segunda-feira, 1 de julho de 2013

COPA DAS CONFEDERAÇÕES "CONSAGRA" A DECADÊNCIA ACELERADA DAS FMS


Por Alexandre Figueiredo

O rádio FM está em queda livre de audiência. Principalmente o chamado "Aemão de FM", que está longe de repetir o mesmo desempenho que o rádio AM tinha outrora. Os dados, embora não sejam admitidos pelos institutos de pesquisa, podem ser confirmados nas ruas.

É só andar pelos bairros, pelas ruas, pelos ambientes públicos ou passar perto de residências, apartamentos etc. Para cada sintonia de uma transmissão esportiva em FM, há pelo menos cinquenta de televisão, sobretudo paga.

Além disso, a audiência televisiva é bem mais participativa que a radiofônica, se comparada às sintonias em ambientes coletivos. No caso do rádio, apenas uma pessoa ou, quando muito, dois ou três colegas ou amigos, de fato ouvem a emissora, enquanto na televisão, por lidar com imagem, atrai muito mais a audiência participativa.

Evidentemente, ninguém vira ouvinte porque compra seus produtos numa loja em que o gerente decidiu sintonizar a rádio na sua loja. Os institutos de pesquisa, como o Ibope, ignoram isso e o que se vê é a nova prática de jabaculê que anaboliza a audiência de emissoras FM que não conseguem decolar no Ibope.

Daí o "empréstimo" de uma freguesia que apenas consiste numa audiência inercial de uma rádio, só porque está no lugar em que alguém a sintoniza. A "malandragem" é certeira: um único gerente, um único vendedor, sintoniza a emissora no seu estabelecimento, e "leva" seus fregueses para os dados de audiência sem que estes realmente se interessem em ouvir a "sua" emissora.

Por isso é que a decadência do rádio FM anda sendo "minimizada". Mas é só andar pelas ruas e ver que o rádio está sendo menos ouvido pelas pessoas. O rádio sofre o mesmo efeito que a revista e o jornal na queda da Internet, afetando sobretudo os veículos mais conservadores.

Para piorar, mesmo com astros da grande mídia, o Grupo Bandeirantes, que havia abusado na propriedade cruzada no rádio de São Paulo e chegou a exercer influência direta ou indireta em um quarto do dial FM da capital paulista, não consegue ter grande sucesso de audiência, apesar dos dados oficiais tentarem dizer o contrário.

A Band News Fluminense e a Bradesco Esportes, FMs do grupo da família Saad que transmitem futebol, não conseguem até hoje ter um desempenho satisfatório em audiência. Mesmo com figuras de destaque da TV Bandeirantes, a Band News Fluminense FM nunca superou em desempenho de audiência a da fase decadente da antiga rádio de rock Fluminense FM, entre 1991 e 1994.

Já a Bradesco Esportes FM só está em alta na imaginação corporativista de radiófilos e profissionais de rádio. Até agora a emissora não teve uma audiência que se destacasse, se contentando praticamente em ser ouvida em estádios ou por pessoas que não possuem televisão portátil para ver futebol. Em outras capitais, a Rede Transamérica e emissoras regionais também sofrem o mesmo fracasso.

A maquiagem do Ibope e outros institutos serve para evitar a fuga de anunciantes. Só eles é que praticamente restam no decadente rádio FM, que errou ao permitir a concorrência predatória entre AMs e FMs, que eliminou a diversidade cultural que o rádio brasileiro mal começava a desenhar na década de 80, e que foi reduzida a pó duas décadas depois, em prol de interesses empresariais.

Rádios que eram referência, como Antena Um, Rádio Cidade e Fluminense FM, na Frequência Modulada, ou várias emissoras AM, foram liquidadas pela pressão dos interesses comerciais, que fazia com que o poder político e religioso também se beneficiasse com isso.

Em outro aspecto, a segmentação era empastelada com o objetivo de atrair mais audiência, e o que vimos foram rádios "classe A" tocando brega norte-americano, rádios "de rock" com linguagem de FM dance (como a UOL 89 FM onde até o "roqueiro" Tatola é contagiado pela dicção tipo Jovem Pan) e a própria "invasão AM" que transforma as FMs numa arena do tédio e do pedantismo.

EM 2014, A "VOZ DO BRASIL" DO FUTEBOL?

O fracasso da audiência das FMs nas transmissões da Copa das Confederações pode não incomodar o Ibope e congêneres nem os barões da grande mídia. Estes, aliás, pouco se incomodam. O canal SporTV, por exemplo, não oferece perigo para a Rádio Globo, por mais que esta seja surrada pela outra em audiência, porque ambas são do mesmo dono.

O mesmo ocorre com a  TV Band Sports em relação à Bradesco Esportes. Mas mesmo as rádios com donos diferentes vivem uma "solidariedade" corporativa que faz com que "seja normal" a concorrência. Até porque, sendo grupos oligárquicos, os donos de rádio FM aparentemente nada têm a perder com o baixo Ibope. Eles têm os dirigentes esportivos para socorrê-los quando necessário.

Enquanto isso, a possibilidade do dial de rádio FM virar uma "Voz do Brasil" da Copa do Mundo de 2014, a exemplo do que ocorreu em outras copas, é bem provável, com rádios FM tomando mais surra no Ibope num país em que mais gente passa a questionar o fanatismo do futebol e a TV paga e a Internet fazem a dor-de-cabeça dos "DJs de arquibancada" que tentam ser os locutores esportivos.

Sem medir escrúpulos em tornar o dial FM mais monótono, a onda do "Aemão da Copa" só serve mesmo para garantir folga de funcionários. Além disso, há o abuso da propriedade cruzada, das retransmissões, e tudo isso ganha um tom maçante comparável ao do programa noticioso da Radiobras.

Só que o tiro sai pela culatra. Radialistas ganham folga, mas os ouvintes deixam de ter opções de rádio que não sejam a transmissão de futebol. Isso afasta os ouvintes, que têm mais o que fazer. E o rádio, por não trazer imagem, perde vantagem em relação à TV e à Internet.

Nem a poluição sonora dos "fanáticos modulados" consegue reverter. Garotões rodam de carro exibindo transmissões esportivas de FM com arrogância e convicção. Mas são só uma torcida solitária para tentar salvar o rádio FM que, sentindo o preço de ter feito concorrência predatória com o hoje agonizante rádio AM, agora torna-se o "rádio AM" da TV paga.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...