segunda-feira, 13 de maio de 2013

BAND E A PROPAGANDA DO BREGANEJO


Por Alexandre Figueiredo

Pelo jeito, o "sertanejo" tirou apenas uma folguinha das Organizações Globo. Coisa pequena. Afinal, a corporação dos irmãos Marinho anda concentrando todas as suas forças no "funk carioca", que o "sertanejo", embora ainda apareça nos "caldeirões" e "domingões" da casa, precisa enfatizar seu marketing em emissoras concorrentes.

Aí veio a TV Bandeirantes, que no seu Jornal da Band vai relançar, sob o aparato de uma "série de reportagens", a suposta "música sertaneja", que sabemos ser uma diluição comercial e brega da música caipira.

Intitulada "Eles arrastam multidões", a série não trará qualquer novidade, sendo mais uma daquelas campanhas publicitárias travestidas de jornalismo, algo bastante típico de hoje, quando o jornalismo da grande mídia se submete às regras publicitárias, em detrimento da boa informação.

A série terá de "tudo". Fãs devotos e quase beatos dos breganejos tradicionais, como Chitãozinho & Xororó e Leonardo. Outros, mais alucinados, tietando os chamados "universitários". E, de bandeja, a ênfase exagerada no suposto sucesso mundial de Michel Teló.

Evidentemente, a TV Bandeirantes iria mesmo vestir a camisa do "sertanejo", ritmo brega-popularesco que mais recebe patrocínio do latifúndio, e cuja associação com o coronelismo e, sobretudo, com o agronegócio, é tão escancarada que nomes como Victor & Léo evitam aparecer em fotos ao lado de Kátia Abreu para não "queimar" a imagem.

A família dona da TV Bandeirantes possui fazendas. O Jornal da Band já havia feito ataques severos ao Movimento dos Sem-Terra. Tida ingenuamente por uns como "progressista" só por ser um contraponto à Rede Globo, a TV Bandeirantes tem no seu elenco nomes como Bóris Casoy, antigo militante direitista, e os neocons Marcelo Tas, José Luiz Datena e Danilo Gentilli.

Outra coisa a lembrar é que o grupo empresarial tem a rádio Band FM, sediada em São Paulo e com algumas afiliadas no resto do país, que se dedica a tocar música brega-popularesca, sobretudo o "sertanejo" ou breganejo.

Portanto, quem espera jornalismo de verdade na série "Eles arrastam multidões", pode desistir. É publicidade pura, travestida de reportagem. Será a mesma pasmaceira para "explicar" o sucesso desses ídolos postiços, alguns fazendo uma constrangedora "MPB de mentirinha", como os supostos "sertanejos de raiz" que de raiz nada têm, porque já começaram deturpando a música caipira.

A série será apenas mais uma estratégia para reciclar o sucesso comercial desses ídolos. E o aparato jornalístico é apenas uma parte dessa estratégia para vender esses verdadeiros produtos da grande mídia e do coronelismo radiofônico e televisivo.

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