domingo, 19 de maio de 2013

AÉCIO NEVES ENCERRA CICLO PAULISTA DO PSDB


Por Alexandre Figueiredo

Com 521 dos 535 votos (índice de 97,7%) dos membros da Convenção Nacional do PSDB, foi eleito o novo presidente do partido o senador mineiro Aécio Neves, dando fim ao ciclo paulista que havia caraterizado o partido.

Aécio contou com o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de outros líderes do partido e sucede o deputado federal Sérgio Guerra no comando do partido. Apesar de pernambucano, Sérgio Guerra ainda mantinha o caráter do partido como eminentemente paulista, já que a influência maior estava no grupo do ex-prefeito de São Paulo, José Serra, e do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Como de praxe, Aécio pediu aos colegas, num recado que ele talvez deseja dos demais partidos parceiros do PSDB, a união oposicionista contra o Governo Federal. A nova posição indica a ascensão política do ex-governador de Minas Gerais, abrindo caminho para sua candidatura para 2014.

Numa crise que fez o PSDB, DEM e PPS, os três partidos do chamado "demotucanato", perderem vários integrantes e filiados, e que fez este último se fundir com um outro partido menor, PMN, se transformando no PMD, a vitória de Aécio mostra uma mudança de posição no PSDB.

Até então, a prioridade estava quase sempre em reservar o comando do partido a Geraldo Alckmin ou José Serra, tendo Fernando Henrique Cardoso liderando nos bastidores, quando muito se comportando como o "cérebro" do partido.

Agora, com Aécio na presidência, o PSDB parece mudar sua estratégia política depois que José Serra perdeu as eleições presidenciais e Geraldo Alckmin foi desmoralizado depois da violência policial que ele promoveu para expulsar os moradores do extinto bairro de Pinheirinho, em São José dos Campos.

A grande mídia tenta dar a impressão de que todos os líderes do PSDB estão unidos e solidários. Mas, nos bastidores, nota-se um clima de desconforto entre o senador mineiro e Serra e Alckmin. Há também um desconforto entre estes dois com o fato de Fernando Henrique Cardoso, o carioca radicado em São Paulo, ter preferido apostar em Aécio e não em José Serra.

O PSDB, portanto, entra em nova fase sem reparar tais arestas incômodas. O tucanato terá à sua frente a habilidade de ao menos esconder tais divergências e entrar no jogo oposicionista tentando dar algum recado ao eleitorado, se é que tem algum, já que o PSDB, que se autoproclamava de "centro-esquerda", hoje integra a direita urbana e reacionária do país.

O problema é que Aécio tem fama de fanfarrão e há quem jure que o vídeo que aparece na Internet com um homem bêbado entrando num bar é o próprio tucano. Alguns até chegam a perguntar se Aécio será uma versão galântica de Jânio Quadros, em que pese o mineiro ser neto de outro político da época do antigo presidente de curto mandato.

A grande mídia terá que fazer seu jogo de cintura para tentar criar uma imagem "moderna" e "eficiente" do ex-governador mineiro.

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