terça-feira, 23 de abril de 2013

"FUNK CARIOCA" ESCONDE APOIO DE MÍDIA E EMPRESÁRIOS


Por Alexandre Figueiredo

Os propagandistas do "funk carioca" forçam muito a barra para tentar promover o gênero como "vanguarda", lançando mão de muita discurseira, sem medir escrúpulos em se contradizer numa ocasião ou em outra, porque o que importa é dar visibilidade ao gênero. A coerência que vá para as favas.

Admitindo que nem todo "baile funk" é patrocinado pelo crime organizado, essa retórica cria um sério problema. Afinal, ela não abre o jogo de que o "funk carioca" precisa ser financiado por instituições capitalistas para ser viabilizado financeiramente.

No entanto, vem aquele discurso pseudo-ativista, dizendo que o "funk" sobrevive de doações, de investimentos do Estado, de leis de incentivo, renúncias fiscais etc. Só que o cartaz que o ritmo possui, sobretudo na grande mídia, é muito para que o estilo só receba investimentos considerados "modestos" e "independentes".

Na boa. O "funk carioca" nunca foi vanguarda nem cultura alternativa. E muito menos um movimento ativista que se equipare, por exemplo, ao movimento zapatista no México. O ritmo apenas foi um tipo de pop dançante e comercial carioca, com um forte aceno brega constatado pelas referências adotadas pelos seus fãs através do rádio e TV que eles consumiam.

Eu havia pesquisado sobre o documentário Sou Feia Mas Tô Na Moda, de Denise Garcia, e o evento Rio Parada Funk, promovido pelo neto do poeta Ferreira Gullar. Em ambos os casos, há sempre a mesma desculpa, de que os eventos foram feitos "sem patrocínio". Um organizador do Rio Parada Funk chegou a dizer que os patrocinadores "evitaram" divulgar suas marcas no evento.

Para um evento com o apelo midiático que é o "funk carioca", isso é totalmente estranho. É claro que o ritmo tem patrocinadores, esse discurso "pedinte" dos defensores do "funk" não faz sentido. Sabe-se que as entidades sociais ligadas ao ritmo recebem recursos da Fundação Ford, terceirizados por investimentos creditados a orgãos brasileiros. Tudo intermediado, mas certamente vindo dos cofres estadunidenses.

Já foi constrangedor ver os ativistas funqueiros desmentirem o apoio da grande mídia. Enquanto o "funk" rolava solto nas Organizações Globo, seus defensores diziam que o ritmo estava "à margem da grande mídia". O que é uma grande inverdade.

Quem acompanhou a imprensa nos últimos dez anos, vai notar que os primeiros discursos "socializantes" em defesa do "funk carioca" vieram de veículos das Organizações Globo, do Grupo Folha e do Grupo Abril. Portanto, o "funk carioca", que em caráter local sempre contou, pelo menos, com o apoio da 98 FM (atual Beat 98), das OG, nunca ficou marginalizado pela grande mídia.

Portanto, o "funk carioca" esconde apoio de mídia e empresários. Quer desmentir o comercialismo que sempre foi sua caraterística. O ritmo sempre se sustentou com jabaculê, com apoio da grande mídia e, mais recentemente, com investimentos estrangeiros. Portanto, o ritmo é capitalista por excelência.

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