sexta-feira, 21 de junho de 2013

GLOBO ESTÁ CRIMINALIZANDO PROTESTOS DE RUAS


Por Alexandre Figueiredo

A grande mídia arma o bote e, com sutileza, tenta enfraquecer os protestos de ruas das grandes cidades. Não é uma manobra explícita, porque, aparentemente, ela "admite" que os protestos são em sua maioria pacíficos, mas se vê que ela superestima os atos de vandalismo que acontecem nas manifestações.

Depois da súbita eclosão de protestos de ruas nas grandes cidades e até mesmo em cidades pequenas e no interior - só ontem foram, segundo dados oficiais, mais de 100 cidades brasileiras, e podem ter sido muito mais - , as Organizações Globo começa a tentar "enfraquecer" os protestos.

A gota d'água teria sido o baixo cartaz que teve o "espetáculo" da vitória da seleção brasileira de futebol contra o time do Japão, na última quarta-feira, o que fez, apesar do resultado vantajoso, os astros da mídia esportiva, como Galvão Bueno, caírem em depressão.

Diante disso, a orientação da Central Globo de Jornalismo é de "pegar pesado" contra os atos de vandalismo, transformando lagartixas em Tiranossauros Rex, como se os atos de pequenos grupos de desordeiros fossem a ocorrência principal das manifestações.

Cria-se um desvio de foco, na tentativa da Rede Globo, O Globo e demais veículos dos irmãos Marinho, com a velha mídia restante de carona, tentar esvaziar o verdadeiro sentido do protesto, feito contra diversos problemas de ordem política e social que acontecem há tempos no país.

Com isso, cria-se uma "revolta" contra os excessos do protesto. É como se, na prática, a Rede Globo quisesse que os protestos pacíficos fossem esvaziados de suas causas enquanto a indignação maior se voltasse contra os desordeiros.

E essa histeria contra os vandalismos que se "agigantam" na cobertura midiática, trabalhada com um sensacionalismo moralista, não contribui para condenar, de fato, tais excessos, mas para desviar a opinião pública da atenção ao que os protestos pacíficos querem mesmo dizer.

Além disso, o sentido de "vandalismo" é tão corrompido que uma invasão pacífica, porém enérgica, de prefeituras e outros prédios de atividades políticas, agora é vista também como "desordem". Em compensação, houve até caso de filho de empresário de ônibus praticando vandalismo e a grande mídia praticamente não ligou.

A Globo sabe que ela mesma faz parte dos "alvos" das manifestações populares, ao lado de autoridades políticas, dirigentes esportivos e outros que queiram promover a injustiça social e a impunidade do crime e da corrupção.

Da mesma forma, a Globo sabe que, se deixar levar adiante essas manifestações sem uma cor ideológica definida mas - ou até por isso mesmo - dotadas de real espírito democrático, haverá espaço para pressões pela regulação midiática que derrubariam de vez o império dos Marinho.

A cobertura do vandalismo pela Globo também serve como uma "psicologia do terror", como uma tentativa sutil de intimidar as pessoas, evitar que mais pessoas compareçam aos protestos, já que a "violência" reportada de forma exagerada pela corporação midiática seria uma forma de intimidar o público e dizer para o povo não comparecer aos protestos.

A Globo, agindo isso, tenta se vingar da mudança de ares na opinião pública, na sua perda de controle do processo de verdadeira redemocratização, porque até agora vivemos uma ditadura midiática dotada de poderes absolutos e com seu tráfico de influência no Executivo, Judiciário, Legislativo e até na intelectualidade "progressista" que apoia a bregalização da cultura brasileira.

Resta ficarmos atentos, porque a cobertura da Globo torna-se abjeta, na medida em que tenta exagerar na eventual ocorrência de atos de vandalismo, na tentativa de "construir" um medo e evitar o avanço das manifestações populares, forçando o povo a ficar em casa, preso à visão equivocada de país que a corporação dos Marinho e seus asseclas trazem para os lares brasileiros.

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