domingo, 14 de julho de 2013

GLOBO FAZ MPB SER REFÉM DAS TRILHAS DE NOVELAS



REDE GLOBO TOMA AS RÉDEAS DA CULTURA BRASILEIRA COM SEU CABRESTO.

Por Alexandre Figueiredo

A Rede Globo parece ganhar tempo no sucateamento da cultura musical brasileira. Enquanto solta o "funk carioca" para todos os rincões da sociedade brasileira e tenta servir o "pagode romântico" e o "sertanejo" para plateias mais refinadas, tenta confinar a MPB autêntica no mercadão das trilhas de novelas, tentando castrar qualquer chance de renovação.

A intelectualidade associada aos valores "culturais" da Rede Globo, mas que finge não ter vínculos com a grande mídia e tenta fazer proselitismo até na mídia progressista, até dá uma ajudinha, travestindo em roupagem "científica" todos os delírios de julgamento de valor em favor da "cultura" brega, que não passa de um modelo promovido pelos barões da grande mídia para o que deve ser a "cultura das classes populares".

Claro, essa "cultura popular", embora seja vista por parte da opinião pública como "espontânea", demonstra-se mais caricata do que qualquer estereótipo de povo pobre que as chanchadas da Atlântida mostravam. A própria grande mídia tenta atribuir a essa "cultura" brega-popularesca uma suposta espontaneidade, como se fosse a "cultura popular com P maiúsculo", enquanto a intelectualidade dá um verniz "libertário" ao que não é mais do que "cultura de massa" para consumo efêmero.

Enquanto polêmicas sem sentido são forjadas diante da defesa de tendências brega-popularescas - o "funk carioca", com a costumeira choradeira em prol do ritmo, é um exemplo ilustrativo - a MPB autêntica tornou-se a vítima do ódio generalizado da intelectualidade dominante, a ponto de virar bode expiatório para os males da cultura brasileira.

De repente, as queixas que, nos anos 80, eram dirigidas à pasteurização da Música Popular Brasileira pelos receituários comerciais das grandes gravadoras, mudaram o foco, voltando os ataques à ala mais sofisticada da MPB autêntica que passou a gravar discos na gravadora Biscoito Fino.

A única consideração feita para a MPB autêntica - envolvendo uma bajulação oportunista da ala da MPB que não se relaciona diretamente com a facção bossanovista-cepecista cujo exemplo maior é Chico Buarque, indo da música caipira de raiz às aventuras sessentistas do sambalanço - é permitir que ela só encontre o "sol" das grandes plateias quando estabelece um pacto com os valores "pop" herdados de uma superestimação midiática da Jovem Guarda e do Tropicalismo.

Isso significa que a MPB autêntica está sujeita a protocolos e normas bem piores do que aquelas supostamente atribuídas (pela intelectualidade dominante e divinizada) à turma bossanovista-cepecista. Um deles é investir o máximo possível num ecletismo que, no começo, era espontâneo, mas hoje, virou fórmula: o artista de MPB grava, num mesmo repertório, um reggae, um funk autêntico (tipo o dos anos 70), uma balada com violoncelo, música eletrônica e por aí vai.

Outro protocolo é se entregar de corpo e alma para as trilhas de novelas da Globo, único caminho para a MPB autêntica evitar o ostracismo. Entrar numa trilha sonora de novela da emissora é o meio para algum artista de MPB ter alguma visibilidade e atingir o grande público, já que o mercado torna-se cruel com a própria MPB, mesmo quando a divulga.

A MPB autêntica torna-se estrangeira no próprio país. Sambas autênticos, que são a herança da cultura das antigas favelas, das senzalas e dos quilombos, hoje praticamente são uma "cultura da Zona Sul" enquanto os subúrbios se tornam presos do "pagode romântico" (ou sambrega) e do "funk". A breguice tirou a cultura brasileira de seu próprio povo, ela mesma confinada na apreciação privativa dos "especialistas".

A intelectualidade tenta desmentir, mas a verdade é que as limitações que a MPB autêntica enfrenta para atingir o grande público - sobretudo na condição de música brasileira, e não na de "música estrangeira" feita no próprio Brasil que tem papel secundário diante do gosto predominantemente brega do grande público - são consequência da ditadura midiática, não bastasse a pirataria de CDs ter enfraquecido o papel da MPB dentro do grande público.

A Rede Globo, que "maqueia" os ídolos bregas sob o verniz da "MPB de mentirinha", sem acrescentar sangue e vigor novo à MPB autêntica, ainda castra qualquer renovação real da música brasileira, transformando cantores emergentes em escravos das trilhas de novelas. Eles não podem conquistar o público por conta própria, o espaço de divulgação em rádios FM é quase nulo, e às vezes precisam compactuar com ídolos bregas, sobretudo através de duetos, para poderem cantar nos eventos do interior.

Assim, a Música Popular Brasileira tem seu futuro comprometido. A Rede Globo manipula a cultura brasileira de forma cruel, mas a intelectualidade dominante de hoje ignora isso. Esta acha que a "cultura popular" está imune à ditadura midiática e apenas "modernizou". Ingenuidade ou mentira proposital, a intelectualidade dominante só reafirma o poderio da Rede Globo em criar sua visão do que deve ser a cultura brasileira, como em toda manobra ideológica que a rede fez e faz em sua História.

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