quinta-feira, 18 de abril de 2013

GRANDE MÍDIA QUER DEIXAR A MPB MORRER


Por Alexandre Figueiredo

Dias atrás, faleceu o músico Marku Ribas, um dos pouco conhecidos da fusão entre samba e música soul. Já perdemos antes Emílio Santiago e até mesmo a formação clássica do MPB-4 já tem um falecido, o cantor Magro, vítima de câncer. Sem falar das maiores cantoras brasileiras como Maysa, Dolores Duran, Nara Leão, Elis Regina e Sílvia Telles, todas prematuramente falecidas.

Tudo bem. É a vida. O problema realmente não é isso, mas é o fato de que não há, até hoje, uma expressão de impacto e de grande expressividade na MPB. Hoje temos até bons artistas, mas em maioria eles apenas fazem o "mais do mesmo", repetindo clichês banalizados da MPB dos anos 70.

A intelectualidade dominante mantém seu desdém com o problema, porque, para seus cientistas sociais e jornalistas culturais adeptos da cafonice dominante nas rádios e TVs, "tudo é MPB", ou seja, a MPB é algo qualquer nota feito por brasileiros e cantado em língua portuguesa. Vale até mesmo MC Créu e MC Federado e os Lelekes, ou qualquer gemido de mulher-fruta.

A grande mídia, que patrocina, com muito gosto, essa cafonice toda, que garante baixos investimentos, altos lucros e um poder midiático ainda maior - principalmente quando a intelectualidade mais badalada faz vista grossa desse poder midiático - , chora lágrimas de crocodilo quando falece algum grande nome da MPB.

Se a grande mídia não pode banir a MPB de sua divulgação, ela faz o possível para enfraquecê-la. A MPB autêntica sucumbe a um gosto secundário do grande público, que a aprecia como se fosse música estrangeira. Pela visão da grande mídia, Paulinho da Viola mais parecia um artista norte-americano, estrangeiro na sua própria Madureira da infância, onde se apresentou de graça meses atrás.

A MPB ficou estrangeira, apreciada precariamente pelo grande público, tendo apenas seu espaço radiofônico dentro dos limites aceitáveis pelo mercado e até para fornecer macetes que serão depois imitados por ídolos bregas e neo-bregas mais pedantes. Como se um Flávio Venturini só aparecesse na mídia para ser copiado descaradamente por Belo, Chitãozinho & Xororó, Thiaguinho etc.

A situação é catastrófica. Djavan quase foi rebaixado a um one-hit wonder, ou seja, astro de uma música só, no caso a manjada "Oceano", e quase teve seu novo disco boicotado pelas rádios. Agora tem que recorrer a uma música em dueto com Maria Bethânia na trilha sonora de Salve Jorge (predominada pelos bregas) e uma música nova na trilha de Flor do Caribe, ambas novelas da Rede Globo.

É humilhante. A MPB autêntica virou refém das trilhas sonoras de novela da Globo. Ela não é mais capaz de se divulgar por si só. E seus artistas de grande talento são quase todos idosos, apenas poucos mais jovens conseguem alguma visibilidade.

Mas é só comparar as coisas para ver que a coisa é pior que se imagina. Para cada novo cantor de MPB que aparece, são milhares e milhares de ídolos brega-popularescos que surgem no mercado. E, o que é pior, todos gravando os mesmos CDs/DVDs ao vivo, com os mesmos sucessos, passando a carreira toda com isso, sem qualquer variação relevante.

E aí intelectuais da moda acham que esse problema não existe e eles ainda acham o máximo relembrar de gente medíocre do passado, como José Augusto, Michael Sullivan e Waldick Soriano, dando um tom preciosista ao revival dos antigos bregas.

Enquanto o hit-parade brasileiro se articula hoje com Michel Teló e Gusttavo Lima, Thiaguinho e Péricles e MC Naldo e MC Anitta, a cultura brasileira está em sério risco de desaparecer ao longo dos anos. A grande mídia deixa a MPB morrer, sem qualquer renovação de grande envergadura.

Enquanto isso, a mediocridade artística se multiplica com milhares de ídolos despejados nas rádios aos montes, enquanto nem eles têm fôlego para permanecerem muito tempo no sucesso, tamanha a repetição dos álbuns ao vivo. Se Gusttavo Lima quer ficar muitos e muitos anos gravando os mesmos sucessos em discos ao vivo, é sinal que estamos mesmo perdidos.

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