sexta-feira, 17 de maio de 2013

SOBRE NOVAS E VELHAS MÍDIAS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O texto questiona a valorização excessiva das novas mídias digitais, considerando também que os meios de comunicação tradicionais também têm um poder auxiliar de difundir os movimentos sociais. É por isso que as forças progressistas defendem a regulação da mídia, como forma de transformar os meios de comunicação não só pelas tecnologias digitais, mas pelo processo social e profissional de comunicação.

Sobre novas e velhas mídias

Por Alexandre Haubrich - Blogue Jornalismo B

Seguindo a ideia de definir quem somos, levanto aqui no Jornalismo B mais uma questão a ser debatida: o conceito de velha e de nova mídia. Nesse caso, mais do que colocar-nos em uma dessas definições, o importante é diferenciar duas formas de encarar essa questão. Uma delas é tecnológica, a outra é política.

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A definição tecnológica trata como velha mídia os chamadas meios tradicionais, especialmente os impressos, mas também televisão e rádio. E chama de nova mídia a internet, especificamente blogs e redes sociais. Esse tipo de definição carrega problemas políticos que constroem a perspectiva de limitação da apropriação da mídia pelo povo. Isso porque o adjetivo velha, especialmente quando confrontado diretamente com a ideia de nova, carrega forte carga negativa, como algo superado, que já não serve mais. Essa noção é um erro.

Abrir mão dos velhos espaços de comunicação enfraquece a mídia popular, esvazia a luta pela democratização dos meios de comunicação e nos mantém em uma situação marginal em relação aos conglomerados de mídia, já que o poder da tecnologia de jogar para a margem os grandes grupos de comunicação é relativamente menor em comparação com o poder político e econômico de que esses grupos dispõem para manter-nos marginalizados.

Se a nova mídia é a internet e podemos descartar ou superar a velha mídia, então nossa função política é apenas a de ocupar os espaços de web. Essa sentença é contraproducente. É preciso criar a consciência de que ocupar a internet não é suficiente. As ruas, os muros e o papel continuam sendo fundamentais para a propagação de informações, assim como a televisão e o rádio. A importância e o potencial da internet não anulam nem reduzem a necessidade de democratizar a comunicação em todos os seus espaços. A internet pode, sim, ser mais um caminho para que possamos retomar os espaços públicos de difusão – espectro de TV e rádio, por exemplo – para quem tem direito sobre eles – o povo.

Por tudo isso, a distinção política entre os conceitos de velha / nova mídia está mais adequada às necessidades da mídia contra-hegemônica e das lutas populares. A partir dessa perspectiva, velha diz-se também daquela mídia que está aí há tempos e que precisa ser descartada, mas não no sentido tecnológico e sim no sentido político: a mídia das velhas oligarquias, que precisa ser substituída por uma nova mídia em ascensão, do povo.

Essa velha mídia, com um velho discurso elitista e excludente, é sustentáculo também de uma velha sociedade, que também deve ser superada e substituída por uma nova. Essa velha mídia, porém, não está apenas em velhas plataformas, está também – e com muita força – na internet, e ali permanecerá e construirá a manutenção de sua hegemonia se o problema estrutural do abuso econômico e político dos conglomerados de comunicação não for enfrentado.

Não é a internet quem vai construir a transformação. São as pessoas, apropriando-se de todas as ferramentas disponíveis para isso – inclusive a internet. São as pessoas que precisam mudar, é o homem novo que precisa ser construído, e, a partir dele e com ele, uma nova mídia. Agindo sobre essas bases conceituais teremos mais capacidade de entender quem somos e o papel que podemos cumprir enquanto construtores dessa nova mídia e, com ela, de uma nova sociedade.

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