domingo, 16 de junho de 2013

O CASAMENTO DE COMERCIAIS DE MARGARINA, A SOLTEIRICE DE FICÇÃO DA CONSPIRAÇÃO FILMES


Por Alexandre Figueiredo

Aberta a temporada do marketing amoroso na grande mídia brasileira. A indústria de factoides faz malabarismos, criando "casamentos estáveis" ou "musas encalhadas" onde não existe, tudo para manter as aparências e garantir os compromissos profissionais dos envolvidos.

Desde que, em 2011, a ex-dançarina do É O Tchan, Scheila Carvalho, anunciou que comemorava dez anos de casada, uma relação em que ela só assumiu em 2006 (a imprensa, pouco antes, ainda definia a dançarina como "solteiríssima"), vale tudo.

Outras dançarinas de "pagodão" já apareceram na mídia com seus namorados e, estrategicamente, evitavam andarem de mãos dadas, enquanto a imprensa espalha que elas estão passeando com "uns amigos". Funqueiras com filhos ou com maridos com quem trocavam declarações de amor e afeto, da noite para o dia, se autoproclamavam "solteiras e felizes".

Tudo para manter as aparências, assim como, no outro lado, alguns casais de famosos também capricham na aparência para esconder sérias crises conjugais. Desconta-se alguns casos de atrizes estrangeiras que teriam se divorciado de seus maridos e mantém com eles uma relação de aparências, porque aí tudo é feito para manter a privacidade dos filhos e evitar que a pressão da mídia os traumatize em tais condições.

Mas isso é lá fora, embora lá tem-se o caso do TMZ, portal de fofocas e até de notícias que se confirmam depois, mas cujo programa humorístico do canal Warner é um horror, com os jornalistas do portal fazendo piadas sem graça em torno de celebridades, numa linguagem bastante grosseira e imbecil.

No Brasil, o que se vê é casais "estáveis" indo para eventos de gala e dizendo que está tudo bem, enquanto na intimidade a crise conjugal é aguda, num quadro potencial para um divórcio. Ou então são moças vulgares que escondem sua situação de comprometidas porque precisam passar uma imagem de "sensual" que maridos e namorados iriam prejudicar, se aparecessem na mídia.

No primeiro caso, há o estereótipo do casal de comercial de margarina, daquele casal supostamente feliz em que o marido, até pouco tempo atrás com seu colarinho e sua gravata - hoje liberaram as camisetas - , toma com a esposa e os filhos o seu café da manhã.

Mas há também o estereótipo da solteirice de ficção cinematográfica, não exatamente o mesmo tipo de solteirona das produções da Conspiração Filmes, mas que coincide muito com o fato de atrizes bem casadas (geralmente com os próprios diretores) fazerem papéis de personagens solteironas.

É o casal em crise que se mantém junto porque os dois cônjuges possuem contratos e contatos importantes. É a funqueira que precisa mandar seu marido para o interior de Goiás e dar a falsa impressão de que está "solteira e feliz", que só tem affair com afilhado e que só faz amor com ursinho de pelúcia, tudo para manter o sucesso que se alimenta pela sua aparente fama de "sensual".

Isso cria um quadro muito louco numa grande mídia que, da parte da revista Caras brasileira, tentou dar um furo dizendo que a atriz norte-americana Michelle Pfeiffer está solteira, informação tão exclusiva que nem a própria Michelle nem o seu marido David E. Kelley, no alto de seus 20 anos de união (Bodas de Platina) tomaram conhecimento.

Só esse aspecto mostra o quanto a mídia de celebridades, que já é um fenômeno muito doido no mundo inteiro, com seus paparazzi invadindo sem licença nem dó a privacidade dos famosos, é ainda mais estranha no Brasil.

A grande mídia mente, e não é só no noticiário político. No entretenimento a bagunça corre solta. Isso numa mídia dedicada a famosos que é tão burra e estúpida que chama grupos vocais de "bandas" e só fala em "balada" em vez de festa e "galera" em vez de turma, família e equipe. Tudo por dinheiro.

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