sábado, 22 de junho de 2013

BREGA-POPULARESCO QUER SE AUTOPROMOVER ÀS CUSTAS DOS PROTESTOS

LATINO, MC ANITTA E MÁRCIO VICTOR DO GRUPO BAIANO PSIRICO - Mediocridade artístico-cultural com pretensões de suposto ativismo social.

Por Alexandre Figueiredo

Com a repercussão dos protestos populares nas capitais brasileiras, surgem oportunistas de toda parte. E não seria diferente na música brega-popularesca, a julgar pelos casos dos ídolos de "funk melody" Latino e MC Anitta ou de nomes da "música baiana" como Tomate, Saulo Fernandes ("alma-gêmea" musical de Ivete Sangalo) e do grupo de "pagodão" Psirico.

Todos eles, à sua maneira, ensaiaram seu "apoio" aos protestos de ruas, como uma maneira de embarcar no carisma das manifestações populares. Latino prometeu "compor uma música" sobre o tema e foi criticado. Já MC Anitta alterou a letra de um sucesso seu numa legenda de sua foto no Instagram, e Márcio Victor do Psirico havia prometido "participar" das manifestações.

Tudo oportunismo. Afinal, nenhum deles têm compromisso natural com qualquer causa social. O que eles fazem é um tipo de música associada à imbecilização cultural, através da exploração de estereótipos que vão da domesticação das classes populares aos modismos mais ridículos do pop norte-americano adaptados no Brasil. Em nomes assim não se espera qualquer ativismo sócio-cultural.

O brega-popularesco é o pop comercial brasileiro. Sem muita qualidade artística ou cultural, essa categoria musical consiste na promoção de ídolos de investimentos baratos, sem uma personalidade realmente contestatória nem opinativa, mas que tenham um fácil, imediato e imenso apelo popular.

No entanto, de 2002 para cá, a blindagem intelectual que envolve o brega-popularesco, desde que Paulo César Araújo lançou sua primeira choradeira em favor dos antigos ídolos cafonas, essa categoria ficou tomada de muito pretensiosismo, expresso não só pelo "papo cabeça" de acadêmicos e cineastas documentaristas, mas de toda e qualquer apologia a seus estilos e ídolos.

A intelectualidade mais esnobe até apelidou o brega-popularesco de "verdadeira MPB" ou "MPB com P maiúsculo" no cínico propósito de valorizar as pessoas que mais vendem, mais lotam plateias e estão associadas ao aumento (ainda que virtual) de índices de audiência em programas de rádio e TV.

A intelligentzia promoveu o brega e seus derivados ao pretenso status de "arte séria e engajada", numa pregação politicamente correta que cansa de tão repetitiva, e que só serve mesmo para encher os bolsos da gente envolvida no processo, dos barões da grande mídia aos latifundiários e grandes empresários de multinacionais.

Esse aparente apelo popular dos bregas, festejado pela intelectualidade "sem preconceitos" mas muito preconceituosa, não quer dizer que o brega-popularesco, essa caricata "cultura" popular, tenha que se comprometer com causas ativistas para justificar seu sucesso. Antes não fizesse qualquer tipo de associação a esse ativismo.

Pelo menos, no pop norte-americano, é muito raro haver surtos de pretensiosismo ativista nesses ídolos da música comercial. O auge da Contracultura dos anos 60, com proporções mundiais, não foi pretexto para ídolos comportados da época, de The Platters a Johnny Rivers, passando por Pat Boone e Neil Sedaka, a "mergulharem" de vez no ativismo de protesto.

Nem mesmo os movimentos de ocupação serviram de pretexto para a adesão dos astros pop. E, perto do que são os bregas brasileiros, raros casos de pretensiosismo, como o de Jay Z e Lady Gaga, não chegam ao atrevimento obsessivo que os ídolos do Brasil possuem, e que contradiz, e muito, com o tipo de "arte" a que estão vinculados, ligados ao mais tolo estereótipo de entretenimento popular.

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