segunda-feira, 3 de junho de 2013

FERNANDO COLLOR NÃO É EXEMPLO PARA COISA ALGUMA




Por Alexandre Figueiredo

As esquerdas médias insistem em separar o Fernando Collor ex-presidente do Fernando Collor senador. Como se fossem duas pessoas completamente diferentes. É o que se nota quando se fala tanto do caso do ex-presidente e dele mesmo na sua atual experiência como senador da República.

Fernando Collor, o ex-presidente, é questionado por ter sido um mito fabricado por Veja e Folha de São Paulo, popularizado pela Rede Globo, que se tornou um presidente desastroso, de política neoliberal excludente e cuja medida de impor o confisco das poupanças, a pretexto de "aquecer" a economia, só serviu para alimentar o esquema de corrupção de seu tesoureiro, o falecido Paulo César Farias.

Aliás, o misterioso assassinato de PC Farias, que passou por um julgamento que absolveu os policiais acusados, continua tão misteiroso quanto antes, na tragédia em que morreu também a então namorada do empresário, Suzana Marcolino, encontrada morta ao lado dele em 23 de junho de 1996.

Nesse cenário todo, parentes de Fernando Collor também haviam morrido, como sua mãe Leda Collor - que havia colaborado no IPES junto ao marido Arnon de Mello, falecido em 1983 e outrora envolvido num atentado contra um desafeto político (ironicamente, do PTB que abriga o filho de Arnon) em 1963, do qual causou a morte de um terceiro que nada tinha a ver com o conflito - , os irmãos Pedro e, recentemente, Leopoldo Collor.

Fernando Collor acabou atualizando os paradigmas políticos, econômicos e até mesmo sócio-culturais que eram conhecidos na Era Geisel, onde politica e economicamente prevaleciam os interesses tecnocráticos, o fisiologismo governamental e parlamentar e a mediocrização sócio-cultural das classes populares, mesmo dentro de um cenário de democracia civil.

Não há como ver em Fernando Collor exemplo político para coisa alguma. Até o pretexto de que ele "modernizou" a economia foi desastroso, porque ele foi o inverso de Juscelino Kubitschek, na medida em que Collor desvalorizou o produto nacional e impôs medidas antipopulares contra a Educação - foi um dos últimos a defender abertamente a privatização das universidades, sem a sutileza posterior de Fernando Henrique Cardoso - , além de permitir a degradação cultural pela ditadura midiática.

Mas hoje certos setores das esquerdas, lamentavelmente, dão ouvidos para Collor quando ele faz ataques ao poder midiático (logo o Collor?) e à prepotência dos ministros-astros do Supremo Tribunal Federal. Desde o escândalo do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Fernando Collor virou um "conselheiro" das esquerdas médias e por estas visto (erroneamente) como "corajoso combatente".

Se Fernando Collor brigou com antigos aliados e fez paz com antigos desafetos - ele hoje é aliado até mesmo de Lindbergh Farias, o ex-líder do movimento Fora Collor - , isso não o faz melhor do que era, até porque seu ingresso no Senado Federal foi fabricado pela mídia tanto quanto foi sua eleição para a Presidência da República.

Além do mais, como senador Fernando Collor não criou um projeto que marcasse ou produzisse algum progresso para o Brasil. Ele apenas se faz falar, embarcando na indignação popular contra a ditadura midiática e os desmandos políticos da direita para se autopromover.

Se as esquerdas médias e frágeis dão ouvidos a Fernando Collor, elas estão dando suas cabeças para a recente retomada neoconservadora de parte dos brasileiros, que acham ótimo verem as esquerdas abobalhadas e condescendentes. São as esquerdas que apoiam Fernando Collor que a direita adora, porque acabam favorecendo o seu reacionarismo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...