sábado, 22 de junho de 2013

IMPRENSA "POPULAR" TAMBÉM PASSA A CONDENAR PROTESTOS POPULARES


Por Alexandre Figueiredo

A dita imprensa "popular", definida pelas esquerdas médias como "divertida" e "investigativa", deu um surto reacionário e passou a também fazer "psicologia do terror" para tentar afastar o povo das manifestações populares que tomaram conta do país.

Só no Rio de Janeiro, os jornais O Dia e Extra, de perfil popularesco light, e Meia Hora e Expresso, de tendência ainda mais grotesca, deram ênfase nos atos de vandalismo ocorridos nas manifestações no Grande Rio, tentando "aumentar" os casos eventuais de desordem.

Outros jornais do país também fizeram o mesmo tom, inclusive o jornal Massa, de Salvador, do mesmo grupo do jornal A Tarde, que citou a "Praça de Guerra" que supostamente se transformou a capital baiana. As exceções, curiosamente, foram o mineiro Super Notícia e o Agora São Paulo (do grupo Folha), que deram manchete às manifestações, sem enfatizar o vandalismo.

Na maioria das vezes, porém, a imprensa "popular" segue a cartilha "moralista" dos programas policialescos, além da prática tradicional dessa parte da mídia seguir a orientação ideológica da Rede Globo, sobretudo no que essa emissora veicula em relação às classes populares. Essa mídia, erroneamente classificada como "progressista", é propagandista maior de fenômenos midiáticos como o Big Brother Brasil.

Os próprios jornais Expresso e Extra são das Organizações Globo. Em que pese uma boa cobertura sobre transporte coletivo em que irregularidades são noticiadas sem muito tendenciosismo, o Extra seguiu o rumo traçado pelos noticiários da Globo, sobretudo o RJ-TV e o Jornal Nacional, que deram uma ênfase exagerada nos atos de vandalismo, em detrimento da mobilização pacífica que dominou os protestos.

A "psicologia do terror" é um risco, uma vez que ela atinge, no caso da mídia popularesca, o povo pobre que é mais prejudicado pelo arbítrio de autoridades. Esse arbítrio é um dos principais motivos dos protestos populares, e na medida em que a mídia superestima os protestos, acaba intimidando o povo pobre a participar das manifestações às quais ele é o maior interessado.

Isso é ruim. Afinal, se o povo deixa de se mobilizar naquilo que mais lhe interessa - e lembremos que os protestos também se dirigem contra agendas defendidas pela grande mídia, como o poder das oligarquias no campo e a ditadura midiática - ,  as manifestações acabam se enfraquecendo, e os barões da mídia apostam nisso para manter seus interesses e seus privilégios.

Por outro lado, a mídia "popular" acabou sofrendo o "efeito Bóris Casoy", quando a opinião pública média via "mídia progressista" em veículos conservadores moderados, sem perceber o reacionarismo eventual que havia por trás, como no caso da TV Bandeirantes e revista Isto É, cujos surtos reacionários chocaram aqueles que viam nesses veículos alguma esperança de "mídia libertária". 

Que a mídia conservadora moderada tem sua razão de ser, ela tem. Mas que ela não supre a necessidade de mídias mais voltadas ao interesse público e às causas progressistas, é algo que não se deve esquecer. E a mídia "popular" é feita por elites que tratam o povo pobre como se fosse um gado bovino, e para o qual só interessa ficar alienado diante de aberrações, criminosos,  futebolistas "pegadores" e mulheres siliconadas.

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