sexta-feira, 7 de junho de 2013

GUGU LIBERATO E O (COMEÇO DO) FIM DE UMA ERA


Por Alexandre Figueiredo

Esta semana, o apresentador Gugu Liberato resolveu sair da Rede Record, vendo que a famosa rede controlada pelo "bispo" Edir Macedo está em séria crise. Tendo sido um dos salários mais altos da emissora, algo em torno de R$ 3 milhões, Gugu também era um dos maiores orçamentos em produção de programas da rede.

Embora os analistas médios afirmem que o fim do programa é um reflexo da pressão da Internet contra a televisão de um todo, a saída de Gugu Liberato - que nos anos 90 atuava como um "Luciano Huck" da época, através da exploração de um filão juvenil de cunho popularesco - representa também o desgaste de uma mentalidade popularesca da televisão cujos paradigmas até hoje (ainda) fascinam os intelectuais.

Tendo sido um paradigma de entretenimento brega-popularesco "moderno" nos anos 80 e 90, juntamente com o Domingão do Faustão da Rede Globo, o programa Viva a Noite, de Gugu Liberato - cujo sucesso fez muitos suporem o apresentador como um "herdeiro natural de Sílvio Santos" - , também foi marcado pelos espetáculos de baixarias, de um lado, e de pieguices, de outro.

As baixarias giravam em torno do erotismo sugerido pela atração da Banheira do Gugu, que gerou "musas" de apelo popularesco que estavam a meio caminho das chacretes e "boletes" (estas do Clube do Bolinha de Edson Curi, na TV Bandeirantes) de outrora e as "mulheres frutas" e paniquetes da atualidade.

Algumas das "garotas da banheira" ainda tentam "sensualizar demais" até hoje, como Solange Gomes, ou então viram "caçadoras de sertanejos", como Helen Ganzarolli, enquanto Renata Banhara havia tentado a sorte de voltar à mídia numa edição recente do reality show A Fazenda.

O quadro da "banheira" era caraterizado por uma "disputa" entre mulheres e homens para ver quem ficava com uma barra de sabonete. Na verdade, a "luta" era um gancho para a exploração de corpos sarados dentro de um monte de água e espuma, feito para alavancar os pontos de audiência, numa época em que a mídia jogava até mesmo filmes de violência nos horários da tarde.

Era a época da ditadura midiática que começou a ser combatida por campanhas legislativas contra a baixaria, iniciativas parlamentares válidas que soam como embriões da regulação midiática que se torna a causa das forças progressistas hoje. A pressão conseguiu liquidar o quadro da "banheira" e Gugu, nesse caminho todo, deixou Sílvio Santos e foi para a Rede Record com um programa mais "comportado".

Aí entra a pieguice, que também era explorada no Viva a Noite e Domingo Legal (versão vespertina e dominical do programa noturno). Quem não se lembra dos ídolos neo-bregas, do "pagode romântico" e do "sertanejo", mostrando suas "origens humildes", explorando a choradeira do público que depois contagiou acadêmicos e "bacanas" do mundo da fama e do ativismo social de matizes "soros-positivas"?

No Programa do Gugu, a pieguice aparecia dessa forma, mas também através de quadros "assistenciais" iguais ao que Luciano Huck faz no Caldeirão do Huck da Rede Globo. Aliás, Gugu, que havia sido o "Luciano Huck" de seu tempo, passou, na Record, a imitar seu imitador, num desses processos de cópia e recópia típicos do mercantilismo selvagem da TV aberta.

Além de Gugu Liberato, se desgastam também programas de fofocas da televisão e reality shows como o Big Brother Brasil que, embora passe por uma decadência insuficiente para forçar o cancelamento da atração, passa por quedas de audiência sucessivas a cada ano.

É um modelo de atrações televisivas, que transformam o povo pobre ou mesmo as classes médias em caricaturas de si mesmos, que começam a se desgastar de forma avançada. A mesmice em tratar as classes populares como idiotas cai na rotina e, repetitiva, causa tédio até mesmo em quem já foi idiotizado por essas atrações.

A idiotização do telespectador é um processo que a intelectualidade dominante - aquela que tenta expandir seu raio de influência até mesmo na mídia esquerdista - faz vista grossa, achando que isso é "genuína cultura das periferias", mas a situação chega ao ponto em que o grotesco e a pieguice, por não trazerem qualquer tipo de novidade, tornam-se maçantes, tediosos, inúteis.

Além disso, o público já se ocupa com Internet, ou então vai para a rua fazer compras, rever amigos, descansar numa praça ou fazer outras coisas. A vida rola lá fora e a grande mídia começa a perder sua demanda de forma grave, seja a imprensa escrita, a televisão e o rádio, embora, neste último caso, os analistas tentam esconder a decadência por debaixo do tapete.

Afinal, "tão pobrezinho" e deixado em segundo plano pelo mercado publicitário, o rádio, sobretudo FM, ainda é capaz de enganar e deslumbrar seus adeptos com um amontoado de números que não correspondem à realidade.

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