sexta-feira, 7 de junho de 2013

NEYMAR: ASTRO DO FUTEBOL OU SUB-CELEBRIDADE?


Por Alexandre Figueiredo

O jogador Neymar, ex-craque do Santos Futebol Clube e agora jogador do clube espanhol Barcelona, é um dos primeiros jogadores surgidos quando o futebol brasileiro tornou-se um grande negócio e um dos primeiros ídolos esportivos trabalhados, desde o início, sob um pesado esquema de marketing.

A grande mídia, esta semana, anunciou com alarde a contratação do jovem ídolo no clube espanhol, sobretudo a Rede Globo, que criou toda uma badalação em torno do jogador, trabalhado praticamente como um astro a brilhar mais do que na realidade sob os holofotes midiáticos.

Na cobertura "global", houve de tudo. Fãs histéricas gritando por Neymar como se ele fosse um concorrente do Justin Bieber. Reportagens nos telejornais da Globo sobre o futebol espanhol. Transmissões do campeonato europeu pela Rede Globo, para "familiarizar" os torcedores da nova aventura de Neymar, alimentando a fama internacional que complementa a fama nacional do jovem jogador.

Neymar possui os elementos do grande ídolo trabalhado pela mídia brasileira. Junta-se uma aparência humilde e um jeito tímido, herança da superada pobreza original do jogador, com a fama de "pegador" e os bens luxuosos que possui.

Além disso, sem ser exatamente cantor, Neymar participou, mesmo só para dançar ou fazer "embaixadinha" com a bola, em vários DVDs de intérpretes brega-popularescos, sobretudo ídolos de "pagode romântico" e "sertanejo universitário", mas passando pelo funqueiro Mr. Catra e aparecendo até no clipe do "fora do eixo" Emicida.

Não bastasse isso, Neymar é namorado da jovem atriz Bruna Marquezine, que anos atrás havia se destacado como uma promissora atriz de novela mirim. No entanto, a imprensa televisiva já começa a se preocupar com o estrelismo de Bruna e há quem diga que o namoro não passa de uma estratégia marqueteira de dupla promoção de cada um dos entes do aparente casal.

Na era do "futebol de resultados" que o Brasil vive há mais de 20 anos - quando praticamente saiu de cena a última geração de futebolistas, que incluíram Zico, Casagrande, Falcão e o saudoso Sócrates -, Neymar é mais reconhecido pelos factoides do que pelos gols que faz, embora, como jogador, Neymar esteja muito mais próximo do futebol burocrático do que do já raro "futebol-arte".

Daí as notícias que equiparam Neymar às sub-celebridades que acumulam notícias sucessivas em torno de noitadas, factoides amorosos, falsas polêmicas e outras coisas sem importância que a grande mídia divulga como se fossem "fundamentais" e "indispensáveis".

Junta-se a isso uma farra politiqueira em torno da Copa de 2014 - na qual a vindoura Copa das Confederações será um aperitivo - e seu respaldo midiático e publicitário e veremos a espetacularização do futebol, não como um simples esporte que representa uma saudável e alegre opção de lazer, mas como uma suposta filosofia metafísica na qual os brasileiros apostam como única utopia possível para trazer a prosperidade para o Brasil.

Dessa forma, a espetacularização do futebol já não é mais o espetáculo do futebol em si. Mas o culto às celebridades instantâneas, ao mercado, ao fisiologismo político - que comete corrupções e arbitrariedades a pretexto de "respeitar" a lei e o interesse público - e à supervalorização do futebol não como um esporte em si, mas como uma "religião" cujo fanatismo já causa problemas tanto entre torcedores quanto entre dirigentes esportivos. E que faz de Neymar o principal astro desse hype todo.

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