domingo, 9 de junho de 2013

A MÍDIA E AS FALSAS SOLTEIRAS



Por Alexandre Figueiredo

Manobras do mercado e da grande mídia. A palavra "solteiríssima" e a expressão "solteira e feliz" nem sempre têm o sentido verdadeiro que sugere, quando se tratam de certas (sub) celebridades popularescas que ficam escondendo relações conjugais para o bem da imagem de "sensual" da "musa" em questão.

Duas conhecidas funqueiras já usam e abusam da imagem de falsas solteiras. Uma, que abandonou o nome de "carne", havia "se separado" da noite para o dia, depois de trocar declarações de amor com o marido. Outra, bem mais famosa e tida como "feminista", continua espalhando aos quatro ventos que está "solteira e feliz" e que só está "namorando (?!) o seu filho".

Tudo para manter a imagem "sensual" e a carreira, e desta vez outra funqueira emergente, a MC Anitta, afirmou, em entrevista a Ana Maria Braga, que "não está namorando" - ela havia exagerado ainda, numa outra entrevista, ao declarar que "está encalhada" - , mas que "não passará o dia dos namorados sozinha, mas acompanhada".

Virou regra nas funqueiras mentir o estado civil e alardear a falsa solteirice aos quatro ventos, de forma insistente. Elas precisam passar a imagem de "sensuais" e um marido ou namorado iria "brochar" a libido de seus fãs. A funqueira supostamente "solteira e feliz", que geralmente é "agarrada" por fãs durante suas apresentações, havia recebido uma moto importada certa vez, talvez para "aliviar" o ciúme do marido, que vive longe dela.

Esta funqueira havia dito, num reality show em que ela participou, que desempenha, na vida real, um papel completamente diferente do que ela interpreta no palco. Talvez a "solteira e feliz" seja um personagem cuja identidade secreta é uma senhora bem casada. Por dois motivos. Um é de manter a imagem de "sensual" para fazer sucesso, outra é para preservar o marido de fofocas e factoides da mídia.

A encenação é tão clara que existem até mesmo, durante as apresentações das funqueiras, momentos em que um fã "invade" o palco para agarrar a intérprete em questão, "atitude" que não passa de um mero truque publicitário entre tantos outros.

Os empresários das funqueiras, espertos, sabem muito bem reforçar a fama "sensual" de suas elites, enquanto possuem dinheiro suficiente para indenizar os maridos e namorados delas com mercadorias ou dinheiro no depósito, como meio de indenizar os ciúmes desses homens, geralmente com pinta de durões.

Nas atrizes, é muito comum haver mulheres casadas na vida real que fazem papel de "encalhadas". Denise Fraga é mestra nisso, fazendo, nas suas comédias, papéis de solteironas, que contrastam com sua condição real de esposa de um conhecido diretor de cinema e TV, Luiz Villaça, oriundo de curtas publicitários.

Quanto às funqueiras, a grande mídia precisa trabalhar a imagem de falsas solteiras das mesmas não só para alimentar o mercado "erótico" que elas representam, mas também para lançar, dentro das manobras conhecidas da chamada mídia golpista, uma imagem deturpada do que é ser "solteiríssima" ou "solteira e feliz".

MACHISMO DISFARÇADO COM FALSA DEFESA À CAUSA LGBT

A grande mídia, sempre manipulando os gostos e interesses sociais, estaria enfatizando as falsas solteiras no público popularesco, para evitar que haja, no "povão", um maior número de famílias conjugais sólidas. Com valores implícitos que envolvem machismo e desvalorização da instituição família, desestimulando às crianças pobres o convívio com a figura do pai, a grande mídia tenta inserir uma falsa defesa a valores LGBT só para passar uma imagem "menos conservadora".

Dessa forma, as relações conjugais só são estimuladas quando se tratam de classes sociais mais abastadas. É a jornalista de TV que precisa estar casada com um economista, empresário ou executivo de TV. É a modelo que precisa ser esposa de um esportista ou empresário. É a escritora que vive um "casamento tranquilo" com um advogado. E por aí vai.

No "povão", a grande mídia precisa trabalhar o contrário. Se a "musa" tem namorado ou marido, ele precisa estar "escondido", a relação não pode ser assumida para que os fãs "curtam" a dita cuja "em paz". Além disso, traveste-se a destruição de laços familiares com a exploração leviana de valores ligados às famílias modernas, forçando as moças dos subúrbios a estarem obrigatoriamente "solteiras".

Até mesmo o sentido de "solteiríssima" e "solteira e feliz" é deturpado, e suas mensagens subliminares - as que a mídia não mostra - indicam que ser "solteiríssima", na verdade, é brigar com o namorado e sair "sozinha" na noitada do dia seguinte, ou que ser "solteira e feliz" é estar muito bem casada mas ter o marido morando longe para "não atrapalhar" os compromissos profissionais da esposa.

A grande mídia é machista e isso não foge à regra quando há casos protegidos pelo pretexto do "popular". E como o machismo é escancarado, dá-se um verniz "moderno" com falsas defesas da causa LGBT, tentando afastar qualquer indício de conservadorismo para enganar a opinião pública.

HIGIENISMO SOCIAL

Enquanto isso, a grande mídia trabalha a imagem da "mulher solteira" como se ela fosse uma desocupada, que só pensa em noitadas, que só sabe "sensualizar", que só mostra o corpo na praia e nada tem a dizer. Desse modo, a grande mídia força à mulher brasileira o "compromisso" de, se quiser ser inteligente e ter opinião própria, não "vivendo" do seu corpo, ela precisa necessariamente viver sob a "sombra" de um marido.

Por trás disso, existe um higienismo social cruel, na medida em que somente às famílias abastadas se recomenda que haja a estruturação sólida das vidas familiares. Nas famílias mais pobres, os filhos não podem conviver com a figura do pai, sempre explorada de forma pejorativa nos noticiários popularescos.

Pior: sob o pretexto da "liberdade", mulheres pobres são desaconselhadas a ter maridos, enquanto a opção de ser solteira ou lésbica deixa de ser uma escolha para ser uma obrigação, através de uma manipulação ideológica em que o retrógrado, como sempre na "cultura" brega, se traveste de "moderno".

Neste contexto, enquanto se torna regra, a título de ser "uma questão de honra", haver famílias sem maridos ou com duas esposas, as crianças sofrem a dor de não ter a proteção e o convívio paternal, porque, enquanto mães pobres são "estimuladas" pela mídia a serem solteiras ou lésbicas, deixam de ter o direito de escolha de um convívio efetivo com um marido.

E assim as funqueiras vão dizendo uma, duas, três, mil vezes que são "solteiríssimas" ou "solteiras e felizes". Elas trabalham a imagem de "solteiras" para vender uma imagem "sexy" enquanto seus maridos ou namorados, vivendo em lugares ignorados, são poupados de serem citados em qualquer factoide a ser noticiado envolvendo suas mulheres.

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