quinta-feira, 6 de junho de 2013

A CAMPANHA PRÓ-PROSTITUIÇÃO FRACASSOU. AINDA BEM

CAMPANHA DIZ SE OPOR AO PRECONCEITO CONTRA A PROSTITUIÇÃO, MAS ACABA FORTALECENDO O PRECONCEITO CONTRA AS PROSTITUTAS.

Por Alexandre Figueiredo

Por uma decisão bastante acertada, foi demitido o diretor do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dirceu Greco, depois da veiculação de uma campanha chamada "Eu Sou Feliz Sendo Prostituta".

A campanha tem como pretexto comemorar o 02 de Junho, considerado "Dia Internacional das Prostitutas", e de "eliminar o estigma e o preconceito sofrido pelas profissionais do sexo". Exonerado da função, Greco atribuiu a demissão como um "reflexo de políticas conservadoras". A exoneração teria sido feita, todavia, porque Greco não pediu autorização ao departamento de Comunicação Social do ministério.

No entanto, a decisão foi acertada. Afinal, a defesa da prostituição, que inclui até mesmo a "sindicalização" das profissionais do sexo e até mesmo de uma rádio comunitária exclusiva, a Rádio Zona, que toca música brega, envolve um tipo estranho de "ativismo social" bem ao gosto de instituições como a Soros Open Society e a Fundação Ford.

Através de um tipo de "esquerda" financiado por essas instituições - na verdade, órgãos da CIA, agência de informação dos EUA - , os princípios de cidadania são reduzidos a paradigmas subordinados às regras de consumo e à redução das classes populares a padrões ideológicos de inferiorização social (como a prostituição e a favelização) mantidos e apenas "embelezados" pelo poder político e pelo mercado.

Em outras palavras, é uma ideologia que vê a pobreza como uma "solução" e não como um problema, e que vale apenas a assistência econômica e a relativa inclusão social através do consumismo e de alguns benefícios institucionais garantidos explicitamente pelas leis, sem que isso represente uma verdadeira transformação social das pessoas pobres.

PROSTITUIÇÃO MANTÉM INFERIORIZAÇÃO SOCIAL DAS MULHERES

O que existe é apenas a transformação econômica, mas o progresso econômico, em si, não representa o progresso da cidadania. E é por isso que há um problema na perpetuação da prostituição, que é uma condição provisória de uma parcela das mulheres pobres, que o "ativismo de resultados" hoje vigente nas esquerdas médias não consegue admitir.

As prostitutas precisam melhorar de vida. Elas vivem uma situação transitória, porque várias delas possuem baixa escolaridade e outros empecilhos que as impedem de serem inseridas no mercado de trabalho. Elas gostariam de ter outros trabalhos, como serem cozinheiras, costureiras, professoras, operárias ou, quem sabe, até mesmo advogadas e economistas.

As limitações da vida é que impõem que elas vendam o sexo para sobreviverem. E a conversão dessa situação transitória em permanente mais parece um artifício mercadológico, travestido de "cidadania", "vanguarda feminista" e "ruptura de preconceitos", para satisfazer uma parcela provável de acadêmicos, turistas e até empresários que passem por processos de divórcio, por exemplo.

É muito estranho que as esquerdas médias ainda defendam a institucionalização da prostituição, quando deveriam defender o acesso dessas mulheres à Educação e à inserção social no mercado de trabalho. Isso não traz melhorias sociais de verdade, apenas enche os cofres das prostitutas de dinheiro, mantendo o status quo da inferioridade social que as atinge seriamente.

CAMPANHA FORTALECE PRECONCEITO CONTRA PROSTITUTAS, CONDENADAS A VIVER DEFINITIVAMENTE DESSA FUNÇÃO

No fundo, institucionalizar a prostituição, muito longe de representar um suposto avanço social, acaba favorecendo o turismo e o recreio sexual de um machismo enrustido, metido a "feminista", e a um pseudo-ativismo que prega que os pobres mantenham suas condições inferiores, apenas com algum trato cosmético e um auxílio financeiro por trás.

Portanto, institucionalizar a prostituição é mais um aspecto da glamourização da pobreza que as esquerdas médias defendem chorosamente, achando que isso vai melhorar a vida das mulheres nas periferias. Não vai. Isso só lhes fará ter mais dinheiro, dentro de relações sociais que continuarão sendo desiguais e submetidas ao apetite machista insaciável.

O que uma prostituta quer não é que o "trabalho" seja melhor remunerado. Ela quer sair dessa situação e fazer trabalhos mais dignos. Além disso, aceitar a prostituição a título de "romper o preconceito" na verdade gera um preconceito pior ainda, que é de recusar que as prostitutas devam ter outras atividades, sendo condenadas eternamente a esse verdadeiro suplício que é a "venda do corpo".

O que a campanha diz é que a prostituição é "motivo de orgulho" e por isso não se deve superar a condição das prostitutas, porque elas "são felizes" nessa condição. Portanto, se isso representa uma "ruptura do preconceito" contra a prostituição, torna-se no entanto o fortalecimento do preconceito contra as prostitutas que desejem superar essa condição inferior na chamada hierarquia social.

Ser conservador é, sim, querer que se mantenha as prostitutas nessa condição socialmente subalterna, apenas para alimentar um "mercado" para uma parcela de homens com maior poder aquisitivo. É, portanto, uma maneira de defender uma relativa prosperidade econômica sem superação das condições sociais de miséria, uma ideia própria da Teoria da Dependência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Daí o acerto da exoneração de um diretor que organizou uma campanha que não estabelece um verdadeiro compromisso com a cidadania e que mais parece uma campanha de apologia à miséria e à inferioridade social das classes populares.

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