segunda-feira, 1 de abril de 2013

VELHA MÍDIA E A SUA "LIBERDADE DE EXPRESSÃO"


Por Alexandre Figueiredo

A perseguição do jornalista da Rede Globo, Ali Kamel, à blogosfera, através de um processo que atingiu cinco blogueiros, três deles ex-jornalistas da emissora, mostrou o quanto a grande mídia entra em contradição com seu discurso de "liberdade de expressão" ou "liberdade de imprensa".

Quando abraçam causas estranhas como a sinistra Yoani Sanchez e a defesa do monopólio do jornal argentino O Clarín, "vítima" do projeto de regulação midiática da presidenta Cristina Kirchner, a grande mídia fala em defesa da "liberdade de expressão" e capricha, dentro de seus limites ideológicos, no discurso de defesa da cidadania e da democracia.

Mas quando o assunto é a blogosfera, a grande mídia aciona seus comentaristas políticos para despejar a mais abjeta verborragia contra os "irresponsáveis" que "desnorteiam" os padrões oficiais de informação noticiosa e de interpretação da realidade em nossa volta.

Daí Ali Kamel ficar irritadíssimo quando seus interesses são contrariados. E a gota d'água se deu quando o jornalista Luiz Carlos Azenha, da Rede Record, pressionado pelo dinheiro que é obrigado a depositar na conta de Kamel, anunciou que pretende dar fim às atividades de seu blogue Viomundo.

Kamel tenta justificar que os blogueiros "ultrapassaram os limites" do debate democrático, dando um pretexto para processá-los. Mas mesmo seus colegas não o veem com simpatia, e seu poderio é de tal forma notório que, recentemente, o apelido que ele havia recebido dos colegas é "Ratzinger", em alusão ao passado pró-fascista do cardeal Joseph Ratzinger, que se aposentou do status de Papa Bento XVI.

Enquanto isso, a grande mídia permite que comentaristas como Merval Pereira e Reinaldo Azevedo exagerem no tom quando criticam a blogosfera e os movimentos sociais, só reconhecendo estes últimos quando eles atuam dentro dos limites aceitáveis pelo poder associado ao neoliberalismo.

Ou seja, para uma revista Veja sair dizendo que formar sindicatos de trabalhadores, direito garantido pela Constituição de 1988, é "organizar a desordem", a grande mídia reivindica "liberdade de expressão". Já criticar os abusos editoriais ou as posturas antissociais de Ali Kamel é considerado "difamação", sujeiro a ser condenado a pagar uma grande indenização.

Os grupos empresariais no Brasil temem perder o poder que exerciam de forma absoluta há até dez anos atrás. A grande mídia tenta resistir como pode às transformações sociais em curso no nosso país, e só mesmo a união da sociedade e da blogosfera para enfrentar esses impérios com coragem e perseverança.

Uma boa iniciativa será uma manifestação que acontecerá amanhã, no Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, numa reunião às 17 horas, na sua sede na rua Rego Freitas, 454, 1º andar, República, Centro de São Paulo. Quem está na capital paulista tem uma boa oportunidade para protestar contra os monopólios da grande mídia.

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