quinta-feira, 2 de maio de 2013

RIO PARADA FUNK TEVE PATROCINADORES. ELES É QUE SE ESCONDERAM


É muito estranha a propaganda em torno do Rio Parada Funk, que disse ser organizado "sem patrocínios privados", tamanha a estrutura que suporta o evento realizado todo ano no Rio de Janeiro.

Obviamente, o "funk carioca" sempre se alimentou pela pretensa imagem de "coitadinho" e o gênero tenta nos fazer crer que ele "sofre dificuldades" em conseguir financiamento, mesmo sendo, explicitamente, um ritmo dançante comercial e apoiado abertamente pela grande mídia, sobretudo as Organizações Globo, mas incluindo a Folha de São Paulo e até o Instituto Millenium.

O documentário Sou Feia Mas Tô Na Moda, por exemplo, oficialmente é uma "produção independente" feita "sem patrocínios" nem "apoio da grande mídia". No entanto, a cineasta Denise Garcia, gaúcha, trabalhou na RBS (parceira da Globo na Região Sul) e tudo indica que a Globo Filmes deu apoio promocional para o filme, que depois foi transmitido pelo canal GNT.

O filme, de 2005, se insere na mesma agenda ideológica de glamourizar a breguice cultural brasileira, e foi lançado no mesmo ano que Os Dois Filhos de Francisco, de Breno Silveira, sobre a dupla breganeja Zezé di Camargo & Luciano, assumidamente uma produção da Globo Filmes.

Imagine um evento que reúne um grande número de intérpretes bem remunerados, uma baita estrutura de som, um alvará de utilização de um lugar público e uma engenhosa estrutura publicitária, que é o Rio Parada Funk, claramente apoiado pelas Organizações Globo. Será que o evento só sobreviverá de verbas estatais e apoio de organizações não-governamentais?

Evidentemente, não. Apesar de informações dadas por seus organizadores que algumas empresas de telefonia e cervejarias "retiraram" suas marcas do evento, é possível que elas tenham patrocinado tais eventos, apenas esconderam seus nomes.

Além do mais, consome-se muita cerveja nesses eventos. Qual cervejaria não iria jogar dinheiro em eventos como esse mega "baile funk", se nos subúrbios o patrocínio é mais explícito e envolve até mesmo desconto no consumo de bebidas? Ou será que, no Rio Parada Funk, os funqueiros só vão querer saber de tomar caldo de cana, suco de frutas e Guaraviton?

As cervejarias já se afinam com o "funk carioca" na divulgação de "mulheres gostosas" e seu suposto boicote talvez seja uma má interpretação para o fato de que elas patrocinariam, sim, o Rio Parada Funk, mas só não divulgariam imagem diante do risco da polêmica causar abalos publicitários.

Outro aspecto a se considerar é o apoio promocional das Organizações Globo, explicitado nas propagandas de divulgação do Rio Parada Funk na Rede Globo, através da vinheta "Cidadania: A gente se vê por aqui" e da cobertura feita por veículos como o jornal O Globo e o canal Multishow. O que não deixa de ser um patrocínio privado, vindo de um poderoso veículo da grande mídia.

Um evento como esse custa muito dinheiro. E o grosso estaria, com toda certeza, na iniciativa privada, que não tem receio nem desinteresse em investir no "funk carioca". Da mesma forma que não tem fundamento a imagem do gênero como "injustiçado pela mídia", ante o apoio das maiores corporações da mídia, também não procede que os grandes eventos de "funk" recorram a "modestas" verbas públicas.

Há verbas públicas nesses eventos? Sim, há. O "funk carioca", sedento de hegemonia e supremacia no entretenimento carioca, aceita dinheiro de tudo quanto é lado. Até mesmo na chamada "parte legal" do estilo, aparentemente "longe" dos "proibidões", muito dinheiro é investido.

Como na axé-music e no breganejo, entre outros estilos "populares", a iniciativa privada investe fundo. E com gosto. Não faz sentido que essa pretensa "cultura popular" passe para a opinião pública a falsa imagem de "marginalizada pelo mercado e pela mídia". A grande mídia e o grande mercado apoiam iniciativas como o Rio Parada Funk. Essa é a verdade.

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