domingo, 28 de abril de 2013

"FUNK CARIOCA" NÃO QUER MESMO REGULAÇÃO DA MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

Embora não assuma publicamente no discurso, os defensores do "funk carioca" reprovam completamente a regulação da mídia. A proposta de um marco regulatório da mídia brasileira vai contra muitos dos interesses dos líderes funqueiros, além de expressar um modelo de cidadania que elimina muitas das caraterísticas do "movimento" carioca.

Isso se torna tão certo que os dirigentes e ativistas funqueiros preferem manter o silêncio do que adotar uma postura determinada a respeito. Afinal, os funqueiros fazem proselitismo frente aos intelectuais das esquerdas médias e à classe acadêmica, simpatizantes tímidos das causas progressistas, mas no entanto precisam da grande mídia para obterem maior visibilidade.

Observando de forma cautelosa os fatos, nota-se que o pretenso "ativismo" do "funk carioca" entra em choque com os movimentos sociais quando exagera na sua "liberdade" moral. Foi o caso de Bia Abramo, filha de Perseu Abramo "contaminada" pelo vírus da Folha de São Paulo, que ao escrever sobre "funk carioca" preferiu defender as mulheres-frutas em detrimento de enfermeiras ridicularizadas pelo "erotismo" funqueiro.

Mas um caso bastante ilustrativo ocorreu em 2005, quando se intensificaram as atividades do movimento Ética na TV, da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, atualmente "manchada" pela atuação medieval do pastor Marcos Feliciano.

O movimento Ética na TV surgiu em 2002 para combater a baixaria dominante nas emissoras de televisão, sobretudo TV aberta, nos últimos anos. A iniciativa tornou-se um termômetro para observar a crise que sofre a televisão brasileira, e havia desmoralizado programas policialescos, talk shows, reality shows, humorísticos e programas de variedades que expressassem algum tipo de grosseria e afronta à ética.

O principal alvo é o sexo e a violência, que nos anos 90 eram abertamente exibidos na televisão aberta, até mesmo em horários verpertinos (à tarde), em que as crianças mais assistem à programação televisiva. Eram tempos em que as poéticas comédias de Charles Chaplin eram exibidas de madrugada, enquanto filmes de pancadaria e violência gratuita passavam de tarde.

Quando a campanha já começava a ter uma força maior, eis que surge um "fenômeno de massa" chamado Tati Quebra-Barraco, funqueira conhecida pelos palavrões e pelo conteúdo pornográfico de suas letras. Estrela do documentário "independente" Sou Feia Mas Tô Na Moda, de Denise Garcia - apoiado "informalmente" pelas Organizações Globo - , Tati tornou-se a "celebridade da moda" em 2005.

A funqueira, cujo maior sucesso tem justamente o título do filme de Denise Garcia, tornou-se a "queridinha" da intelectualidade e da imprensa. Até mesmo Artur Dapieve, que "baixou a lenha" contra o grupo de sambrega Os Morenos (que lançou Waguinho, ex-marido de Solange Gomes), se rendeu à grotesca funqueira, dando o mesmo peso a ela e ao sambista Pixinguinha.

A essas alturas, Artur Dapieve já estava bem entrosado com "seu" casseta Marcelo Madureira, o "bobo da corte" do Instituto Millenium, num programa do canal pago GNT. E Pedro Alexandre Sanches ainda estava na Folha de São Paulo, quando entrevistou Tati Quebra-Barraco, cumprindo a missão Globo-Folha de vencder o asqueroso ritmo carioca como se fosse o "novo ativismo folclórico brasileiro".

De repente, todas aquelas lutas de promover uma televisão mais cidadã foram por água abaixo. Justamente quando o Poder Legislativo faz alguma coisa de relevante e progressista, a medida é ofuscada não somente pela manipulação da grande mídia, mas pela intelectualidade associada.

De repente, o povo brasileiro foi tratado como palhaço. Lutava-se para combater a degradação de valores sócio-culturais e morais que Tati Quebra-Barraco recuperava com intensidade ainda maior, e a intelectualidade, em vez de contestar o que a mídia estava fazendo, não só assinava embaixo como criava uma delirante defesa à funqueira e ao "funk carioca" como um todo.

Afinal, foi nessa época que explodiu a campanha retórica intelectualoide em defesa do "funk", com as mais delirantes e inverídicas comparações com outros fenômenos sócio-culturais como a Semana de Arte Moderna, a revolta de Canudos e o punk rock, com teses absurdas camufladas em documentários, monografias, reportagens, fora a inserção em diversos programas de entretenimento da TV aberta e paga.

Para piorar, as baixarias de Tati Quebra-Barraco eram defendidas pela intelectualidade sob o pretexto de que ela expressava "novos valores morais que não (sic) conseguimos entender". E qualquer problema a nossa intelligentzia botava na conta do falecido poeta Gregório de Matos, tal qual Mônica Neves Leme havia feito no seu livro sobre É O Tchan, Que Tchan é Esse?.

Hoje, quando a sociedade progressista se empenha em reivindicar uma mídia mais cidadã, responsável e respeitosa aos cidadãos em geral, o "funk carioca" intensifica seu lobby, aliciando mais uma vez celebridades, artistas, intelectuais e acadêmicos.

O Brasil está à deriva, entregue à retórica dominante dos defensores do "funk". O que pode representar um risco para a regulação da mídia que os funqueiros no seu silêncio fingem serem favoráveis, mas que combatem ferozmente, porque sabem que a Lei de Meios, se plenamente concretizada, irá derrubar todas as baixarias que se vê no espetáculo midiático dos funqueiros.

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