sábado, 6 de julho de 2013

MÃE SOLTEIRA É TAREFA DIFÍCIL PARA MULHERES POBRES

SOLTEIRA, A ATRIZ KATIE HOLMES TEM TEMPO E DINHEIRO DE SOBRA PARA INVESTIR E CUIDAR DE SUA FILHA. AS MULHERES DA PERIFERIA, NÃO.

Por Alexandre Figueiredo

A grande mídia, quando prega a tal "liberdade amorosa" das mulheres das periferias, está cometendo um sério equívoco, que não se resolve com justificativas preciosistas lançadas até em documentários e monografias festejados.

Afinal, quando prega nas classes populares a "recomendação" das "novas estruturas familiares", com ênfase nas mães solteiras, a grande mídia e sua intelectualidade associada está sobrecarregando as mulheres pobres, várias delas com muitos filhos, a fazer muito com pouco.

No discurso retórico habilidoso, onde ideias de validade discutível tentam submeter a si o jugo dos fatos, é muito fácil dizer para as mulheres pobres que ser mãe solteira é "o máximo" e que se constitui num elemento moderno da sociedade contemporânea.

No entanto, sabe-se que a coisa não é tão fácil assim e, nas famílias pobres lideradas por mães sem maridos, é evidente a sobrecarga de tarefas e missões que quase sempre encontram dificuldades de garantir uma boa qualidade de vida que possa garantir a satisfação básica e o fortalecimento da autoestima das crianças que ela cuida.

Há exceções, mas o que se vê com frequência é a dificuldade de mulheres pobres segurarem sozinhas os desafios de criar filhos e garantir seus sustentos. Precisam trabalhar para ter uma renda que garanta a sobrevida de toda a família. Sobrecarregadas, acabam jogando alguns filhos mais crescidos para o subemprego, só para acrescentar renda.

Na afeição, também fica complicado. Se nas famílias ricas com muitos filhos a desigual atenção dos pais pode sujeitar rivalidades entre irmãos ou no desprezo secreto dos filhos aos pais, nas famílias pobres, com baixa renda e escolaridade precária ou nula, isso pode haver de forma ainda piorada.

A grande mídia "popular" acha o maior barato haver mulheres pobres e solteiras, e existe até mesmo uma "indústria" da vulgaridade feminina que empurra suas "musas" para serem "solteiras", não apenas para manter a imagem "sensual" para os fãs, mas também para simbolizar um "ideal de vida" para as jovens mulheres das periferias.

Essa "indústria" de "objetos sexuais" dotados de silicone e anabolizantes fez até mesmo criar "musas" dotadas de relações-relâmpago, com namoros de três horas, casamentos de três meses ou paqueras que prometem muito no amor e nada se cumpre. Sem falar de algumas "boazudas", algumas ligadas ao "funk carioca", que precisam esconder seus maridos e namorados para não comprometer a carreira.

Tudo isso dá uma falsa impressão de que é fácil, para uma mulher pobre, ser mãe solteira. No impulso do sexo vulgar, estimulado por certos ritmos popularescos mais apelativos, produz-se filhos nas classes pobres com maior facilidade. Em muitos casos, os meninos pobres nem ficam com as mães, quando elas muito jovens e no vigor de suas aventuras juvenis, mas com as avós.

Há muitas dificuldades, próprias dos problemas vividos pelas classes populares e bastante conhecidos por todos nós. Imagine uma mulher que mal consegue receber uns dois salários-mínimos, com cinco filhos para criar, sem marido que complementasse a renda da casa, ter que exercer outros trabalhos para aumentar esse dinheiro, sem ter tempo sequer para contar estórias para seus filhinhos?

NAS ELITES, SER MÃE SOLTEIRA É MAIS FÁCIL

Nas classes abastadas, fica muito mais fácil uma mulher ser mãe solteira. Ela recebe renda suficiente para dispensar qualquer outro trabalho, e, mesmo tendo que eventualmente contratar babás para cuidar dos filhos, tem algum tempo de sobra para desenvolver a necessária assistência maternal para garantir os vínculos afetivos com os filhos.

As mulheres dispõem de dinheiro para investir nos filhos, sem obrigá-los a completar a renda no trabalho informal. E podem reservar um tempo para cuidar deles, sem que a ausência marital causasse sério prejuízo nas mentes das crianças, até porque, em certos casos, descontados aqueles com conflitos conjugais sérios, a mãe acerta com o ex-marido ou ex-namorado o contato momentâneo com a criançada.

Já nas mulheres pobres, não há como ver essa facilidade. A publicidade midiática exagera e mostra "musas" associadas ao imaginário popular "orgulhosas" por serem "solteiras", não raro com uma certa arrogância. "Só faço sexo com meu vibrador no banheiro", diz uma. "Só fui paquerada pelo meu afilhado", diz outra. "Briguei com meu namorado, agora tou solteiríssima", diz uma terceira.

Enquanto elas vendem uma imagem errada de ser uma mulher solteira, uma imagem que, independente de ser falsa ou verdadeira, é trabalhada pela mídia grande como "ideal de vida" a ser seguido por moças pobres, mesmo as que se tornam mães, a vida real mostra que a coisa não é assim.

O dinheiro não é tanto, é preciso aumentar renda, e aí mães deixam de desenvolver suas afeições aos filhos, porque em todo o dia passam o tempo trabalhando. Há casos de mulheres que lavam roupa de noite, porque é o único horário possível. E tudo "no braço", porque não há dinheiro sequer para comprar máquinas para lavar roupa.

Mas também essas máquinas consomem muita eletricidade, e as famílias pobres nem sempre possuem dinheiro para pagar rede de energia elétrica. Os "gatos" são instáveis, porque podem garantir bom uso de energia um dia, mas falham em outro, porque outros pobres também instalam essas redes irregulares de consumo de energia elétrica, que mais complicam do que facilitam as coisas.

São tantos problemas enfrentados pelas mães solteiras, nas classes pobres, que o "paraíso" atribuído pelo imaginário popularesco não passa de mera ficção, de um patético apelo midiático que, a julgar pelos interesses escusos da grande mídia, pregam o desestímulo às famílias tradicionais para evitar a solidariedade popular e o fortalecimento de famílias pobres heterossexuais sólidas.

Para a grande mídia brasileira, o "máximo" é o outro extremo, que é só permitir a prevalência de famílias tradicionais nas classes abastadas, porque interessa, neste caso, "amarrar" as conquistas femininas das mulheres de classe com algum controle social de seus maridos, que servem de "sombra" para a emancipação social de suas esposas.

É a jornalista que poderia viver sozinha, mas precisa ter um marido empresário a seu lado. Ou a ex-modelo que se casa com um profissional liberal com o qual não tem a menor afinidade. A grande mídia reserva o "casamento por conveniência" para os ricos e a "solteirice por conveniência" para os pobres.

Enquanto isso, as sobrecarregadas mães solteiras das classes populares não conseguem dar uma boa formação social para seus filhos. Estes têm a autoestima abalada, sendo preciso muita força de espírito para superar as dores e desilusões que chegam pelo caminho. Se conseguem, poderão se tornar grandes pessoas.

Mas isso é raro. Na maioria das vezes, eles viram pobretões resignados com sua inferioridade social ou viram bandidos a assustar e ameaçar a sociedade como um todo. Daí não ser uma boa ideia a grande mídia dar ênfase no "ideal de vida solteira" para as mulheres pobres.

Que se semeie nas mulheres pobres uma imagem positiva da vida conjugal. Seria muito melhor desejar aos pobres que se formem cada vez mais famílias tradicionais e estáveis, sem delírios pseudo-LGBT que só servem para quem realmente quer ser LGBT e não para quem não tem interesse em sê-los.


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