sexta-feira, 21 de junho de 2013

PROTESTOS EM SALVADOR: ENTRE RADICAIS E OPORTUNISTAS


Por Alexandre Figueiredo

A onda de protestos populares atingiu todo o Brasil, do Oiapoque ao Chuí, com a presença maciça de manifestantes que provocam até hoje impacto na grande mídia. E a multiplicação de protestos se dá com uma tendência predominante de protestos majoritariamente pacíficos enquanto alguns vândalos promovem desordem e destruições e a polícia parte para a repressão a alguns manifestantes.

Algumas cidades contam com suas peculiaridades nos protestos, como Niterói, por exemplo, cujo protesto recente teve um núcleo de manifestações próximo à quase quarentona Ponte Rio-Niterói, o que interferiu no trânsito de veículos, proibido de se dirigir à antiga capital fluminense.

Outro caso é Salvador, cujas manifestações devem esquentar quando se aproxima o dia do jogo da seleção brasileira de futebol contra a seleção italiana, na Copa das Confederações, partida que se realizará na Arena Fonte Nova.

Por um erro estratégico, os jogadores da seleção foram hospedados em um hotel no trecho da Av. Sete de Setembro, no Campo Grande, um dos locais centrais das manifestações, o que fez com que alguns exaltados vaiassem os jogadores e os vândalos partirem para apedrejar o ônibus que transportava a equipe do técnico Luiz Felipe Scolari. Vândalos também teriam queimado um ônibus em outro local da cidade.

As manifestações de Salvador, como de praxe, foram majoritariamente pacíficas. Mas a cobertura de uma mídia predominantemente conservadora, principalmente TV Bahia e TV Bandeirantes, preferia superestimar os focos de vandalismo, por mais que tente também noticiar as manifestações pacíficas.

A TV Bahia é um caso clássico, pois, como emissora propriedade dos herdeiros do falecido Antônio Carlos Magalhães, principal veículo da Rede Bahia e cuja origem se deu por uma famosa politicagem nos anos 80, segue não só a orientação conservadora do finado patriarca (mas sem os excessos típicos do temperamento explosivo do "painho"), mas também do conservadorismo nacional da Rede Globo.

OPORTUNISTAS

Se as manifestações de rua de Salvador mostram focos, não tão grandes assim mas exageradamente reportados pela mídia conservadora, de vândalos e alguns radicais reacionários que se aproveitam da situação para pregar o horror, por outro lado existem oportunistas que querem cooptar ou pegar carona nos protestos para se passar por "progressista" e "ativista".

Na mídia, o maior foco de oportunismo é a Rádio Metrópole, que fez uma cobertura politicamente correta dos movimentos, além da habitual bajulação de Mário Kertèsz, o "astro-rei" e dono da rádio, figura conhecida por ter sido afilhado político do acima citado ACM, ter feito parte da ARENA e ter uma trajetória política parecida com a do paulista Paulo Maluf.

Kertèsz havia desde o final dos anos 90 se convertido em um dublê de radiojornalista que sonha ser "dono" das esquerdas baianas. Virou "radialista" depois de, como prefeito de Salvador, ter armado um esquema de desvio de verbas públicas com Roberto Pinho (depois envolvido no "mensalão" de Marcos Valério) e ter adquirido ações em emissoras de rádio e TV, além de ter sido interventor do Jornal da Bahia.

O "astro-rei" da Rádio Metrópole é uma espécie de um sub-Bóris Casoy que pensa ser Mino Carta. Conservador, machista, demagogo, Kertèsz ainda insiste em tentar vincular a si os movimentos sociais e as instituições de esquerda, tendo tentado cooptar para si até mesmo figuras eminentes da mídia esquerdista baiana, como Emiliano José, João Falcão e João Carlos Teixeira Gomes, o "Joca".

Mas o oportunismo não parou por aí. Alguns músicos de axé-music, como Saulo Fernandes, a banda Psirico (de Márcio Victor), o cantor Tomate e outros, tentaram também pegar carona nos protestos, buscando autopromoção pessoal.

Oportunismo maior que isso, não há. A música comercial brasileira, de cunho brega-popularesco, é metida a bancar "arte séria e engajada", sem ter qualquer compromisso real com isso. Ao que eu saiba, pelo menos Justin Bieber não havia cogitado em pegar carona em movimentos do porte de Occupy Wall Street.

Em todo caso, medidas pontuais como essas, como as ações de vândalos, por um lado, e a dos oportunistas, de outro, dão o tom de uma Salvador ainda conservadora, que procura se livrar da escravidão política do carlismo e da escravidão cultural dos poderosos blocos da axé-music, comandados pelos "barões" do Carnaval baiano.

Em um momento e outro, herdeiros e seguidores dessas duas forças dominantes tentam associar-se às manifestações progressistas não apenas pela propaganda pessoal, mas talvez para evitar que sejam deixados para trás pelos baianos.

No entanto, se depender da tendência independente e arrojada dos protestos nacionais, gente como Mário Kertèsz e Psirico terão que se refugiar sob as calças dos barões da grande mídia porque seus falsos ativismos em nada convencem a uma juventude ansiosa por mudanças de verdade.

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