terça-feira, 2 de julho de 2013

INTELECTUALIDADE, MULHERES-OBJETOS E O MITO DO "POPULAR"


Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade dominante, porta-voz não-oficial da ditadura midiática, só questiona as baixarias quando elas ocorrem na "boa sociedade". Se elas ocorrem no contexto do "popular", ela não as considera baixarias, pouco lhe importando os danos que possa causar nas classes populares. "O povo está feliz, é o que o povo gosta", e fica por isso mesmo.

As críticas que são dadas à vulgaridade feminina se limitam tão somente ao mais asséptico. Se é a mulher que não sabe dirigir no comercial da Volkswagen, a intelectualidade cumpre o papel de protestar, de fazer duros questionamentos, de mostrar argumentos que reforçam esses questionamentos.

Mas quando é a funqueira que exibe seus glúteos enormes em close no vídeo, em pleno horário nobre, na cara da criançada, a intelectualidade se silencia. A intelectualidade ignora a baixaria, sob o argumento confortável de que a funqueira "é pobre", pouco importa se passou a ganhar uma fortuna por apresentação em casa noturna.

A intelectualidade dominante logo "viaja" em alegações de "cidadania" numa concepção que "não podemos conhecer", e deixa de reivindicar melhorias na cidadania para as periferias. "Ela é pobre", resigna-se a dizer a intelectualidade. "Daqui a 20 anos, a 'mulher-fruta' vai aparecer vestida de bonequinha de luxo numa nova sessão sensual", deliram seus "pensadores".

Tudo é abominável quando se trata de uma Gisele Bündchen fazendo papel de "dona-de-casa sexy" ou Angelina Jolie demonstrando aparente ativismo social. A intelectualidade então se lembra até de Guy Debord, desprezado nesta terra tropical, e faz logo um ensaio completo sobre mídia e celebridades, publicidade, tendenciosismo, espetáculo e fama.

Mas quando se trata de uma paniquete, de uma "miss Bumbum" (ou mesmo uma vice), de uma ex-BBB, ou, sobretudo, de uma funqueira, a intelectualidade se silencia. Ou então apela para o argumento mais "urubológico", mas politicamente correto: "Ela é pobre!!!!". Pouco importando se essa "pobreza" simbólica, antes uma realidade, foi superada ou não.

Na intelectualidade divinizada, o pecado original da pobreza absolve outros pecados. O "popular" é um rótulo que permite qualquer baixaria. É como se essa palavra representasse os piores preconceitos sociais das elites "ilustradas", e tornar esses preconceitos "positivos" é uma forma dessa intelectualidade passar a imagem de "bom mocismo" e forjar unanimidade na opinião pública.

PEDOFILIA - Até mesmo a pedofilia, quando ocorre nos subúrbios, é poupada das críticas da intelectualidade. Há até o argumento que historiadores, sociólogos, antropólogos e críticos culturais, os que se comprometem em exaltar a breguice hegemônica no Brasil, tanto difundem, que existe uma "iniciação sexual" das jovens das periferias.

O que é pedofilia quando se refere às classes médias, com a exploração sexual de adolescentes, no entanto é vista pela intelectualidade como um fator "positivo", quando ela ocorre sob o manto do "popular" garantido pelo espetáculo cafona nas casas noturnas das periferias.

Os ideólogos do "funk carioca", por exemplo, entendem a pedofilia como uma "liberdade sexual", como algo que "não tem maldade", porque faz parte daquele "lazer saudável" das periferias. Tentam argumentar que criticar esse processo, quando é sob o manto do "popular", é uma demonstração de "preconceito" e "higienismo social", ou um "julgamento de valor elitista e extremamente moralista".

Isto é, quando as baixarias ocorrem dentro das elites "esclarecidas", elas são baixarias. Mas se elas ocorrem nas classes populares e sob o rótulo de "popular", pouco importam os danos a serem causados, a intelectualidade dominante não entende como baixaria, achando isso um fator "positivo" e "saudável".

Como se vê, a intelectualidade dominante que se julga "sem preconceitos" é detentora dos piores preconceitos. E elas ainda querem ser unanimidade entre a opinião pública, sob os aplausos de plateias desavisadas. Pode?

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