quinta-feira, 11 de abril de 2013

FAUSTO SILVA É O ÚLTIMO A SABER DO "JABACULÊ" DE SEU PROGRAMA?


Por Alexandre Figueiredo

É aquela coisa. Se houve enchente numa cidade, é porque choveu, para que denunciar a chuva? Pois é essa a impressão que se tem quando a coluna de Léo Dias, do jornal carioca O Dia, anunciou que o Domingão do Faustão recebia propina para divulgar determinados "artistas", com valores de, pelo menos, R$ 110 mil.

Fausto Silva, apresentador do programa dominical da Rede Globo, ao se informar do esquema de propina - que conhecemos como "jabaculê" - , demitiu todos os envolvidos de sua equipe de produtores, como se quisesse fazer uma "limpeza" no quadro técnico do seu programa.

A notícia dá a falsa impressão de que Fausto foi o último a saber do esquema de jabaculê, como se ele tivesse sido um caso recente e excepcional, o que, para o público que lê jornais popularescos e vê TV aberta pode ser um mal sinal de desinformação das coisas.

Ora, ora, acreditar que esse esquema de propina é "fato excepcional" é acreditar que existe Coelhinho da Páscoa e que ele é ovíparo. Sabe-se que o jabaculê é a alma do negócio brega-popularesco e se o Exaltasamba, um dos nomes denunciados, sempre se alimentou de jabaculê para arrancar popularidade.

Ora, toda a dita música "popular" que tomou conta das rádios e TVs abertas dos anos 90, e que lançou a geração neo-brega de Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano, Alexandre Pires, Belo, Exaltasamba, Frank Aguiar, Banda Calypso, É O Tchan, Leonardo, Daniel, DJ Marlboro etc, nada seria se não fosse o esquema de jabaculê das rádios e TVs ditas "populares".

A própria Globo ajudou esses ídolos bregas a investir numa cosmética que os faça parecer mais "sofisticados", através de um investimento puramente jabazeiro de "reinvenção" de suas imagens. Eles não se tornaram melhores artisticamente, continuando tão medíocres do que antes, mas hoje eles são cercados pela cosmética de arranjadores, assessores, publicitários, produtores e maquiadores.

Além do mais, boa parte dessas emissoras é controlada por políticos, fazendeiros e empresários oligarcas, que não sabem a diferença entre antena parabólica e tela de galinheiro, mas operam emissoras de rádio e TV como se quisessem tratar o povo pobre como gado bovino.

Se não houvesse esse esquema jabazeiro e politiqueiro, a música brasileira seria outra. Wilson Simoninha seria dez vezes mais popular que Alexandre Pires e Belo. Roberta Sá teria o triplo do sucesso hegemônico de Ivete Sangalo. Maria Rita Mariano faria sucesso fácil até nos rincões do Acre e a música baiana não teria axé-music, mas adaptações baianas do mangue bit.

Foi o jabaculê que criou essa "ditabranda do mau gosto" que a intelectualidade dominante entende como "popular", através de denominações cínicas e hipócritas tipo "MPB com P maiúsculo". E o Domingão do Faustão sempre funcionou nesse esquema jabazeiro, que foi herdado sobretudo dos últimos anos do Cassino do Chacrinha, que já não vivia os tempos áureos dos anos 60.

Só sendo muito ingênuo para acreditar que o Domingão do Faustão vai dizer mesmo "não" ao jabaculê, demitindo os produtores denunciados. O esquema jabazeiro continuará, através de outros profissionais. É o mesmo que acreditar que, num dia, Merval Pereira e Miriam Leitão se tornarão socialistas se Léo Dias denunciar, de repente, que eles defendem os interesses do Departamento de Estado dos EUA.

Portanto, quem acha que o Domingão do Faustão vai divulgar honestamente a cultura brasileira, esqueça. O jabaculê é o pulmão da indústria brega-popularesca, do hit-parade brasileiro. Quem imagina que o folclore e a cultura alternativa correrão solto no programa, ou que o brega é também "alternativo" e "folclórico", é porque não sabe discernir as coisas. A cegueira da grande mídia acabou lhe fazendo muito mal.

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