sexta-feira, 12 de abril de 2013

GLOBO APOSTA EM "FUNK" E AXÉ REAFIRMAR SEU PODER


Por Alexandre Figueiredo

Enquanto, no âmbito jornalístico, as Organizações Globo tentam reafirmar seu poder às custas dos processos judiciais movidos por Ali Kamel, a Rede Globo, principal braço da emissora, mais uma vez aposta no "funk carioca" e na axé-music como forma de reforçar seu poderio no ramo do entretenimento.

Pode parecer rotina, mas tais manobras sempre são acionadas pela rede, que também empurra seus astros televisivos feito gado para apreciar ídolos emergentes do brega-popularesco, como Thiaguinho e MC Naldo, com plateias lotadas de atores de prestígio.

Agora a emissora, depois de tanto tempo, trocou a voz do tema do seriado A Grande Família, gravado pelo sambista Dudu Nobre, pela versão da mega estrela da axé-music Ivete Sangalo, contrariando a herança que o falecido cepecista Oduvaldo Vianna Filho deixou para a emissora, por ele ter sido o criador da série original de 1973. Dudu Nobre estaria mais de acordo com a proposta de Vianinha.

Na referida versão, Ivete, evidentemente, eliminou o clima noelroseiro que Dudu procurou assimilar e inseriu uma tropicalidade americanizada para turista ver. Ela começou até bem, cantando a estrofe docemente, mas arriscando em maneirismos vocais que a baiana não tem, o refrão é cantado num falsete forçado que cria um sério contraste com o vocal que ela deu na estrofe.

Desse modo, a voz de Ivete brigou mais do que a "família unida que briga por qualquer razão", mostrando que sua reputação é muito mais fruto de marketing do que do talento em si. Ivete não é má cantora, mas possui limites vocais, e quando ela tenta ultrapassá-los, desafina, como nos agudos da música "A Lua Que Eu Te Dei", composição de Herbert Vianna.

Quanto à postura, sabe-se que Ivete Sangalo é oportunista e, de forma bem piorada que Caetano Veloso, tenta vincular sua imagem a tudo quanto é música brasileira, boa ou ruim, seja de qualquer ritmo. Se julga a "dona da MPB", o que lhe valeu uma unanimidade forçada sustentada à custa de troleiros oficiais que espalharam terror pela Internet em defesa alucinada da cantora baiana.

No resto da axé-music, uma reportagem do portal G1 mostrou um rapaz fanático por micaretas, desses que gastam muito dinheiro para assistir aos ídolos da axé-music em várias partes do país, numa clara propaganda para fazer os foliões competirem com ele nesse ritual consumista em que a "alegria" é reduzida a uma mera mercadoria sem verdadeira relevância, já que os fãs de axé-music, uma vez criticados, se irritam facilmente.

Já o "funk carioca" promete mais uma novela como propaganda, desta vez Sangue Bom, que substituirá Guerra dos Sexos, que obrigará até mesmo a Ellen Rocche rebolar até o chão, ela que está se esforçando como atriz. Afinal, o "funk" parece ter sido criado pelas Organizações Globo, tal a presença em seus veículos, em que pese a choradeira de intelectuais que dizem que o ritmo é "discriminado pela grande mídia".

Embora todo o "funk carioca" receba todo o apoio protetor dos irmãos Marinho - os filhos do "doutor" Roberto - , já dá para perceber que as apostas mais recentes estão no "funk melody", considerado "mais família", a julgar pelos investimentos que são feitos para a popularização de MC Naldo e MC Anitta, esta uma solução de emergência para substituir a religiosamente convertida MC Perlla.

Os dois são construídos da mesma forma que qualquer ídolo do hit-parade norte-americano, com todas as estratégias de marketing possíveis. Não são artistas na concepção verdadeira do termo, mas o que nos EUA se chama de entertainers, atrações comerciais ligadas ao espetáculo lúdico de juntar coreografias, playback, tecnologia e factoides na imprensa de celebridades.

Faz sentido. Como grande corporação da indústria do entretenimento, a Globo não iria deixar de promover tais ídolos dessa forma, junto à indústria fonográfica. A grande mídia e as grandes gravadoras continuam expressando seu poder, querendo substituir, na marra, a cultura popular pelo hit-parade, evitando assim a verdadeira emancipação das classes populares. "É a grande mídia, estúpido!". E o "deus mercado" ainda não morreu.

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