vai.

Pior: as mais veteranas não se aposentavam e novas e novas sub-musas apareciam, e o "mercado" ficou inflacionado por musas siliconadas que apenas "sensualizavam". Era uma "mostrando demais" numa festa, outra deixando o vestido cair e mostrar o decote, outra de biquíni na praia, outra de vestido apertado etc.

Havia até "musas" que usavam roupas curtas em dia de frio, sem medir escrúpulos para se expor demais e sem qualquer cuidado em se prevenir contra doenças como a pneumonia, que poderiam levar algum desprevenido à morte.

O "mercado" da vulgaridade feminina anda em crise, mas gerou também defensores fanáticos que iam de troleiros na Internet, que xingavam de "bichas" os que contestavam essas "popozudas", "mulheres-frutas" e congêneres, até mulheres cineastas que, pasmem, atribuíam a essas sub-musas uma suposta forma de feminismo.

A crise, no entanto, ocorre e se deve aos novos tempos. Hoje uma mulher não se afirma por ser objeto sexual, isso é apenas um atrativo complementar que torna-se interessante em mulheres que sabem se afirmar por outras qualidades relativas ao talento e à inteligência, mas que se torna repulsivo com mulheres que nada tem a mostrar ou a dizer.

A vulgaridade feminina é um dos resíduos de valores culturais retrógrados difundidos pela grande mídia em declínio, mas que são defendidos por uma desesperada intelectualidade dominante infiltrada em cenários progressistas.

Tenta a intelectualidade dominante definir a vulgaridade feminina como uma forma "divertida" de expressão feminista, a pretexto delas não aparecerem nos circuitos da fama na companhia de homens nem aparentemente dependerem deles para se sustentarem na vida. É um discurso oco, duvidoso, mas que arrancou muitos aplausos em plateias diversas.

ATÉ O ESTADO CIVIL É MANIPULADO

Mas isso não resolveu a crise nem afastou a sombra dos velhos valores machistas aos quais se associam essas sub-musas. A influência de seus empresários-assessores e empresários-produtores é tanta que até mesmo o estado civil das sub-musas é manipulado para não prejudicar a imagem de "desejadas" pelos fãs.

Há o caso da ex-dançarina do É O Tchan, Scheila Carvalho - recentemente envolvida num suposto episódio de traição do marido Tony Salles, que, ao que tudo indica, não passa de factoide para realimentar a fama do casal - , que em 2011 admitiu que estava há dez anos casada com o cantor baiano, ex-colega dela no grupo.

No entanto, é só verificar a imprensa popularesca entre 2001 e 2006 - época dos cinco primeiros anos de casada da dançarina - que se verá que, por imposição de Cal Adan, Scheila teria escondido a relação com Salles à imprensa, enquanto tinha que passar por "solteiríssima" em diversas reportagens nas revistas e jornais, além da Internet.

Hoje o que se vê são algumas funqueiras vendendo a falsa imagem de "solteiríssimas" - incluindo declarações tolas como "só transo com vibrador" e "só sou paquerada pelo meu afilhado" - , enquanto vivem, nos bastidores, vida de mulheres bem casadas.

Espertos, os empresários dessas funqueiras dão uma boa indenização para aliviar o ciúme dos maridos diante dos rebolados das esposas, jogando esses homens para viverem bem longe de suas mulheres, em residências de muito conforto enquanto elas fazem toda uma encenação sendo "agarradas" por roadies ou figurantes arranjados pela produção que se disfarçam de fãs.

A vulgaridade feminina afetava sobretudo a vida das moças pobres no país. Mesmo que várias delas veja nas "boazudas" figuras pitorescas, elas eram induzidas pela persuasão midiática para reconhecê-las como "ideal de sucesso" e "alternativa viável de afirmação feminina".

Em que pese o suposto feminismo a elas atribuído, pasmem, até por mulheres de classe média alta envolvidas em ativismo e produção cultural, o machismo torna-se evidente, até pelo público-alvo predominante dessas sub-musas, homens sem qualquer instrução e dotados ainda de um comportamento rude e grosseiro.

As tentativas de dissociar as sub-musas a esse público machista foram em vão. Os homens diferenciados e, não necessariamente, ligados ao status quo masculino, não apreciam sub-musas. Até porque tais homens, geralmente melhor instruídos, não cairiam na pegadinha de valorizar mulheres-objetos que não significam mais do que depósitos de bolsas de silicones.

Os valores se transformam e esse machismo recreativo perde espaço. Dos portais da Internet, apenas o portal Ego, das Organizações Globo (logo quem!), mantém as sub-musas em alta. Mas tudo isso se torna cansativo, repetitivo e constrangedor. É a "cultura popular" servida pelo poderio midiático que decai completamente.

E não serão documentários e monografias ambiciosamente produzidos para salvar a vulgaridade feminina sob "outros olhares" que irão salvá-la. Pelo contrário, mais uma vez a intelligentzia e seu espetáculo dos "coitadinhos" cai mais no ridículo ao defender a supremacia do "mau gosto" no gosto popular.

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