sexta-feira, 28 de junho de 2013

APAGADO, "FUNK CARIOCA" PEGA CARONA NOS PROTESTOS


Por Alexandre Figueiredo

O "funk carioca" esteve muito apagado diante do calor dos protestos populares. Só depois, e "por coincidência" depois que a Rede Globo passou a falar "positivamente" dos protestos, o "funk carioca" passou a embarcar na onda, em mais uma apelação pseudo-ativista conhecida do gênero.

E mais uma vez o ritmo faz proselitismo em sítios de esquerda. Depois do episódio da tese universitária sobre o feminismo no "funk" num artigo reproduzido no blogue Escreva, Lola, Escreva, e do caso da proibição de "bailes funk" nas noites de São Paulo noticiada no Diário do Centro do Mundo, é a vez do blogue Somos Todos Palestinos defender o ritmo brega-popularesco carioca.

Desta vez, trata-se de um sucesso de MC Garden e DJ Vinícius Boladão - do chamado "funk ostentação" que é o "funk carioca" paulista - , intitulado "Isso é Brasil", numa defesa entusiasmada publicada pelo blogue dedicado à causa palestina.

No entanto, a exemplo de outros dois blogues, a propaganda do "funk" veio de terceiros. O texto "O funk e o feminismo" - que pega carona numa tese universitária que CONTESTA o feminismo das funqueiras, mas apoia a tese CONTESTADA pela mestranda - veio de duas blogueiras, Verinha Dias e Samantha Pistor, do blogue Feminismo Sem Demagogia.

O texto publicado no Diário do Centro do Mundo é de autoria da cineasta Alice Riff, ligada ao "soros-positivo" Coletivo Fora do Eixo e que havia feito um documentário que mostrava MC's do "funk carioca" e outras coisas da dita "cultura das periferias", seguindo a linha de Denise Garcia no documentário Sou Feia Mas Tô Na Moda.

Já o texto de Somos Todos Palestinos é uma reprodução literal, sem qualquer acréscimo de comentários ou notas, de uma matéria do sítio Paper Pop, que nem é dedicado a qualquer causa progressista, mas tão somente a notícias sobre celebridades do meio televisivo e musical, com ênfase nas atrações brega-popularescas.

A equipe do Paper Pop inclui até um funcionário da Editora Abril, Caio Caprioli, editor da revista Superinteressante, publicação que havia revelado o editor Leandro Narloch, autor dos guias "politicamente incorretos" da história brasileira e mundial e ligado ao Instituto Millenium.

O que faz o "funk carioca" vender seu "peixe" na mídia progressista é um mistério. Afinal, o ritmo nada tem de realmente libertário e mesmo seu simulacro de ativismo social poderia ser feito nos limites da mídia dominante.

Desejo de se tornar "unanimidade"? Talvez. O que se sabe, no entanto, é que o "funk" polemiza menos quando faz sua propaganda na mídia direitista. Enquanto isso, a boa-fé da mídia esquerdista para o "ativismo de resultados" do "funk carioca" perde o sentido, pelo fato de que o "funk" envolve valores retrógrados inseridos numa visão de glamourização da pobreza que tenta imobilizar as periferias.

Além do mais, o sucesso de MC Garden e DJ Vinícius Boladão surgiu depois do reposicionamento da grande mídia, que antes via os protestos como "desordem". "Isso é Brasil" não tem a contundência de verdadeiras músicas de protesto como "Que País é Este" da Legião Urbana e "Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores", de Geraldo Vandré, ou de muitas letras do "elitista" Chico Buarque.

Será a pobreza? Não. Em outros tempos, nomes como João do Vale e Zé Kéti eram capazes de fazer boas canções de protesto. O derradeiro sucesso de Luiz Gonzaga, "Xote Ecológico", é uma boa letra de protesto. O problema está no "funk", porque é um ritmo dançante comercial, comandado por ricos empresários-DJs, e marcado pela baixaria e pelo pretensiosismo e tendenciosismo pseudo-ativistas.

O "funk ostentação" é o queridinho da vez das pseudo-esquerdas que pregam a bregalização do país. É o consolo da vez diante da desilusão com o tecnobrega, vendo Gaby Amarantos beijar a boca da mídia de direita e a "madrinha" Joelma do Calypso ter um surto moralista religioso, já que as pseudo-esquerdas tentam seguir a agenda LGBT das esquerdas.

No entanto, assim como o tecnobrega, o "funk ostentação" foi muito bem tratado pela revista Veja, ainda no fervor de seu reacionarismo editorial. Dizem que Veja se tornará um periódico mais moderado, apesar de Reinaldo Azevedo não parecer abrir mão de sua fúria habitual. Em todo caso, Veja continuará conservadora e, certamente, com os braços abertos aos brega-popularescos.

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