terça-feira, 7 de maio de 2013

"FUNK CARIOCA" É REACIONÁRIO


Por Alexandre Figueiredo

O "funk carioca" é reacionário por excelência. Embora adotem um discurso pseudo-libertário, os defensores do ritmo carioca nunca se posicionaram firmemente pelas propostas progressistas, se valendo apenas de alguns clichês inócuos feitos apenas para seduzir a intelectualidade para seu apoio.

O discurso pseudo-ativista, com apelos chavões tipo "luta contra o preconceito", "expressão das periferias" etc, não esconde o jogo duplo dos funqueiros, que tentam fazer proselitismo nas esquerdas médias - ditas "flexíveis", mas de certo condescendentes - enquanto fazem a festa de mãos dadas com os chefões da mídia e do mercado.

Escondem o apoio das multinacionais ou mesmo de instituições "filantrópicas" a serviço dos EUA por debaixo do tapete. Não conseguem explicar a natureza dos recursos financeiros que recebe, embora jure que elas não veem de fontes escusas. E, dependendo das circunstâncias, afirmam ou desmentem a "função educativa" do ritmo.

O próprio som do "funk carioca" tem um quê de reacionário. Atualmente, há uma junção de ruídos que parecem de sirenes ou de galopes de cavalos, com algum MC falando baixarias e outro MC auxiliar balbuciando um ritmo pela boca.

O "funk carioca" não é música para a alma, e se impõe nas poluições sonoras dos "bailes funk" e na "anti-estética" que se impõe à opinião pública. O "funk carioca" é autoritário, mas se beneficia pela imagem de "vítima" que sempre trabalha para se auto-promover.

DISCURSO REPETITIVO

Muita gente está cansada de ouvir essa "choradeira" dos funqueiros e seus simpatizantes, dessa obsessão em empurrar o "mau gosto" goela abaixo, como um remédio amargo que, tendo sério efeitos colaterais, é tido como "milagroso". E seus defensores ainda têm o cinismo de dizer: "Não é preciso gostar, mas tem que aceitar o 'funk'".

O "funk carioca" se beneficia com um discurso "cabecista" de promoção do gênero, cheio de clichês discursivos e intelectuais que podem adotar uma retórica sofisticada, mas é, como todo discurso intelectualoide da moda, uma forma de dar sentido a coisas que não têm sentido algum

Ninguém percebe o quanto é chato ouvir, dos defensores de um simples som dançante, alegações "cabecistas", supostos sociologismos e antropologismos, falsas alusões a movimentos modernistas ou ativistas, um discurso tão maçante, chato, mas que ainda deslumbra uma boa massa de incautos?

O mito de que o "funk carioca" é "natural expressão das favelas" foi uma mera construção ideológica da mídia. Mesmo nas esquerdas, há a insistente omissão de que esse discurso "ativista" que deslumbra muitos intelectuais com sede de paternalismo populista foi construído exatamente pela Rede Globo e Folha de São Paulo.

O "funk carioca", mesmo nos mais sutis argumentos "ativistas", não consegue esconder que faz apologia à pobreza e à miséria. Não consegue camuflar valores ligados ao machismo, ao racismo e à degradação moral como se fossem "outros valores". O "funk" aposta numa imagem caricata, estereotipada e imobilista do povo pobre, apenas travestida de clichês falsamente copiados de ideologias culturais e políticas de vanguarda.

Mesmo as defensoras das intérpretes funqueiras caem em contradição, agora "negativizando" o passado das intérpretes. Antes o passado das "popozudas" era "positivizado": trabalhadoras que passam a fazer sucesso nos palcos e na mídia. Hoje esse mesmo passado é "negativizado": criadas no machismo, elas ensaiam uma "ruptura" através do "funk".

A contradição é o princípio do "funk carioca". Para promover o ritmo na ALERJ ou através de mega-eventos como o Rio Parada Funk, se defende o "valor educativo" do gênero. Mas, quando as autoridades proibem os "proibidões" do "funk", seus "ativistas" negam que o ritmo tenha obrigação de ser educativo.

O "funk carioca" é reacionário e seus envolvidos diretos são neocons em potencial. Enquanto há um "funkocentrismo", em que o "funk" se torna a medida de todas as coisas, seus "ativistas" defendem até mesmo o coro dos querubins. Enquanto puderem encaixar o gênero, desejam as melhores causas.

O "funk carioca" possui um articulado apoio da direita brasileira, bem mais convicto e solidificado que o das chamadas "esquerdas médias", que mais parecem chorosas e assustadas na defesa do ritmo. Na direita, porém, há maior firmeza e espontaneidade, sobretudo quando a grande mídia concede espaço para o "funk carioca", não é preciso dar muita ênfase à pose de vítima dos funqueiros.

Gente como Marcelo Tas, Marcelo Madureira, Nelson Motta, Luciano Huck, Gilberto Dimenstein e agora o oficialmente declarado neo-con Lobão dão apoio entusiasmado ao "funk". Lobão tornou-se reacionário mas manteve seu apreço ao "funk", antes ingênuo, agora convicto, chamando-o de "maravilhoso" para cima, enquanto baixa a lenha nas forças progressistas.

A grande mídia sempre manteve as portas abertas ao "funk", a não ser em espaços mais ortodoxos. Ainda assim, Mr. Catra é tão amigo de Luciano Huck quanto Aécio Neves. A Ilustrada, da Folha de São Paulo, e a Bravo (revista "cultural" do Grupo Abril) haviam feito propagandas entusiasmadas do "funk", com um discurso "sofisticado".

E não devemos nos esquecer que o maior propagandista do "funk carioca", o antropólogo Hermano Vianna, é ligado a Fernando Henrique Cardoso e teve sua tese sobre o gênero financiada pela Fundação Ford. E que a APAFUNK possui ligações, ainda que indiretas, com o Instituto Millenium.

O "funk carioca" brinca de "progressista" enquanto as classes populares ficarem presas na miséria e na degradação sócio-cultural e econômica. Mas se um dia as classes populares mostrarem mesmo que conquistaram a qualidade de vida e a escolaridade plena, os funqueiros, todos eles, virarão neocons, esboçando seu reacionarismo doentio.

Quando as favelas derem lugar a casas populares dignas, o analfabetismo do povo pobre reduzir drasticamente e a qualidade de vida se efetivar de fato nas periferias, os "ativistas" do "funk carioca", assustados com tais transformações, correrão para os salões do Instituto Millenium e despejar seus resmungos reacionários.

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