segunda-feira, 12 de agosto de 2013

FORA DO EIXO NÃO QUER REGULAÇÃO DA MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

O Coletivo Fora do Eixo usou o grupo Mídia Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) como sua grande campanha publicitária. Vendendo a MN, grupo "surgido" das manifestações e da (tendenciosa?) provocação à polícia - o que rendeu comparações ao internacional Black Bloc - , como arauto das "novas mídias" e do "novo jornalismo", os FdE alimentaram sua visibilidade a partir disso.

De repente a rapaziada que recebe mesada do bilionário George Soros - em quantia bem maior do que as verbas assumidamente atribuídas ao financiamento da máquina político-empresarial do PT - tornou-se o paradigma da "nova mídia", a partir de uma aparentemente segura e desenvolta entrevista dada aos "estarrecidos" jornalistas da velha mídia que participaram do programa Roda Viva (TV Cultura).

Virando unanimidade nas esquerdas médias, e seduzindo até mesmo as esquerdas nem tão médias assim, a Mídia Ninja, juntamente com seu braço-matriz, o Coletivo Fora do Eixo, passou a levantar bandeiras supostamente pela "democratização da mídia" e contra o PSDB e os barões midiáticos, sem assumir que até eles ajudaram historicamente na ascensão do grupo e do coletivo.

Vários nomes engajados no FdE são ligados à grande mídia. Já se falou de Pedro Alexandre Sanches, influenciado por Fernando Henrique Cardoso, pela Folha de São Paulo e pela Rede Globo. Mas tem Bruno Torturra, que teve passagem na produção de Esquenta (Rede Globo). Tem Carlos Eduardo Miranda, que está na Rede Record. Gaby Amarantos, Emicida e Criolo cortejados até por Caras e Veja.

O próprio Roda Viva, no contexto de uma TV Cultura dominada politicamente pelo PSDB, faz parte desse cenário. Mas aí a MN e o FdE vão dizer que utilizam "métodos de confronto". O mesmo argumento que a intelectualidade associada usou para a Banda Calypso, quando foi para a Globo abraçar até mesmo Luciano Huck e Marcelo Madureira.

Todo mundo achava que a Banda Calypso, queridinha das esquerdas médias e tida como "precursora" do tecnobrega, era um grupo (apesar da imagem se concentrar apenas ao casal Joelma & Chimbinha) "libertário". Aí veio o surto homofóbico de Joelma e deu no que deu.

Aí os "fora do eixo" passaram a "defender" a democratização da mídia, dentro daquelas ideias um tanto confusas, mas altamente sedutoras, de "novas mídias digitais". E que na prática atribuem o poder transformador mais às novas tecnologias em si do que na condição de instrumentos para a mobilização humana.

No entanto, não se trata de uma verdadeira mobilização pela democratização da mídia, mas pela substituição de uma "grande mídia" por outra. A julgar pelo poder concentrador de Pablo Capilé, e pelo consentimento que seus miliantes têm pela "indústria cultural" - sobretudo "funk" (agora com o foco no "funk ostentação" paulista) e tecnobrega - , eles não querem regulação midiática pra valer.

Além disso, embora o FdE se fale em "microfones abertos" e na formação de "redes" de iniciativas sociais, seus métodos são corporativistas e baseados nos interesses de sua cúpula, em prejuízo de muitas organizações que a princípio se associam ao coletivo e são deixadas à própria sorte, sem poder decidir nem ter sua voz.

Os pontos de vista do Fora do Eixo são tecnocráticos, midiáticos, e mesmo ideias relacionadas à cultura popular e à informática o coletivo se inspira abertamente em conceitos e preconceitos veiculados pela grande mídia que o coletivo julga ser seu "contraponto".

Toda a grande mídia adorou o tecnobrega. Dos barões da mídia do Pará aos editores de Veja. De William Waack a Luciano Huck. A Veja adorou o "funk ostentação". Gaby Amarantos, Emicida e Criolo circulam na grande mídia sem oferecer ameaça. As "novas mídias digitais", tal como prega os FdE, são defendidas até por Carlos Alberto di Franco, do Estadão e ligado à mesma Opus Dei a que está vinculado o governador paulista Geraldo Alckmin.

Talvez a única preocupação que se faça sentido aos FdE está em protestar apenas contra a ala "mais intolerante" da grande mídia, aquela que não defende sequer a domesticação paternalista das classes populares. Gente como Reinaldo Azevedo, Merval Pereira e Augusto Nunes.

No entanto, quem é que entrará no lugar? Uma turma "libertária" que apenas defende ideias que fundem conceitos de livre mercado com comércio clandestino e mercado informal? Se é assim que se terá a "democratização da mídia", então algo está errado. Já não basta o uso que os barões da mídia e seus porta-vozes fazem da palavra "democracia"...

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