sexta-feira, 5 de julho de 2013

AS PERIFERIAS E O OUTRO LADO DA "LIBERDADE AMOROSA"


Por Alexandre Figueiredo

A grande mídia tenta impor nas periferias o mito da "liberdade amorosa e sexual" sob a alegação de que estaria incentivando às populações pobres a formação de estruturas familiares "modernas", seja através de mães solteiras ou de casais homoafetivos.

No entanto, a forma como a grande mídia dita "popular", com seu sensacionalismo e a espetacularização do grotesco, fazem através das diversas coberturas que vão do noticiário policial ao entretenimento popularesco, essa "liberdade" torna-se, na prática, uma imposição e não um direito de escolha, o que acaba desestimulando a formação de famílias tradicionais nas classes pobres.

Elas existem, mas são "discriminadas" por uma mídia populista - apoiada pela intelectualidade dominante no Brasil e engajada na defesa da breguice hegemônica - e cada vez menos comuns. Nas periferias, a ditadura midiática acaba desestimulando a formação de casais afins, através da difusão de valores confusos que geram efeitos danosos nas pessoas.

A grande mídia trabalha a imagem do homem da periferia como um "cafajeste", um "infiel" e um "galanteador barato", não bastasse a imagem criminosa que o homem pobre, sobretudo de raça negra ou indígena, é propagada pela imprensa "popular".

A exploração negativa dos homens é tanta que mesmo afinidades pessoais dos jovens das periferias, que poderiam ser um motivo para a atração e união dos casais, acaba sendo um elemento repulsivo. Rádios, TVs e jornais influenciam as mulheres pobres a desprezar homens de sua afinidade e meio social, sob a desculpa de que elas "precisam ter liberdade de escolha no amor e no sexo".

Em Salvador, o simples fato de grupos de homens pobres e trabalhadores se reunirem para uma saudável "pelada" na praia é usado para afastar as moças de seu meio. Elas são manipuladas pela mídia televisiva, radiofônica e jornalística a desejar outros homens, numa manipulação bem mais cruel que a que conhecemos do mercado publicitário quando este promove o consumismo compulsivo.

As moças pobres soteropolitanas eram manipuladas, sobretudo por um mercado de rádio FM controlado por oligarquias apadrinhadas por Antônio Carlos Magalhães, independente delas serem hoje desafetas ou não do falecido político baiano, para não desejar homens de sua afinidade, mas homens de perfil mais "diferente", sob o pretexto de estarem "rompendo o preconceito e as diferenças sociais".

Salvador foi pioneira no estereótipo das "periguetes", e juntando essa manipulação ideológica com uma trilha sonora de "pagode pornográfico" que era o carro-chefe dessas FMs de origem carlista, impulsionou uma geração de jovens moças que não sabiam o que queriam da vida, mas tinham um atrevimento para assediarem nas ruas homens que nunca as desejariam para a vida amorosa.

Essas moças acabavam se tornando vulneráveis, pois ao trocarem a rotina de homens afins de suas comunidades em troca de "aventuras" com homens "diferentes", acabam ficando sujeitas ao assédio dos homens que servem ao tráfico internacional de mulheres, e que circulam nas ruas soteropolitanas disfarçados de "simples turistas".

ÓRFÃOS DE PAIS VIVOS

A manipulação midiática, no entanto, segue em todo o país, como forma de dissolver, desestimular ou, quando muito, dissimular as famílias tradicionais nas periferias. Enquanto a grande mídia acha "o maior barato" que só existam casais homossexuais e mães solteiras nas comunidades pobres, as crianças vivem dramas que poderão comprometer sua autoestima na vida adulta.

Afinal, quantas crianças acabam ficando perturbadas sem o convívio do pai? Quantos casais são forçadamente separados pelas circunstâncias, havendo, nas periferias, a "solteirice por conveniência", em contraponto com os "casamentos por conveniência" das classes mais abastadas.

Com tanta pressão na mídia para estimular a desconfiança mútua de homens e mulheres pobres - eles como "cafajestes" e "ciumentos demais", elas como "liberadas demais" e "mandonas" - , há até mesmo casais que se separam por pouca coisa, graças à imagem negativa trabalhada pela mídia que faz com que homens e mulheres dentro das classes populares sejam negativamente vistos até entre si mesmos.

As crianças tornam-se órfãs de pais vivos. Imagine um menino na periferia, vendo um menino mais abastado brincando com o pai num parque ou num passeio nas ruas, pensando na falta do convívio de seu pai, que havia largado a mãe do menino por motivos poucos, pois até mesmo a vida desse menino pobre surgiu motivada por alguma "curtição".

Evidentemente, o menino viverá triste, com a mãe se sacrificando demais sozinha, transformando seu baixo salário num sem-número de investimentos e contas porque, provavelmente, ela tem mais de um filho, e o menino terá que viver junto com outros irmãos, e à mercê de problemas que as limitações sócio-econômicas da pobreza provocam.

O menino cujo pai vive longe dele acaba sofrendo baixa autoestima, que pode, na pior das hipóteses, o levar à marginalidade, à solidão das ruas, vulnerável às drogas, à criminalidade e a outro tipo de vinganças e compensações nada positivas para seu sofrimento na vida.

Discute-se muito a redução da maioridade penal, sem observar os diversos contextos que fazem muitos meninos virarem bandidos. Em muitos casos, o motivo é por puro protesto pelas péssimas condições de vida, onde a Educação, a família e a situação econômica apresentam problemas de difícil solução.

Quem sabe, em muitos casos, os meninos assaltam e matam cidadãos abastados porque eles têm uma estrutura sócio-econômica mais sólida, coisa que os meninos pobres não têm? Que raízes têm essa violência que os meninos cometem, que tipo de desabafo representam? Será que a redução da maioridade - que especialistas em Direito definem como proposta inconstitucional - e a simples colocação de menores nas cadeias irá resolver os dramas pessoais que os levaram a tais atos?

E o que dizer a vulgaridade feminina, das falsas solteiras do "funk", do estímulo ao sexo vulgar, do consentimento da intelectualidade "ativista", incluindo antropólogos e cineastas ditos "de prestígio", à pedofilia quando ela é feita no contexto da "diversão popular das periferias"?

Tudo isso, juntando ao mito da "pobreza linda" lançado pela intelectualidade dominante, que dá um sentido "positivo" às baixarias ocorridas sob o rótulo de "popular" e "pobre", que enchem as elites "pensantes" de orgulho, pioram as coisas na medida em que a sujeira da baixa escolaridade e da desigualdade social é posta por debaixo do tapete através de "maravilhosas" monografias e documentários, entre outros recursos discursivos sofisticados.

Afinal, os cordiais juízos de valor da intelectualidade, que acha ótimo que as periferias só devem ter mães solteiras e casais LGBT, deixam no entanto de ver o outro lado, que é o direito de formação de casais tradicionais, que, quando muito, só ocorrem mesmo sob o signo moralista de alguma seita religiosa.

Isso também não resolve, porque no caso de casais heterossexuais que poderiam se unir espontaneamente, e não sob o abrigo da fé religiosa, a pressão da mídia e da intelectualidade tidas como "sem preconceito" cria um preconceito muito pior contra casais heterossexuais quando estes são pobres.

Se as elites "pensantes" vissem esse outro lado, talvez os sofrimentos de muitas famílias de mães sobrecarregadas e crianças infelizes seriam minimizados num bom índice, e isso traria mais segurança para a sociedade do que mandar muitos adolescentes estressados e deprimidos para o cativeiro das prisões disfarçadas de "centros de proteção e educação de menores".

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