sexta-feira, 19 de julho de 2013

ÚLTIMA GERAÇÃO DO BREGA É BEM "SORVETE NA TESTA"


Por Alexandre Figueiredo

A cada dia, a música brega desce a um nível abaixo da indigência musical. A "ditabranda do mau gosto", que deslumbra a intelectualidade dominante, num país em que a Academia Brasileira de Letras tem um Merval Pereira e Joaquim Barbosa preside o STF de mãos dadas com a Rede Globo, a cada dia perde até mesmo a antiga verossimilhança.

As últimas gerações do brega, passado o complexo de superioridade dos neo-bregas e o pretensiosismo pseudo-cult dos pós-bregas, demonstram cada vez mais que o negócio mesmo é o hit-parade, num recado curto e grosso para a opinião pública, mostrando que o negócio do brega brasileiro é o "sorvete na testa" do comercialismo mais rasteiro.

Gusttavo Lima, Michel Teló, MC Federado e Os Lelekes, Israel Novaes, MC Anitta, MC Naldo Benny, João Lucas e Marcelo, Sambô, MC Koringa, Black Style e tantos outros representam a geração brega que leva o comercialismo até às últimas consequências.

Só a cantora MC Anitta já produziu factoides e frivolidades num processo típico dos astros pop mais comerciais dos EUA. Sua carreira mostra-se claramente calculada, tanto em estratégia de publicidade, quanto na produção de factoides, mostrando um comercialismo não só explícito, mas gritante, sem qualquer valor cultural.

Num país ainda à procura de uma nova Sílvia Telles, a funqueira MC Anitta, arroz-de-festa da grande mídia, mais parece um ídolo que o mercado brasileiro montou não só para compensar a debandada de Kelly Key (hoje transformada em cantora infanto-juvenil) e MC Perlla (que virou evangélica), mas para competir com ícones estrangeiros do pop comercial, como Britney Spears.

Na música brega, o comercialismo sempre foi sua meta e o hit-parade sempre foi a finalidade de seu mercado. Deixemos de lado as chorosas alegações de "cultura das periferias", "expressão do povo pobre" e falsas alegações de que o mercado e a grande mídia "morreram" no Brasil, porque o discurso pretensioso de tentar elevar o brega ao status de "arte séria" não passou de conversa para boi dormir.

Todavia, até algum tempo atrás o brega pelo menos conseguia enganar com seu pretensiosismo "artístico", que poderia até ser falso, rudimentar e risível, às vezes até constrangedor, mas pelo menos garantia uma verossimilhança suficiente para garantir a choradeira intelectual dissolvida até mesmo em monografias universitárias e filmes documentários.

Até mesmo a pseudo-sofisticação dos neo-bregas dos anos 90, gente que começou fazendo os mais toscos sucessos do "pagode romântico" e da "música sertaneja", parecia quase convincente com um aparato de "MPB de mentirinha", já que são artistas que as grandes gravadoras (e a Rede Globo) escolheram para substituir os artistas de MPB que, cansados de serem explorados pela indústria fonográfica, romperam contrato com as "grandes irmãs".

Hoje, porém, não há mais aquele simulacro de poesia do brega setentista que, ao menos, servia para enfeitar para-choques de caminhões, nem aquele pseudo-lirismo que o "pagode romântico" e o "sertanejo" dos anos 90 forjavam, mas refrões do tipo "Ai se eu te pego" e "Eu também te quero mais". Fora os "tchu-tchás" e "lelekes" que pipocam por aí.

A atual geração do brega-popularesco radicaliza e leva às últimas consequências todo o comercialismo e a mediocrização cultural que sempre estiveram associados ao brega, desde seus primórdios e mesmo nas suas aventuras "mais culturais". Com a geração atual,  as antigas sutilezas que davam algum verniz "um pouco mais artístico" ao brega foram derrubadas de vez. Agora é marketing puro, nu e cru.

Mesmo em relação a grupos "ambiciosos" como o Sambô - que combina o sambrega com o "roquinho" da UOL 89 FM - , a atitude "sorvete na testa" se dá quando o grupo, com seu inglês "superamericano" da linha "the book is on the table", interpreta de forma sorridente a canção "Sunday Bloody Sunday", do U2, de temática fortemente trágica.

Portanto, fica muito difícil, conforme dissemos outrora, forjar uma imagem de "libertária" a essa última geração de bregas, cuja superficialidade os faz próximos a banalidades como Justin Bieber e Britney Spears. Ou que remetem a mediocridades do porte de Latino, Leva Nóis e outros que nem para seduzir antropólogos e cineastas conseguem fazer.

O brega dos últimos anos está comercial demais para que as elites pensantes fiquem perdendo tempo criando teorias "heroicas" e delírios "modernista-libertários" sobre esses ídolos. Se no brega anterior, isso já não era convincente, o de hoje já nem dá para disfarçar. Virou mercadoria mesmo. Sorvete para se consumir geladinho na testa dos incautos.

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