quarta-feira, 17 de abril de 2013

DITADURA MIDIÁTICA TIRA SARRO COM BOATOS ENVOLVENDO PAUL MCCARTNEY E "FUNK CARIOCA"


Por Alexandre Figueiredo

O "funk carioca", um dos braços musicais da ditadura midiática, sempre se autopromove às custas de qualquer boato ou factoide que sugerisse, ainda que de forma imprecisa, alguma alusão positiva ao ritmo brega-popularesco.

Desprovidos de qualquer objetividade, funqueiros são capazes de dizer besteiras ou fazer bravatas só para dar vantagem ao "funk", assim como qualquer sensacionalismo acaba sendo posto na conta da etnografia, deturpada e avacalhada com a promoção intelectual a esse ritmo da imbecilização cultural.

Pois os barões da grande mídia gostaram do comentário, um tanto duvidoso, do produtor Mark Ronson de que Paul McCartney queria "trazer para si a energia do 'funk carioca'". Na verdade, o que o ex-beatle quis dizer foi apenas a vontade dele de reproduzir a energia que o grupo paranaense Bonde do Rolê, que mistura rock com "funk carioca", desempenhava nas apresentações ao vivo.

Para Paul, o Bonde do Rolê era uma banda de rock, e o comentário dele na verdade foi neste sentido. Mas aí o galo cantou na esquina e a grande mídia chamou Paul de "o mais novo funkeiro do mundo". Num país que tem Merval Pereira como "imortal" da Academia Brasileira de Letras e Ali Kamel sai processando blogueiros por pouca coisa, faz sentido o "funk carioca" se autopromover às custas de qualquer boato digno de história de pescador.

Daí que a história do "pescador" Mark Ronson acabou sugerindo ao portal G1, das Organizações Globo, que várias celebridades do "funk carioca" dessem "sugestões" de que o Paul McCartney "deve ouvir" para "renovar sua energia" nos palcos.

É completamente ridículo. A imbecilização cultural marcada pelo "funk carioca" e toda sua demagogia em adotar um discurso "socializante" que faz seus intérpretes e empresários, estes muito riquíssimos, terem uma falsa pose de "vítimas de preconceito", não mede escrúpulos para embarcar em qualquer contexto e transformar boataria em fatos concretos.

Entre os "consultados", houve um pouco de tudo. Desde o DJ Marlboro - que havia dito, em tom jocoso, que o "funk" é "a verdadeira MPB" - até o DJ Sany Pitbull (que pretende avacalhar a memória do poeta Vinícius de Moraes), passando pelo insosso MC Leozinho e pelo tendencioso Rômulo Costa, eles deram as mais aberrantes sugestões para o ex-beatle, como se os ouvidos de Paul fossem penicos. Até o "Passinho do Volante" dos "lelekes" sugeriram para o inglês. Só faltou sugerir o "Créu".

A "reporcagem" do G1 tem puro apelo sensacionalista. Não vai contribuir em coisa alguma para unir funqueiros e beatlemaníacos. Talvez essa associação com o "funk" soe pior ainda, porque, indiretamente, é também uma gozação à memória de John Lennon e George Harrison, parceiros de Paul na famosa banda de Liverpool.

Além disso, sensacionalismo é sensacionalismo, mesmo travestido de reportagens, monografias e documentários. O "funk" nunca era para ser levado a sério, de tão ruim. Mas é levado a sério, e, levado a sério demais, torna-se cada vez mais oportunista, canhestro, cansativo.

Ninguém aguenta mais funqueiro aparecer na mídia se passando por "injustiçado". E esse negócio de que o "funk" sempre viveu "à margem da mídia" é história da Carochinha, já que sempre contou com o apoio de Roberto Marinho e de seus filhos e hoje herdeiros. Daí que o ritmo, com toda a choradeira em sua defesa, não consegue diminuir o repúdio que recebe da sociedade mais esclarecida.

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