quarta-feira, 19 de junho de 2013

MC ANITTA, "FUNK CARIOCA" E O TENDENCIOSISMO "MILITANTE"


Por Alexandre Figueiredo

O hit-parade brasileiro é bastante tendencioso, tomado de um discurso intelectualoide "cabecista" e de um pretensiosismo de "arte séria" de fazer os mais fanáticos do rock progressivo, normalmente acusados de pretensiosistas, ficarem envergonhados.

No brega-popularesco, o pretensiosismo chega ao ponto da pseudo-militância desnecessária, feita mais para vincular a imagem do ídolo de ocasião a alguma "causa nobre", não bastasse a obsessão dessa música comercial em ter uma reputação de "arte séria" que no fundo nunca tem.

Pois a funqueira MC Anitta, que havia estrelado vários factoides para sua autopromoção - inclusive uma viagem "secreta" a Las Vegas, para gravar videoclipe - pegou carona nos protestos juvenis que ocorrem nos últimos dias no Brasil para "alterar" uma letra de música, no caso o sucesso "Show das Poderosas".

A atitude, bastante tendenciosa, é uma forma de Anitta capitalizar seu sucesso às custas dos fatos políticos nacionais, em mais uma tentativa típica do "funk carioca" em forçar a barra da opinião pública através da bajulação oportunista aos movimentos sociais.

Segue então o trecho da "nova" letra, divulgada por ela na legenda de uma foto sua no Instagram: "É a hora da mudança, vem você também. Não precisa quebrar nada, é só lutar para o bem. Não é 20 centavos, é a nossa lei. O país está acordando e quer saber? Que um filho teu não foge à luta. Meus direitos não são bagunça. Corrupção tem que acabar com luta".

O "funk carioca" talvez pudesse causar menos incômodo se não tivesse essa obsessão pelo discurso ativista. O ritmo é apenas um pop dançante comercial, sem qualquer pretensão de arte nem de cultura, mas que é tomado pela obsessão de parecer "arte séria" e "ativismo pra valer". Nada disso se observa no "funk", na prática. E, além disso, nomes como Anitta apresentam claras caraterísticas de meros ídolos de hit-parade.

Nem no calor da Contracultura dos anos 60 ritmos tão comerciais quanto o "funk", como o twist e o hully-gully, tiveram tais pretensões de "arte séria e engajada". E nem mesmo cantores comportadinhos como Pat Boone e Ricky Nelson se atrevieram a dizer que "faziam mais protesto" que Bob Dylan. Eles estavam nas suas, por mais que haja barricadas estudantis até na esquina de onde tais cantores moravam.

Neste sentido, uma Britney Spears, com todos os senões que possamos dar a ela - sobretudo pela voz robotizada que acoberta seu talento medíocre como cantora - , pelo menos não tem a pretensão de mudar o mundo ou fazer arte superior.

E MC Anitta poderia ser a Britney brasileira, se não tivesse tal pretensiosismo. Isso não faria da funqueira uma grande coisa, mas deixar de lado o pretensiosismo pseudo-ativista seria uma forma sincera de Anitta admitir seus limites de cantora comercial e um ídolo pop voltado para o mais explícito comercialismo no entretenimento brasileiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...