segunda-feira, 22 de abril de 2013

INTELECTUAIS E JUÍZES A SERVIÇO DA GRANDE MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

O Judiciário e a intelectualidade cultural se unem pela tentação de atenderem e se vincularem aos interesses da grande mídia, em vez de atender ao interesse da sociedade em geral. Para quem chegou da viagem, pode haver uma questão de que ou a intelectualidade e os juízes passaram a confundir comunicação de massa com o povo propriamente dito, ou eles estão em "lua-de-mel" com os executivos midiáticos.

Mas quem está no trajeto sabe que a segunda opção é que é a resposta. O poder dos meios de comunicação é tentador para juízes que, independente de quem eles venham a julgar ou condenar, preferem fazer o jogo midiático, preferindo apressar vereditos, evitar julgar testemunhas ou acusados importantes ou condenar acusados de corrupção com as investigações deixadas pela metade.

Da mesma forma, o circo midiático é tentador para a intelectualidade cultural, pela visibilidade que lhe oferece e pelos interesses comerciais em jogo. Afinal, o intelectual não quer esperar verbas de pesquisa do Estado ou de donativos sociais para lançar suas teses e produzir seus trabalhos: ele tem as Organizações Globo, o Grupo Folha, o Grupo Abril e a Fundação Ford para lhe dar a grana necessária.

Que diferença tem Luiz Fux, Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes ou mesmo o aparente paladino da moralidade, Joaquim Barbosa, e Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches, Hermano Vianna e Ronaldo Lemos?

A sociedade, na espera do exercício pleno da cidadania, vê a Justiça promover, em certos casos, a impunidade do crime, e, em outros, precipita na condenação com investigações duvidosas. Em vez de investigar a fundo as ligações de José Dirceu e José Genoíno com o esquema de Marcos Valério, o Supremo Tribunal Federal agiu como se fosse o PSDB em combate partidário contra o PT.

Da mesma forma, os intelectuais culturais, em vez de desejarem e lutarem pela melhoria cultural das classes populares, preferem defender os tais "sucessos populares" que, sabemos, só foram possíveis porque foram executados e divulgados por um sistema midiático e um mercado controlado por forças reacionárias e patrocinados tanto pelas grandes corporações multinacionais quanto pelo latifúndio.

Enquanto isso, vemos Carlos Ayres Britto feliz da vida prefaciando o livro de Merval Pereira. Pedro Alexandre Sanches diz que ele e seus amigos fazem "crítica cultural", mas se limitam a atacar Chico Buarque e a MPB autêntica, condenada pelo "crime" de ter qualidade artístico-cultural, achando que estão fazendo um trabalho "reflexivo" em "benefício" à cultura brasileira.

O povo pobre hoje está praticamente proibido de produzir sambas, baiões, modinhas, catiras, ranchos etc. Só pode produzir arremedos pop de ritmos brasileiros ou estrangeiros. Neste sentido, o intelectual pop que é Paulo César Araújo tem o mesmo valor duvidoso do que o jurista pop Luiz Fux, aquele que tocou guitarra durante uma festinha de aniversário.

Dessa maneira, o que vemos são juízes, advogados, críticos musicais, antropólogos, historiadores e sociólogos deixando de servir à sociedade, vendendo suas imagens à visibilidade fácil da grande mídia e ao prestígio garantido ao lado das elites dominantes.

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