sexta-feira, 26 de abril de 2013

REDE GLOBO INVESTE TUDO NO "FUNK CARIOCA"

OS LELEKES QUE TOCAM NO RÁDIO E OS LELEKES QUE ESTÃO POR TRÁS DO NEGÓCIO, OS IRMÃOS MARINHOS, AQUI EM FOTO COM O FALECIDO PAI.

Por Alexandre Figueiredo

Há dez anos, a já famigerada parceria entre as Organizações Globo e o "funk carioca', iniciada em 1990, se intensificou completamente, através da necessidade de trabalhar um discurso "positivo" para o estilo, para torná-lo mais "digestível" para o público de maior poder aquisitivo.

O discurso que foi elaborado por psicólogos, jornalistas, publicitários e acadêmicos a serviço da empresa dos irmãos Marinho ganhou um tom "socializante" e "ativista", num ano em que Roberto Marinho vivia seus últimos meses de vida, um discurso quase todo elaborado sob a chancela da Globo, já que, em parte, os ideólogos do Grupo Folha deram um tempero "mais intelectual" a essa retórica.

Nem todo mundo aceita que se noticie a parceria do "funk carioca" com as Organizações Globo. Oficialmente, o "funk" continua "fora da mídia". As pessoas que acreditam nesta lorota oficialesca não suportam ouvir a associação do gênero à Globo, e tentam argumentar que os que denunciam tal parceria estão "batendo na mesma tecla", "mercendo trocar o disco arranhado".

Mas temos que "bater na mesma tecla", mesmo. A verdade dos fatos machuca aqueles que querem mascará-lo, e eles apavoram diante da revelação de que o crescimento do "funk carioca" só se deu com o "pequeno empurrão" dos Marinho com alguma "ajudinha" dos Frias.

REDUZIR O POVO POBRE À SUA PRÓPRIA CARICATURA

Numa época em que se discute a regulação dos meios de Comunicação, as Organizações Globo correm contra o tempo para transformar o povo pobre em caricatura, antes que as classes populares intensifiquem sua mobilização por uma mídia mais transparente e mais cidadã. Daí o discurso, um tanto hipócrita, de associação do "funk" a um modelo de "cidadania" proposto pelos barões da grande mídia.

O "funk carioca", com todo o pseudo-ativismo que tenta convencer até mesmo setores menos contestadores nas esquerdas médias, encaixa bem no projeto dos detentores de poder de manipular o inconsciente das classes populares.

É só observar seus aspectos: música (?!) de péssima qualidade, que trabalha uma imagem patética e debiloide do povo das periferias, num claro processo de imbecilização cultural que é camuflado da forma mais habilidosa possível por um discurso trabalhado por intelectuais influentes.

O discurso, sabemos, é recheado das mais delirantes e, às vezes, contraditórias teses de caráter pretensamente sociológico, ativista e etnográfico, que tentam fazer as mais insólitas e falsificadas associações do "funk carioca" a contextos diversos a partir de alegações e alusões bastante falsas.

O "funk carioca", através dessa retórica, é capaz de inverter a imagem de degradação sócio-cultural através de uma deturpada abordagem do "outro", em que valores que na verdade são associados ao machismo, à violência, ao racismo contra negros, à mediocrização cultural e à precarização do mercado de trabalho sejam travestidos de "feminismo", "negritude", "valores morais modernos", "mercado independente" etc.

Qualquer crítica é rebatida de forma cínica, e os intelectuais não medem escrúpulos de recorrer à mais perfida necrofilia, usando nomes como Oswald de Andrade, Malcolm McLaren, Gregório de Mattos e até Carlos Lamarca para "defenderem" o "funk carioca", através da interpretação distorcida e falseada dessas figuras falecidas.

"FUNK CARIOCA" É O NOVO CARRO-CHEFE DA GLOBO

Como em 2003, a Globo está jogando "funk carioca" adoidado em seus veículos e nos programas da famigerada Rede Globo, que completa 48 anos de existência hoje. O dinheiro que se usa para jogar funqueiros para "viradas" ou eventos "culturais" como a Estação Rio (que conta com DJ Marlboro como uma das atrações principais) é tanto que põe em xeque a imagem do "funk" como "cultura de pobre".

Não bastasse a fortuna "global" - beneficiada pelos "bonus por volume" das verbas do Governo Federal - investir pesado na promoção de funqueiros mais comportados, como MC Anitta e MC Naldo (embalados para conquistar a juventude mauriçola da Zona Sul carioca e similares), a inseração do "funk" encontra outros contextos para mais uma vez forjar o "consenso geral" em favor do estilo.

O Globo Esporte, programa esportivo da Rede Globo famoso por traduzir a histeria futebolística simbolizada por Galvão Bueno, embora ele não seja o apresentador do programa, já escolheu o "Passinho do Volante", de MC Federado e os Lelekes, como um "segundo tema" do programa. O Esporte Espetacular, dominical, segue a mesma receita.

A novela Sangue Bom, que entrará no lugar de Guerra dos Sexos nas 19 horas, também privilegiará o "funk carioca", a partir do próprio título, tirado de uma gíria funqueira. E a apelação do "funk carioca" tenta conquistar até o público de meia-idade, quando, no episódio de ontem de A Grande Família, Irene Silva (Marieta Severo) fez uma dança sensual para o marido Lineu (Marco Nanini) ao som de MC Anitta.

O Bom Dia Brasil de hoje ainda mostrou o "campeonato" da "Dança do Passinho", um modismo lançado "pela Internet", mas, sabemos, com uma ajudinha da Globo. E o noticiário que tem Miriam Leitão como principal comentarista anunciou feliz da vida a "alegria" de pobres domesticados em dançar o tal sucesso dos "Lelekes", dentro da perspectiva do "orgulho de ser pobre".

Enquanto isso, a intelectualidade etnocêntrica se mexe para tentar salvar seus "semideuses". MC Leonardo e Hermano Vianna, propagandistas do "funk carioca", a exemplo de Paulo César Araújo - que não milita necessariamente pelo "funk", mas defendeu os ancestrais dos funqueiros, os ídolos cafonas - , andam sendo criticados pela opinião pública, já sofrendo crise de reputação.

Isso porque, sem seus propagandistas maiores, o brega-popularesco não poderá se sustentar sem a retórica engenhosa da qual eles são capazes de iniciar. Um discurso de pretensas vítimas para ídolos de sucesso comercial, uma retórica que simule falso teor ativista em meros modismos popularescos, tudo isso tem nesses militantes uma habilidade de tentar convencer as pessoas.

E todos eles de mãos dadas com as Organizações Globo, por mais que eles jurem estarem "à margem da mídia". E a Rede Globo, com o "funk carioca", o brega, o "sertanejo" etc, tenta criar um paradigma tendencioso e falso de "cultura popular", para amestrar as classes populares antes que elas despertem para pressões ainda maiores pela regulação midiática e pela luta contra as grandes corporações da mídia.

Daí o investimento total da Globo com o "funk", ritmo que nada seria sem o "batidão" do plim-plim.

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