sexta-feira, 3 de maio de 2013

CORRUPÇÃO DERRUBA JOÃO HAVELANGE E PODE EXPOR SUJEIRA DO "PENTA"


Por Alexandre Figueiredo

Dias atrás, o então presidente de honra da FIFA (Federação Internacional de Football Association, como era seu nome original), o brasileiro João Havelange, renunciou ao cargo depois que vazaram denúncias de um esquema de propina envolvendo também a agência de publicidade ISL e o ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira.

A denúncia aponta que a agência ISL havia pago propinas a Teixeira e Havelange para obter facilidades nos acordos de escolha das emissoras de TV a transmitir as partidas de copas do mundo. O escândalo está fartamente comprovado em documentos e havia ocorrido no final da década de 1990, pouco antes da fraudulenta Copa de 2002, a "Copa" de Ricardo Teixeira e da Rede Globo.

INDÍCIOS DE QUE "PENTA" FOI UMA FARSA AUMENTAM

Junte-se a essa corrupção e os escândalos que, dentro do Brasil, haviam nas transações esportivas, em parte investigadas pela CPI do Futebol, fora os conchavos que a CBF fez com o banqueiro Aloísio Faria, dono da Rede Transamérica FM, uma famosa rede de rádios jovens do país, para a transmissão esportiva da Copa de 2002, para ver que o futebol brasileiro tem mais lama que futebol de várzea em dia chuvoso.

É um escândalo sem tamanho, ao qual se acrescenta essa denúncia divulgada pela imprensa britânica, que quase a lançou em primeira mão, mas a FIFA, sabendo do episódio, resolveu se antecipar. E que faz com que a chamada "paixão dos brasileiros" fosse um reduto da mais suja corrupção política.

Daí que a maravilhosa (para os chefões da grande mídia e os dirigentes esportivos) Copa de 2002, que gerou um "pentacampeonato" fácil demais para a seleção brasileira de futebol, foi um artifício feito para "abafar" os efeitos das denúncias de corrupção no futebol brasileiro.

Desde as eliminatórias, a seleção brasileira não mostrava seu bom futebol. Não vivia sua melhor fase. Até mesmo Galvão Bueno era forçado a admitir que a seleção brasileira, quando vencia, não convencia. As jogadas eram tímidas e inseguras, os jogadores não eram entrosados, as vitórias dependiam mais das "brechas" estranhamente deixadas pelo adversário no campo de defesa.

Era muito estranho. Aparentemente, a seleção brasileira venceu com facilidade adversários com alguma expressão em jogo, como Chile, Inglaterra e Alemanha, tanto nas eliminatórias quanto na Copa em si. Supostamente grandes seleções, mesmo não enfrentando os "canarinhos", eram "derrubadas" no torneio, com uma facilidade estranha demais.

Até mesmo um juiz coreano "roubou" em favor da "seleção". Enquanto isso, a grande mídia tentava dar a falsa impressão de que o evento fazia ecos às glórias de 1958 e 1970, através de uma cobertura ufanista de gosto duvidoso e que tratava os torcedores brasileiros como se fossem débeis-mentais.

O escândalo que derrubou João Havelange - há tempos uma "raposa velha" oriunda da CBF que trabalhava na FIFA - acontece às vésperas da Copa das Confederações 2013, a ser realizada nos estádios brasileiros como teste para a Copa de 2014, tanto para testar os estádios como para experimentar o arsenal midiático e publicitário para o futuro evento.

São denúncias que se juntam à "indústria" de manipulação de resultados, o que pode, mais cedo ou mais tarde, expor a corrupção por trás da duvidosa premiação do "penta" brasileiro. Falou-se que a Nike pressionou, na Copa de 1998, o jogador Ronaldo Nazário a jogar, mesmo com as pernas doloridas, mas poucos admitem que as mesmas pressões podem ter sido usadas para forçar a conquista do "penta".

Mas talvez se essa corrupção tivesse sido denunciada há tempos e a CPI do Futebol tivesse completado suas investigações - ela foi encerrada com os inquéritos encerrados pela metade - , envolvendo alianças com a mídia, talvez o Brasil não estaria sediando copas de futebol e olimpíadas.

Seriam espetáculos a menos. Em compensação, o futebol deixaria de ser uma ilusão, o povo estaria sonhando menos, a grande mídia teria armadilhas a menos para enganar a população e o país, apesar de deixar de ter uma projeção internacional, estaria trabalhando mais para superar as crises sociais, políticas, econômicas e culturais que se agravaram depois do prêmio "pentelho" da Copa de 2002.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...