quarta-feira, 1 de maio de 2013

O GLOBO TIRA AGAMENON DE CIRCULAÇÃO NAS BANCAS


Por Alexandre Figueiredo

No último domingo, o "colunista" Agamenon Mendes Pedreira, personagem criado a quatro mãos pelos humoristas Marcelo Madureira e Hubert Aranha, do Casseta & Planeta, deixou a versão impressa de O Globo, num texto-despedida intitulado "Fui".

A saída foi hipoteticamente justificada pelo fato de que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ter se tornado colunista do New York Times. "Ele vai assinar com quê? Com um X? E o que é pior: a coluna vai ser em ingrêis! A profissão de jornalista está desmoralizada... hoje em dia qualquer analfabeto escreve pra jornal, inclusível eu, que não sei ler, só escrever", diz jocosamente o "jornalista".

Com piadas que aludem à "humilde" e "desgraçada" condição econômica, Agamenon faz sua despedida citando seus "17 leitores e meio" (o "meio", segundo ele, é um anão), além de agradecer a outros personagens, sua "patroa", a esposa Isaura e o médico Jacintho Leite Aquino Rego, por sua trajetória.

Por trás do humor "ferino" e ultimamente reacionário de Agamenon, há uma crise e um desgaste do Casseta & Planeta, desde que Marcelo Madureira passou a expressar mau humor ou humor cínico nos veículos da Globo, no Instituto Millenium e ao lado de figuras de triste projeção como Diogo Mainardi.

Desde então, o Casseta & Planeta Urgente saiu do ar, o grupo agora só lança o atual Casseta & Planeta Vai Fundo através de curtas temporadas (por sinal mal-sucedidas em audiência) enquanto seus integrantes seguem eventuais atividades solo, como Hélio de La Peña, em um evento sobre natação.

A coluna do Agamenon não andava fazendo muito sucesso, e além disso, mesmo com seus redatores atuando no filme sobre o "colunista", sendo Hubert no papel de Agamenon e Marcelo no papel de Jacintho, a iniciativa não ajudou, até porque o filme pecou pelas piadas forçadas e sem graça, dentro de um pseudo-documentário e clichês humorísticos sem a menor criatividade nem graça.

Além do reacionarismo, os cassetas também enfrentam uma crise de criatividade e um desgaste de seu humor, ao mesmo tempo acomodado e sem o mesmo vigor que consagrou a Casseta Popular e o Planeta Diário (respectivamente revista e jornal) nos anos 80. Por incrível que pareça, a ausência de Bussunda, falecido em 2006, pouco influiu, até porque após sua morte o grupo chegou a recuperar o vigor criativo.

O que influiu foi talvez o fato do humorismo dos cassetas ter se adaptado, tanto ideologica quanto comercialmente, às normas da Rede Globo. Além do mais, o grupo tornou-se uma das vitrines dos intérpretes do brega-popularesco, de medalhões como a Banda Calypso e Zezé di Camargo & Luciano até o "funk carioca", que forjava sua "superioridade" às custas das trapalhadas de MC Ferrow e MC Deu Mal.

Embora os cassetas afirmem que continuam juntos e trabalhando, apesar da redução dos espaços humorísticos - como as curtas temporadas na Globo e Agamenon restrito à Internet - , torna-se clara a crise que sofre o grupo. É bom Marcelo Tas e a turma do CQC abrirem os olhos.

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