terça-feira, 9 de abril de 2013

O GLOBO E A SUA CONCEPÇÃO DE "REGULAÇÃO DA MÍDIA"


Por Alexandre Figueiredo

O editorial de anteontem do jornal O Globo dá o tom falsamente "imparcial" da posição que os barões da grande mídia têm a respeito da regulação da mídia. Desqualificando a mobilização que se vê na blogosfera progressista, o editorial, como em toda manifestação do nível, acusa toda a campanha por uma regulação democrática dos meios de comunicação de "mera militância petista".

Enquanto isso, o editorial defende o ministro das Comunicações Paulo Bernardo (na direita da foto, ao lado de Cândido Vaccareza), que, apesar de ser ligado historicamente ao PT, decidiu se opor à qualquer hipótese de regulação midiática, algo que anda afetando sua reputação nos meios esquerdistas.

A defesa do editorial de O Globo é tal que o texto leva a sério a patética declaração do ministro: “(...) algumas pessoas veem a capa da revista, não gostam e querem que eu faça um marco regulatório. Isso não é possível porque a Constituição não prevê esse tipo de regulação para a mídia escrita”.

Entre outros argumentos politicamente corretos como sugerir que "há muita coisa a discutir: a atuação de sites controlados do exterior no jornalismo e entretenimento; a necessidade de produção local; o papel das telefônicas no processo de fusão de mídias, entre outros temas", o texto ainda faz a defesa do monopólio do grupo Clarín na Argentina.

"Em nome da necessidade de se estimular a concorrência no mercado de imprensa e entretenimento — como se ela já não existisse no país —, força-se a quebra de conglomerados de comunicação, para que eles passem a depender de verbas públicas, o fim de sua independência", diz o texto do editorial, usando o pretexto da "livre iniciativa" para defender a hegemonia midiática do grupo Clarín na Argentina.

O que sabemos, fora da restritiva órbita midiática, é que a regulação da mídia nada tem a ver com receituário político-partidário, mas de um controle social que pretende frear os abusos cometidos pelo poder midiático, que geralmente adotam visões preconceituosas e estereotipadas da realidade. A grande mídia diz "defender" a regulação, mas desde que mantenha seu poderio de dominar e manipular a sociedade.

Num tempo em que as Organizações Globo, através de um de seus chefes jornalísticos, Ali Kamel, aciona processos judiciais contra blogueiros progressistas, a regulação midiática deveria ser uma solução. Mas infelizmente não é. E o que vemos é a grande mídia ampliando cada vez mais seu poder, através das mais diversas maneiras.

A grande mídia fala de uma "democracia" que, na verdade, é defendida por grupos privados no qual os interesses não são da maioria das pessoas ou dos segmentos sociais envolvidos, mas do poder de visibilidade dos veículos privados de comunicação.

O que a proposta de regulação da mídia quer fazer é evitar que prevaleça essa visão nada democrática de "democracia". É recuperar o interesse público e deixar que as classes populares deixem de ser meras espectadoras e consumidoras do espetáculo midiático, mas cidadãos capazes de dizer não aos abusos e imposições do poderio midiático, através de uma regulação democrática e constitucional.

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