quinta-feira, 15 de agosto de 2013

JORNAL NACIONAL EM QUEDA LIVRE DE AUDIÊNCIA



Por Alexandre Figueiredo

O outrora mais influente telejornal da televisão brasileira, o Jornal Nacional da Rede Globo, já sofre um inferno astral há um bom tempo. Se, em relação a 2000, sua audiência atual corresponde a um terço do outro ano, em relação aos tempos de supremacia a situação do programa é humilhante.

Em 2000, a audiência do programa televisivo era de 39,2% segundo o Ibope - pelo menos com base nas residências da Grande São Paulo - e, atualmente, a audiência gira em torno de 26,3%. É verdade que dados de audiência são discutíveis, mas talvez haja maior crédito na televisão que no rádio. Mesmo assim, é notória a decadência do Jornal Nacional nos últimos anos.

Segundo pesquisas, a decadência do Jornal Nacional não reflete a decadência de aparelhos de televisão ligados. Pelo contrário, os aparelhos de televisão continuam tão ligados quanto antes e até mais, e faz mais sentido dizer que a "Rádio Globo AM" FM (89,3 mhz) é que está sendo linchada em praça pública pelo Ibope televisivo, já que "Aemão em FM", para a maioria das pessoas, é um tédio.

Os espectadores de televisão preferem ver outras coisas, e a migração para a TV paga é uma tendência crescente que reflete também nas emissoras concorrentes da TV aberta. Reconheçamos, a TV aberta está velha, esclerosada, apostando numa vulgaridade viciada que não condiz mais à realidade, mesmo em tempos de intelectualidade desesperada tentando salvar a "cultura" brega.

O Jornal Nacional era a expressão máxima do conservadorismo ideológico da Rede Globo. Nos últimos anos, a Globo flexibilizou seus métodos, perseguindo a linha popularesca das concorrentes e combinando com a aparente sofisticação técnica.

Daí que a Globo praticamente inventou a "MPB de mentirinha" dos neo-bregas dos anos 90 (Alexandre Pires, Zezé di Camargo & Luciano, Belo etc). E construiu todo um falso consenso para o "funk carioca" que as esquerdas médias tentam vincular para si, tentando argumentar, em vão, que o ritmo "sempre esteve à margem da grande mídia".

O Jornal Nacional é conhecido pelo seu conteúdo ser muito mais ficção do que as próprias novelas da Globo. Não que elas sejam o primor de realismo sociológico, mas o Jornal Nacional chega ao ponto do ridículo de construir notícias como se fossem peças de ficção. Durante a ditadura, o JN ainda mostrava notícias ruins de outros países e contrapunha com "boas notícias" de nosso país.

Nem precisamos dizer das fraudes editoriais do JN, mas a fase mais dura do telejornal ocorre agora, com a mão-de-ferro do diretor de jornalismo Ali Kamel, que se autopromove mandando processos judiciais por causas mesquinhas. E isso tornou o ruim pior, sendo o Jornal Nacional de hoje velho, fora da realidade, datado, sem dinamismo e sem interação com os fatos em tempo real.

Devido à influência de Ali Kamel, o êxodo de jornalistas do JN foi expressivo. Nos últimos 12 anos, centenas de profissionais, seja Luiz Carlos Azenha, Adriana Araújo, Heloísa Villela, Marco Aurélio Mello, Rodrigo Vianna e tantos outros, sentiram o peso de trabalhar num noticiário manipulador e sem compromisso com a realidade.

Se nos tempos da "redentora" (como se chamava jocosamente a ditadura militar), ser jornalista na Globo era um trabalho sem compromisso necessariamente com a sociedade, nos tempos de Kamel, apesar dos tempos democráticos em que vivemos, a coisa piorou de vez. Porque na ditadura, pelo menos havia um contexto para fazer um noticiário faccioso, mas hoje não.

Daí a decadência que o Jornal Nacional sofre, sobretudo quando vemos que a Internet oferece uma gama muito maior e mais abrangente de informações. A TV paga pode até ser inferior, em muitos aspectos da programação, até ao que a TV aberta era na primeira metade dos anos 60, mas ela pelo menos está num patamar em que a TV aberta tinha em meados dos anos 80.

Não há como ver um Jornal Nacional ao mesmo tempo meloso, narcisista, faccioso, reacionário e piegas. Mesmo com a beleza sexy de Patrícia Poeta. O noticiário velho, sem vida, ultrapassado, sem dinamismo, e ainda mais sob a conduta autoritária de Ali Kamel, que molda as notícias conforme seus interesses e os da cúpula (os irmãos Marinho, claro), afasta cada vez mais espectadores.

Um em cada três brasileiros deixou de ver o Jornal Nacional. Que chegará aos 45 anos sem ter que comemorar, já que fará trocadilhos com o número 45 e repetirá o "mico" de 2010, quando a Globo não conseguiu esconder que torcia pela vitória eleitoral do PSDB. A festa do JN será tímida, e, talvez, com uma audiência ainda menor que a deste ano.

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