terça-feira, 9 de julho de 2013

OS "MASCATES CULTURAIS" DA GLOBO E DA FOLHA


Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade dominante, aquela que acredita no jabaculê como o futuro da cultura popular brasileira, tenta vender seu "peixe" para os movimentos progressistas, protegidos pelos pretextos do "popular" e do "pobre", como se ser "popular e pobre" necessariamente indicasse algum tipo de "progresso social". Tentam fazer proselitismo nas esquerdas, mas são apenas "mascates culturais" a serviço de padrões difundidos pelas Organizações Globo e Folha de São Paulo.

Sabemos que isso é papo furado e que a intelectualidade dominante de hoje está na verdade preocupada na manutenção da pobreza e da miséria culturais por questões duvidosas sobre "gosto popular". O discurso ao mesmo tempo choroso e persuasivo em torno da supremacia do "mau gosto", tenta creditar à "cultura de massa" brasileira, meramente mercadológica, a uma suposta missão libertária que nem em sonhos existe.

Por que eles estabelecem essa defesa à hegemonia do "mau gosto"? Por que essa preocupação em dizer que o brega-popularesco é uma "rebelião popular", lançando mão inclusive de monografias, documentários e um farto material discursivo bastante sofisticado, quando eles poderiam questionar as contradições e conflitos existentes por trás dessa suposta "cultura popular" claramente midiática e mercantilista?

Por que eles não questionam, por exemplo, os mecanismos que estão por trás da "cultura" brega e seus derivados? Por que, depois de tantos anos, eles não conseguem admitir qualquer tipo de engrenagem associada ao comercialismo que corrompe os valores culturais? Por que nenhum questionamento sobre as manobras ideológicas por trás? Se não analisarmos as armadilhas discursivas desses intelectuais, tudo permanece sem respostas. Aliás, não há respostas oficiais e definitivas para isso.

Além disso, é estranho que esses intelectuais menosprezam as concessões políticas feitas pelo então presidente da República José Sarney e seu ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, ambos grandes oligarcas nordestinos, nos anos 80. Foi essa farra de concessões, verdadeiros apadrinhamentos político-empresariais, que favoreceu a veiculação de uma suposta "cultura popular" que se tornou hegemônica nos anos 90 e persiste até hoje.

Não há como escapar disso. Muitos dos ritmos que "expressam a realidade das periferias" foi favorecido porque emissoras de rádio e TV e jornais, controlados por poderosos grupos oligárquicos regionais, os patrocinaram decisivamente. O público, que aparece como "protagonista" do processo segundo o discurso intelectual de hoje, no entanto nunca foi mais como mero objeto de um simulacro de "folclore" promovido diretamente pelo poder oligárquico.

Isso é fato, porque a cultura do povo pobre antes era de excelente qualidade, mas todo o patrimônio construído através das antigas expressões culturais dos subúrbios, dos sertões e roças hoje é tido como "elitista", como se somente especialistas universitários de classe média alta fossem capaz de fazer o que um simples analfabeto fazia outrora.

Todo um rol de mentiras é feito pela intelectualidade dominante, que tenta afirmar um "vínculo cultural comunitário" que o poder midiático fez deixar de existir. Hoje a cultura das classes populares, subordinada aos mecanismos do mercado e da grande mídia, é vista pela intelectualidade dominante como se continuasse aquela espontaneidade de outros folclores. Seu vínculo social agora é subordinado ao rádio, mas a intelectualidade ainda diz que se tratam de "velhos vínculos sociais".

Assim, juntam-se abordagens científicas com apelos publicitários, já que a intelectualidade dominante que defende a bregalização do país se aproveita da ignorância geral, da overdose de informações que desestimula a reflexão crítica e expõe pontos de vista duvidosos apoiados nos pretextos do "pobre" e do "popular".

Assim, eles garantem a permanência do sucesso comercial dos ídolos popularescos envolvidos, sob o falso rótulo de "cultura popular", enquanto o povo se submete a modismos e valores duvidosos sem saber realmente do que isso se trata. O povo torna-se apenas uma "coisa", um "gado", para o poder midiático-mercadológico. As periferias consomem o "mau gosto" e a "baixa cultura" que os detentores do poder político e econômico impuseram à cultura popular, enfraquecendo-a.

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