segunda-feira, 22 de julho de 2013

REDE GLOBO ABRE "GUERRA" CONTRA PROTESTOS


Por Alexandre Figueiredo

Depois de uma quase "lua-de-mel" com os protestos populares, que não passava de uma tentativa de embarcar nos movimentos, a  Rede Globo voltou a condenar as manifestações, depois que se intensificaram os protestos específicos contra as Organizações Globo, que incluíram passeatas em frente à sede da emissora e de suas afiliadas e até mesmo um ataque de vandalismo numa portaria de um prédio administrativo da emissora.

Acuada, e com a reputação ferida pelas denúncias do blogueiro Miguel do Rosário, de O Cafezinho, que divulgou documentos indicando sonegação fiscal cometida pela corporação dos irmãos Marinho, a Globo se encontra numa situação tão complicada que o jornalista Carlos Tramontina, apresentador do SP-TV, noticiário local da TV Globo paulistana, teve que noticiar com "imparcialidade" e à luz de raio verde um protesto contra a Globo realizado na capital paulista.

Os atos contra um prédio administrativo da Globo foram o prato cheio para os noticiários das emissoras ligadas às Organizações Globo, que enfatizaram a agressividade dessa minoria que nada tem a ver com a multidão que protesta nas ruas por melhorias sociais.

A enfatização dos protestos também enfocou ataques a lojas e outros estabelecimentos próximos, no Leblon, Zona Sul carioca, onde fica o prédio administrativo da Globo. Policiais reprimiram com gás lacrimogêneo. Aparentemente, a cobertura parece "imparcial", mas o modo que as coberturas destacavam os incidentes mostra um certo "revanchismo" da Globo contra os ataques sofridos em sua sede administrativa.




Outro motivo para essa reação teria sido uma manifestação na sede do jornal O Globo em que a placa do nome da rua Irineu Marinho foi substituída por uma placa em estética semelhante que, em tom de paródia, se chamava rua Leonel Brizola. Era uma alusão ao falecido político que, nos anos 80, era conhecido pela sua postura de protesto contra a emissora, resultante da vocação nacionalista de esquerda conhecida desde a década de 1960.

Com isso, a postura antimanifestações da Globo só cedeu terreno nos últimos dias, porque a emissora se concentra na cobertura da Jornada Mundial da Juventude, a ocorrer esta semana, pela própria relevância turístico-religiosa do evento internacional a ser realizado no Rio de Janeiro. Foi apenas um refresco diante da fúria da emissora contra os protestos.

Na semana passada, até a TV Bandeirantes enfatizou os vandalismos, num malabarismo discursivo igual ao da Globo em que, sem renegar a existência dos protestos pacíficos, os "minimiza" e "domestica" enquanto "agiganta" os atos violentos das minorias que só querem confusão.

É a psicologia do medo, ou a "cultura do medo", que tenta intimidar a população, desviar o foco das manifestações populares e garantir o poderio político-midiático que tranquiliza as elites. O que mostra que o poderio midiático, com seu espetáculo de informação e entretenimento, tenta confundir interesses privados e interesses públicos, um problema que seria resolvido com uma justa e eficiente regulação democrática da mídia.

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